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Autores do Parnasianismo no Brasil

Postado por Amanda Maria Azevedo em 28/08/2019 e atualizado pela última vez em 20/07/2020

Conhecidos pelo uso da objetividade e da impessoalidade


Os autores do Parnasianismo no Brasil são conhecidos por escrever obras objetivas e impessoais e por fazerem forte oposição ao modernismo. Os nomes de destaque dessa escola literária são: Raimundo Correia, Alberto de Oliveira e Olavo Bilac. Mais tarde, esses autores foram chamados de “Tríade Parnasiana”. 

O parnasianismo foi um movimento literário e poético, criado na França, com o objetivo de resgatar um estilo mais clássico nas produções artísticas e culturais. O Parnasianismo no Brasil teve seu início marcado pela publicação da obra de Teófilo Dias, intitulada “Fanfarras”, no ano de 1882

Os autores do Parnasianismo no Brasil desejavam resgatar a ideia da “arte pela arte”, ou seja, trazer a essência verdadeira das produções artísticas, sem muitas idealizações. Foram fortemente influenciados pelas correntes filosóficas que surgiram no início do século XX, como o cientificismo e o positivismo

Marcados pela preferência em retratar a realidade com impessoalidade, perfeição e objetividade, os autores do Parnasianismo no Brasil tomavam os temas da cultura clássica como base nas suas produções. Também faziam forte oposição ao modernismo e buscavam sempre descrever e detalhar as cenas e objetos dos seus livros. 


Na foto, Olavo Bilac, um dos principais autores do parnasianismo brasileiro. (Foto: Wikimedia Commons)


Os principais autores do Parnasianismo no Brasil


Raimundo Correia, Alberto de Oliveira e Olavo Bilac são os autores de grande destaque no parnasianismo brasileiro. Eles foram responsáveis por obras muito importantes para a formação da literatura brasileira. O escritor Teófilo Dias também merece destaque, já que o inicio do parnasianismo no Brasil foi datado a partir da publicação da sua obra “Fanfarras”.

Alberto de Oliveira e Olavo Bilac se destacam por terem sido sócios e fundadores da Academia Brasileira de Letras. Veja abaixo mais algumas informações sobre os principais autores do Parnasianismo no Brasil, conhecidos como a “Tríade Parnasiana”. Veja também algumas das suas principais contribuições e obras. 

Raimundo Correia

Raimundo Correia nasceu em 13 de maio de 1859, abordo de um navio ancorado no litoral do estado de Maranhão. Foi batizado com o nome Raimundo da Motta de Azevedo Corrêa, mas preferiu assinar suas obras como “Raimundo Correa”. Veio de uma família de classe elevada e antes de autor como escritor foi juiz e um dos fundadores do Sodalício Brasileiro.

Correia é um dos poetas mais respeitados da literatura brasileira. Suas obras contribuíram de forma intensa para o parnasianismo brasileiro e seguiam uma estética formal e detalhista. Raimundo Correia foi um dos autores do parnasianismo no Brasil que mais fez uso de temas clássicos em suas obras. 

O livro “Primeiros Sonhos”, de 1879 foi a sua primeira obra publicada. Alguns críticos defiram a obra como um escrito característico do romantismo. Mas foi a partir da sua obra “Sinfonias”, de 1883 que, definitivamente, o autor assumiu as características do movimento parnasiano. Raimundo Correia faleceu em Paris, França. 

Entre as suas principais obras estão: 

• Primeiros Sonhos (1879);
• Versos e Versões (1887);
• Sinfonias (1883);
• Aleluias (1891);
• Poesias (1898). 

Trecho da poesia “Amor e Vida” encontrada na obra “Sinfonias”

Esconde-me a alma, no íntimo, oprimida,
Este amor infeliz, como se fora
Um crime aos olhos dessa, que ela adora,
Dessa, que crendo-o, crera-se ofendida.

A crua e rija lâmina homicida
Do seu desdém vara-me o peito; embora,
Que o amor que cresce nele, e nele mora,
Só findará quando findar-me a vida!

Alberto de Oliveira 

Alberto de Oliveira nasceu em 28 de abril de 1857, na cidade de Saquarema, no Rio de Janeiro. Foi batizado com o nome Antônio Mariano de Oliveira, mas usava o pseudônimoAlberto de Oliveira” para assinar seus escritos. Pouco se sabe sobre a família de Alberto de Oliveira, porém alguns pesquisadores afirmam que ele veio de origem bastante humilde

Marcado pelo uso de temas cotidianos, Alberto de Oliveira foi um dos autores do parnasianismo no Brasil que se destacou no uso da língua portuguesa de forma mais clássica, culta, rebuscada e aprimorada. O escritor sempre busca atingir a perfeição com suas obras e por isso, foi um dos autores mais detalhistas do período. 

Alberto de Oliveira publicou seu primeiro livro com o nome de “Canções Românticas”, de 1878. Foi só a partir da publicação do livro “Meridionais” que passou a ser definido como um autor do parnasianismo. Faleceu em 19 de janeiro de 1937, na cidade de Niterói, também no Rio de Janeiro, deixando um extenso legado à literatura brasileira. 

Entre as suas principais obras estão: 

• Meridionais (1884)
• Versos e Rimas (1895)
• Poesias (1900)
• Céu, Terra e Mar (1914)
• O Culto da Forma na Poesia Brasileira (1916).

Trecho da poesia “Aspiração” encontrada na obra “Versos e Rimas”

Ser palmeira! existir num píncaro azulado,
Vendo as nuvens mais perto e as estrelas em bando;
Dar ao sopro do mar o seio perfumado,
Ora os leques abrindo, ora os leques fechando;

Só de meu cimo, só de meu trono, os rumores
Do dia ouvir, nascendo o primeiro arrebol,
E no azul dialogar com o espírito das flores,
Que invisível ascende e vai falar ao sol;

Olavo Bilac

Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac nasceu em 16 de dezembro de 1865, na cidade do Rio de Janeiro, no Rio de Janeiro. Assinava suas obras apenas como Olavo Bilac. Veio de uma família de classe média e quando pequeno era destaque na escola por ser um aluno aplicado, focado e dedicado. 

Bilac foi o escritor do Hino à Bandeira e esse é considerado um dos maiores feitos da sua vida enquanto escritor. Foi jornalista, cronista, contista e ainda em vida, recebeu o título de “príncipe dos poetas brasileiros”. Olavo Bilac foi um dos autores do parnasianismo no Brasil que se destacou pelo uso da linguagem clássica e pela preferência por temas históricos

Olavo Bilac teve grande destaque enquanto atuou como jornalista e fez grandes contribuições para publicações de revistas cariocas, como: “Branco e Negro”, “A Imprensa” e “A Leitura”. Também teve destaque nas produções para o público infantil. Morreu em 28 de dezembro de 1918, na cidade do Rio de Janeiro - Rio de Janeiro. 

Entre as suas principais obras estão: 

• Poesias (1888);
• Crônicas e Novelas (1894);
• Crítica e Fantasia (1904);
• Conferências Literárias (1906);
• Dicionário de Rimas (1913). 

Trecho da poesia “O Caçador de Esmeraldas” encontrada na obra “Poesias”
Fernão Dias Pais Leme agoniza. Um lamento
Chora longo, a rolar na longa voz do vento.
Mugem soturnamente as águas. O céu arde.
Trasmonta fulvo o sol. E a natureza assiste,
Na mesma solidão e na mesma hora triste,
À agonia do herói e à agonia da tarde.

Piam perto, na sombra, as aves agoireiras.
Silvam as cobras. Longe, as feras carniceiras
Uivam nas lapas. Desce a noite, como um véu...
Pálido, no palor da luz, o sertanejo
Estorce-se no crebo e derradeiro arquejo.
- Fernão Dias Pais Leme agoniza, e olha o céu.

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