Cruz e Souza, escritor e precursor do movimento no Brasil
Os autores do Simbolismo brasileiro mais destacados são Cruz e Souza, Alphonsus de Guimaraens, Augusto dos Anjos e Emiliano David Perneta.
Esse são os principais escritores do movimento que surgiu, primeiramente, no final do século XIX, na França, pela publicação dos poemas “Flores do Mal” de Charles Baudelaire.
O Simbolismo é um movimento literário contrário ao Realismo e o Parnasianismo. Isto porque, o Realismo é voltado para a representação da realidade vivida pela sociedade e o Parnasianismo tinha uma poesia voltada na objetividade e no racionalismo.
Já o Simbolismo é empenhado na subjetividade, no irracional, na religiosidade, na espiritualidade e no misticismo.
Ou seja, o que interessa para o Simbolismo não é representar a realidade nem ser objetiva, mas é saber o que está acontecendo no interior, na subjetividade.
O imaginário é algo tão importante nas obras dos autores do Simbolismo brasileiro, que há registro do uso da psicologia do inconsciente de Sigmund Freud no movimento.
Entre as principais características do movimento estão:
• Subjetividade;
• Ampla valorização da espiritualidade humana;
• Misticismo e religiosidade;
• Constante aproximação entre a música e a poesia;
• Individualismo e sublimação;
• Figuras de linguagem como sinestesia e aliteração;
• Sensualismo e mistério;
• Forte oposição ao cientificismo, ao racionalismo e ao materialismo;
• Empregos de harmonizações sonoras e sensoriais;
• Universo transcendental e onírico (referente aos sonhos);
• Distanciamento de questões sociais geralmente abordadas pelo Parnasianismo e pelo Realismo.
Autores do Simbolismo brasileiro
O Simbolismo surgiu no Brasil pela publicação de duas obras de um dos principais autores do Simbolismo brasileiro, João da Cruz e Souza.
Em 1893, foram publicadas as obras “Missal” (prosa poética) e “Broquéis” (poesia). Além de precursor do Simbolismo, Cruz e Souza é um dos mais emblemáticos autores do Simbolismo brasileiro, juntamente com Alphonsus de Guimaraens.
No Brasil, o movimento encontrou uma certa resistência devido ao prestigio que era cativado pela estética parnasiana, além de ser um movimento marginal.
Para entender porque era um movimento marginal, basta conhecer o precursor do movimento: Cruz e Souza que era negro e filho de escravos alforriados.
Mesmo com toda resistência, alguns autores do Simbolismo brasileiro se destacaram com seus poemas e suas poesias.
Os principais autores do Simbolismo brasileiro são Cruz e Souza, Alphonsus de Guimaraens, Augusto dos Anjos e Emiliano David Perneta.
Autores do Simbolismo brasileiro: João da Cruz e Souza
Cruz e Souza nasceu em Santa Catarina, em 24 de novembro de 1961, e faleceu aos 36 anos em Minas Gerais, no dia 19 de março de 1898. O poeta morreu precocemente de tuberculose.
Negro e filho de escravos alforriados, Cruz e Souza foi o precursor do movimento e é considerado um dos mais importantes autores do Simbolismo no Brasil.
Em vida publicou “Broquéis”, “Missal” e “Tropos e Fantasia”. Após a sua morte foram publicadas as obras: Últimos Sonetos, Evocações, Faróis, Outras evocações, O livro Derradeiro e Dispersos.
Uma das principais características presente em suas obras é a obsessão pela cor branca. Ou seja, na maior parte das suas obras há referência ao branco.
Além disso, suas obras são repletas de subjetividade, angústia, erotismo, satanismo, dor e sofrimento do homem, misticismo, sublimação, musicalidade, espiritualidade, aliterações, analogias entre o abstrato e o concreto e visão trágica da vida.
Trecho do poema “Lésbia” parte da obra “Broquéis”:
Cróton selvagem, tinhorão lascivo,Planta mortal, carnívora, sangrenta,Da tua carne báquica rebentaA vermelha explosão de um sangue vivo.Nesse lábio mordente e convulsivo,Ri, ri risadas de expressão violentaO Amor, trágico e triste, e passe, lenta,A morte, o espasmo gélido, aflitivo...
Alphonsus de Guimaraens
De pseudônimo Afonso Henrique da Costa Guimaraes, Alphonsus de Guimaraens nasceu em Ouro Preto, em 24 de julho de 1870, e faleceu em Mariana no dia 15 de julho de 1921, aos 50 anos de idade.
Ele e Cruz e Souza são amigos desde 1980, e se conheceram no Rio de Janeiro. Juntos são os principais autores do Simbolismo brasileiro.
Em vida publicou: Septenário das Dores de Nossa Senhora, Câmara Ardente, Dona Mystica, Kiriale e Mendigos. Após sua morte foram publicadas as obras: Pastoral aos crentes do amor e da morte, Escada de Jacó, Pulvis, Salmos, Poesias, Jesus e Alphonsos.
Em suas obras uma das principais características se referem a religiosidade, devido a sua exagerada religiosidade e devoção.
Além disso, em suas obras podem ser encontradas as seguintes características:
• Sublimação através da morte;
• Sonho e mistério;
• Misticismo e espiritualidade;
• Morte, arte e natureza;
• Figuras de linguagem como a aliteração;
• Exploração do amor impossível e da solidão.
Trecho do soneto “Dona Mystica”
Piedosa: o olhar nunca baixou à terraFitava o céu, porque era pura e santa ...Tinha o orgulho fidalgo de uma InfantaQue entre escudeiros e lacaios erra.Deusa nenhuma, por mais alta, encerraEm si, talvez, misericórdia tanta:Ainda hoje na minha alma se alevantaComo uma cruz no cimo de uma serra.Foi-lhe a vida um eterno mês-de-maio.Cheio de rezas brancas a Maria,Que ela vivera como num desmaio.

Alphonsus de Guimaraens, um dos principais autores
do Simbolismo brasileiro. (Foto: Wikipedia)
Augusto Carvalho Rodrigues dos Anjos
Conhecido mais como Augustos dos Anjos, Augusto Carvalho Rodrigues dos Anjos nasceu na Paraíba, em 20 de abril de 1884, e faleceu aos 30 anos em Minas Gerais, no dia 12 de novembro de 1914.
Augusto dos Anjos é um dos poetas brasileiros mais conhecidos atualmente. Mesmo sendo um dos autores do Simbolismo brasileiro, alguns intelectuais o consideram um escritor do parnasianismo e até do pré-modernismo.
Também conhecido como o “poeta da morte”, devido a temática sóbria, vulgar e mórbidas presente em sua obra. Além de ser um dos autores mais criticados da sua época.
Augusto dos Anjos só teve um único livro publicado. “Eu” é um livro formado por 58 poemas.
Trecho do poema “Versos Íntimos”
Vês?! Ninguém assistiu ao formidávelEnterro de tua última quimera.Somente a Ingratidão – esta panteraFoi tua companheira inseparável!Acostuma-te à lama que te espera!O Homem, que, nesta terra miserável,Mora, entre feras, sente inevitávelNecessidade de também ser fera.
Emiliano David Perneta
Considerado por muitos o maior poeta paranaense de seu tempo, Emiliano D. Perneta nasceu em Curitiba, em 3 de janeiro de 1866, e faleceu no dia 19 de janeiro de 1921, aos 55 anos de idade.
Em vida escreveu: Músicas, Carta à Condessa D'Eu, O Inimigo, Alegoria, Papilio Innocentia, A Vovozinha, Ilusão e Pena de Talião. Após a sua morte só foi publicada uma obra: Setembro.