Técnica de linguagem conhecida como figura do som
A assonância refere-se à técnica de linguagem responsável por transmitir informações através dos sons produzidos pelas palavras que compõem a enunciação. Em outras palavras, é uma figura de linguagem caracterizada pela repetição sequenciada de sons das vogais do alfabeto, especialmente em poesias e músicas.
A palavra “assonância” tem sua origem derivada do termo em latim “assonans”, que vem do verbo “assonare”, e quer dizer “produzir som” por meio do “ecoar”, “fazer eco” ou “ressoar”. A função desse mecanismo da língua portuguesa é reforçar e enriquecer o som daquilo que é cantado, lido ou falado.
Estão mais presentes em linguagens mais literárias, funcionando como mecanismo que vai proporcionar mais ritmo e musicalidade ao poema, por exemplo. Nesse caso, são evidenciadas as sílabas tônicas, principalmente as que ficam no final de cada verso, para então, formar rimas que ecoam um som agradável.
Por causa da força estética que possui, a assonância é muito utilizada no arranjo de músicas populares. Às vezes podem aparecer mais de uma vogal repetida na oração, mas geralmente a que tem mais quantidade é a considerada enfoque.
Figuras de linguagem parecidas
Dentro do conjunto de figuras de linguagem existem inúmeras outras utilizadas em diversos enunciados. Porém, há algumas que têm definição e função parecidos com a assonância. A aliteração, a paronomásia, a onomatopeia e a assonância fazem parte do grupo classificado como figuras do som.
As figuras harmoniosas tem linguagem relacionada à sonoridade. A repetição de sons é a principal característica valorizada por esse formato, que busca harmonizar o texto com palavras específicas.
Poetas e escritores utilizam muito as figuras harmônicas em seus poemas e textos literários. Elas servem para incentivar o leitor a analisar e interpretar a verdadeira mensagem a ser transmitida. Seu uso também contribui para uma leitura agradável, pois os ritmos e a musicalidade fornecem esse sentimento prazeroso.
Essas figuras de linguagem possuem a principal característica inerente ao grupo, a produção de sons através da organização das palavras. Assim como a assonância, cada uma apresenta sua própria forma de compor a sonoridade.

A assonância é responsável pela musicalidade e ritmo do texto literário. (Foto: Pixabay)
Aliteração
Ao contrário da assonância que trabalha em função das vogais, a aliteração é designada para indicar quando há a repetição de consoantes em uma proposição. Os sons podem vir das mesmas consoantes ou de letras com fonética parecida.
Em algumas palavras o “ç” e o “c” possuem o mesmo som de “s” e se houver palavras que trabalhem em trechos e orações como essas letras, pode-se considerar que há uma aliteração no texto.
Veja um exemplo de aliteração:
“Três pratos de trigo para três tigres tigrados.”
Nesse exemplo, a consoante “r” como vibrante possui uma repetição maior que as outras letras da oração.
Trava-línguas são exemplos de textos que trabalham frequentemente com a aliteração, porém nesse trecho do poema de Carlos Drummond de Andrade, chamado “Caso do Vestido”, existe uma moderada aplicação de aliteração, veja:
"Então vosso pai, irado,
me pediu que lhe pedisse,
a essa dona tão perversa,
que tivesse paciência
e fosse dormir com ele..."
A aliteração retratada através da sonoridade de algumas palavras reforça o entendimento de tensão no poema. Os versos ficam melhores definidos com a harmonização das palavras.
Paronomásia
A figura de linguagem definida como paronomásia utiliza parônimos para a reprodução sonora. Geralmente, a sonoridade das palavras são parecidas, mas elas possuem significado distinto. Cavaleiro e cavalheiro são palavras parônimas, pois são parecidas na escrita, mas diferente no significado. O primeiro é quem cavalga, o segundo se refere a um homem gentil.
Ela é muito utilizada em diversos gêneros literários, de modo que funciona como intensificador dos principais aspectos do texto. No entanto, é comum ver seu uso na linguagem popular como em provérbios e ditados populares, por exemplo.
“Você está confundindo espinafre de caçarolinha com espingarda de caçar rolinha.”
Nesse ditado, as duas expressões são bem parecidas, mas o significado de cada uma é totalmente diferente, o que pode causar confusão para quem lê. A forma de falar sobre uma perspectiva no texto depende da representação de determinados enfoques.
Onomatopeia
A onomatopeia utiliza a reprodução de sons naturais em forma escrita. É uma figura de linguagem muito utilizada nas histórias em quadrinhos, em cartum e nos textos literários para expressar determinada ação ou expressão. Sua função é imitar no texto um som existente causado de maneira audível.
Obras textuais podem ser interpretadas e entendidas através desses tipos de figuras sonoras. Nesse caso, a onomatopeia acontece por meio do processo de onomatopoese, no qual se criam novas palavras, também associados ao neologismo.
O barulho de uma carro, por exemplo, pode ser demonstrado pela expressão “vrum-vrum”. O bater na porta pelo “toc-toc”, a tosse pelo “cof-cof” e assim por diante. Veja o exemplo da música “Bate coração” de Elba Ramalho:
"Oi, tum, tum, bate coração
Oi, tum, coração pode bater
Oi, tum, tum, tum, bate coração
Que eu morro de amor com muito prazer"
O “tum, tum” da música busca representar a batida do coração. Claramente esse texto é uma onomatopeia, pois buscou produzir o som natural através de palavras.
Figuras do som que atuam juntas
No texto pode existir a utilização de todas as figuras do som, porém a assonância e a aliteração são as que mais trabalham juntas. Os sons eufônicos são produzidas pelas duas através da ênfase das letras do alfabeto e não como palavras, no caso da onomatopeia e da paronomásia.
Esses recursos são empregados nos textos com a intenção de proporcionar ao leitor uma experiência sensorial. Além disso, são vistos como uma forma de comunicação da linguagem verbal e oral que trazem vivacidade ao texto.
Veja a assonância e a aliteração atuando juntas no poema “Um Sonho” de Eugênio de Castro:
"Na messe, que enlourece, estremece a quermesse…
O sol, celestial girassol, esmorece…
E as cantilenas de serenos sons amenos
Fogem fluidas, fluindo a fina flor dos fenos…"
Nos dois primeiros versos dessa estrofe é possível perceber a repetição do som “esse”, a qual possui vogal e consoante combinadas. O ritmo é completado pelas palavras com final “eno”, usadas para rimar.
Veja que a palavra “esmorece” tem som bem parecido com “quermesse”, apesar da grafia diferente. Todavia, o que importa é o som que essas duas palavras fornecem dentro da assonância e da aliteração.
A musicalidade desse tipo de poema é ocasionado geralmente pela composição de rima. A escolha de palavras contribui bastante para essa representação e ao mesmo tempo para a compreensão do assunto que o autor deseja passar.