Vício de linguagem muito frequente na Língua Portuguesa
Cacofonia se refere a um vício de linguagem em que ocorre a formação de um som desagradável ao ouvido quando uma expressão é construída pelas sílabas finais de uma palavra com as inicias de outra.
Muito frequente na linguagem coloquial, na cacofonia expressões são formadas pela junção de sílabas com outras sílabas.
A cacofonia é um vício de linguagem muito comum na Língua Portuguesa, mas é praticado muitas vezes sem que a pessoa perceba. Desta forma, é preciso ter cuidado!
Mesmo produzido sonoridade desagradável, a cacofonia pode ser usada cotidianamente sem problema, desde que se trate de uma conversa informal.
Contudo, quando se trata de ambientes em que é preciso mostrar domínio da Língua Portuguesa, como produção de textos (redação de vestibulares e concursos), entrevistas de emprego e apresentações em público é necessário evitar cometer esse vício.
Isto porque, a cacofonia além dos sons desagradáveis, também pode comprometer o sentido da expressão, e até produzir palavras obscenas.
Também chamada de cacófato ou cacófaton, a cacofonia é de origem grega “kakophónía”, que quer dizer “algo que soa mal”, “som ruim”.

A cacofonia é um vício de linguagem que gera
sons desagradáveis. (Foto: Sketchport)
Exemplos de cacofonia
• Ela tinha um carro e uma moto. / Latinha
• Desde então, ela não fez isso. / Dentão
• Eu amo ela mais que tudo nesse mundo. / Moela
• Ela passou batom na boca dela. / Cadela
• Meu coração por ti gela. / Tigela
• De um povo heroico o brado retumbante. / Cobra
• Custa um real por cada limão. / Porcada
• O nosso hino é muito elegante. / Suíno
• Uma mão lava a outra. / Mamão
• Há, alma minha! / Maminha
• Eles tentaram fazer na vez passada. / Vespa
• O irmão colocou a culpa nela. / Panela
Perceba que nos exemplos, nas orações ocorre a junção das sílabas finais de uma palavra com as sílabas iniciais da palavra seguinte.
Essa junção provoca a formação de outras expressões que podem modificar o sentido da sentença, além de provocar um som desagradável.
Quando se trata da escrita, é possível identificar o “verdadeiro” sentido da expressão. Mas quando se trata da pronúncia, é possível que a mensagem não seja transmitida de forma compreensível.
Ou seja, a cacofonia quando é falada pode causar incompreensão e até má interpretação. Por isso, que é importante evitar ao máximo cometer esse tipo de vicio.
Como evitar a cacofonia?
Principalmente para os estudantes que estão se preparando para os vestibulares, e posteriormente para o mercado de trabalho, é fundamental não fazer cacofonia tanto na linguagem verbal quanto na escrita.
Pensando nisso, o Educa Mais Brasil preparou algumas dicas:
Fazer leitura em voz alta
Essa é uma das principais atividades que ajuda a identificar cacofonias. Contudo, é sabido que em vestibulares e concursos isso não será permitido.
Então, quando tiver a oportunidade de fazer uma leitura em voz alta, faça! Essa prática treinará a sua mente a identificar de forma mais fácil, pois já estará familiarizado com o conceito.
Conhecer a oralidade da língua
Estudar a oralidade da língua é uma outra forma de fugir do efeito acústico do cacófato.
Estude por exemplo, a prosódia e a ortoépia. A prosódia é o estudo da acentuação dos vocábulos. Saber pronunciar as palavras corretamente, torna mais fácil identificar a cacofonia.
A ortoépia é a pronúncia correta dos grupos fonéticos, como as vogais e as consoantes. A cacoepia se tratam de erros de fonéticas que podem contribuir para a cacofonia.
Estude os cacófatos
Conheça os principais exemplos de cacofonia que ocorrem na língua. Claro que não é decorar, mas ter conhecimento dos tipos que mais podem ocorrer.
Desta forma, na hora de falar ou de escrever, já estará familiarizado e evitará o erro.
Conheça sinônimos
Em algumas situações pode ocorrer de saber qual outra forma de expressão sem que ocorra o cacófato. É nesse momento que entra os sinônimos.
Quanto mais conhecimento tiver com sinônimos, mais fácil será na hora de substituir uma palavra que provoca a cacofonia.
Por isso, estude o dicionário e conheça o máximo possível de sinônimo. Principalmente, daquelas palavras que causam os cacófatos mais comuns da língua.
Submeta o texto a outra pessoa
Peça a alguém para revistar o seu texto. É uma forma de ter o seu texto visto por um outro ângulo.
Isto é, muitas vezes a pessoa está tão familiarizada com o texto que não consegue enxergar erros e vícios.
Outra pessoa ao ler, já passa a ter uma visão mais apurada do texto, e assim fica mais fácil identificar erros e vícios.
Pode ter certeza, que o “revisor” fará pontuações que não foram percebidas pelo autor.
Outros vícios de linguagem
Os vícios de linguagem se tratam de qualquer palavra ou construção que se desviam das normas gramaticais. Sendo que são vícios que podem comprometer a comunicação humana e a compressão do discurso.
Os vícios de linguagem podem ser cometidos tanto pela desatenção do emissor quanto pela falta de conhecimento das normas cultas.
Exemplos de vícios de linguagem
• Eco: repetição de palavras que rimam.
• Hiato: repetição de vogais.
• Colisão: repetição de consoantes.
• Neologismo: criação de novas palavras
• Plebeísmo: uso de palavras de baixo calão.
• Arcaísmo: uso de expressões em desuso.
• Gerundismo: uso exagerado do gerúndio.
• Obscuridade: falta de clareza no texto.
• Barbarismo: uso incorreto das palavras.
• Estrangeirismo: uso de palavras estrangeiras.
• Solecismo: erros gramaticais quanto concordância, regência e colocação.
• Pleonasmo: repetição desnecessária de informações.
• Ambiguidade: uso de duplo sentido em uma frase.

Usar “Happy Birthday” ao invez de “Feliz Aniversário”
é um estrangeirismo. (Foto: Pixabay)
Figuras de linguagem
Os vícios de linguagem também podem ser utilizados de forma intencional nos mais diversos ramos, por exemplo na literatura e na música.
Contudo, quando são utilizados como forma de expressão, eles se tornam figuras de linguagem e não vícios.
Na literatura brasileira, as figuras de linguagens são bastante usadas nos textos literários cujo intuito é trazer maior expressividade ao discurso.
Por exemplo: “alma minha” é um cacófato encontrado em um soneto de Luís de Camões.