Coleção composta por poemas portugueses

A obra de Resende foi presenteada a João II, que se tornaria João III de Portugal. ( Foto: Wikipedia)
Aspectos do Cancioneiro Geral Português
As poesias do cancioneiro geral português versavam sobre os temas pertinentes à época. No quatrocentismo algumas escolas artísticas já dominavam o espaço cultural, mas o período era de transição e havia o fortalecimento do humanismo. No humanismo, as capacidades humanas ocupavam o centro do mundo. Logo no início do cancioneiro geral português pode-se observar que Garcia Resende exaltava as conquistas marítimas e a expansão territorial lusitana.
Do humanismo surgiu a escola literária renascentista, onde nasceu a poesia palaciana com as prosas doutrinárias destinadas à nobreza. Dentre as características mais marcantes das poesias encontradas no cancioneiro geral português, estão a:
Intertextualidade – Os autores podiam escrever poesias de outras pré-existentes. A criação era coletiva.
Improviso – Nem sempre as poesias tinham temas específicos, podiam ser gerais. Os poetas também podiam competir entre eles.
Amadorismo – A poesia não era um meio de garantir os recursos necessários para a sobrevivência. Os nobres escreviam por prazer, para ter prestígio.
O cancioneiro geral português era bastante diversificado, as poesias da obra se dividiam em:
•Poesia satírica – Geralmente falava sobre a corrupção do clero.
•Poesia dramática – Versava sobre a tristeza e a melancolia do poeta.
•Poesia amorosa – Relações amorosas da nobreza.
•Poesia religiosa – Criticava a influência da igreja
•Poesia didática – Basicamente feita de argumentação. Apresentava os pontos de vista dos nobres.
•Poesia histórica – Falava sobre a guerra, as batalhas e conquistas territoriais.
A métrica das poesias palacianas também são compostas por ritmo, verso, medida, quantidade de palavras e estrofe. Na estrutura palaciana, a poesia é feita para ler, ela não é acompanhada de instrumento musical como no trovadorismo, ou mesmo de acompanhantes. No palacianismo, a leitura individual é valorizada.
A diferença é que aqui eles são denominados como redondilhas, versos de cinco ou sete sílabas. As redondilhas podem ser:
Composta por cinco sílabas poéticas - redondilhas menores.
Formada por sete sílabas poéticas – redondilhas maiores.
Na produção poética palaciana, a primeira coisa que precisava ser definida era o mote. O mote era a primeira estrofe e apresentava o tema da poesia. Em seguida escrevia-se a glosa, também chamada de volta. A glosa era o desenvolvimento do tema. Definido o mote, o poeta tinha que definir qual modalidade poética escolheria. As alternativas eram:
Vilancete – composto por dois ou três motes, uma glosa, e estrofes com até sete versos.
Cantiga – Geralmente constituída de poesias amorosas, tinham motes de quatro ou cinco versos e uma glosa de até dez versos.
Esparsa – Comumente falava de situações melancólicas e tristes. Nesse formato não havia mote, apenas versos que variavam entre oito e dezesseis.
Trova – Sem tema definido, possuía quatro ou oito versos.
Abaixo, um trecho de vilancete escrito por Luís de Camões:
"Ó meus altos pensamentos,
Quão alto que vós pusestes
E que grande queda destes!
Como de mim vos não vinha
Serdes firme num estado
(Pois o viver enganado
Era o maior bem que tinha),
Castelo desta alma minha,
Quão alto que vós pusestes
E que grande queda destes!
Sabia que éreis de vento,
Como quem vos viu fazer;
Inda assim vos queria ter
Como éreis, sem fundamento.
Quem vos desfez num momento?
Quão alto que vós pusestes
E que grande queda destes!"
• Diogo Brandão – Poeta palaciano nascido em Porto, Portugal. Boa parte das poesias escritas por Brandão eram amorosas. Mas a obra de maior destaque do autor é um resumo sobre a vida de D. João II.