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Características do Classicismo

Postado por Darcicléia Oliveira em 03/09/2019 e atualizado pela última vez em 06/07/2020

Influências voltadas para a valorização do homem


As características do Classicismo estão ligadas às formas usadas no período clássico da Grécia Antiga e da Roma Antiga. O Classicismo foi um movimento que fez parte do Renascimento, período no qual aconteceu a retomada das técnicas artísticas da Antiguidade.

Entre os estilos mais usados no Classicismo estão a busca pelo equilíbrio, pureza e rigor da forma, juntamente com a perfeição e o senso de proporção. É importante destacar que o tema mais comum utilizado para produzir uma obra classicista era o antropocentrismo, ou seja, a colocação do homem no centro do universo.

O pensamento filosófico e as reflexões eram voltados para a valorização do homem e do seu objetivo no mundo, seu lugar no universo. O conceito de Carpe Diem também foi bastante usado na concepção das obras clássicas. 

A ideia era estimular o olhar positivo do mundo, aproveitar o dia e os prazeres da vida, uma vez que esta é passageira. A busca pelas realização dos desejos através do hedonismo também está ligada a essas ideias.

O humanismo, doutrina que ressuscitou o culto da literatura greco-latina, e o racionalismo, conceito que atribuiu importância à razão, são características do Classicismo fundamentalmente usadas na construção de uma ideia.

Se destacaram na área como principais artistas do classicismo: o escritor Luís Vaz de Camões, na literatura com a obra “Os Lusíadas”, e Michelangelo nas artes plásticas com diversas pinturas, entre elas “A criação de Adão” exposto na Capela Sistina, situada no Palácio Apostólico, residência oficial do Papa no Vaticano.


Michelangelo foi um dos pintores mais conhecidos do Classicismo. (Foto: Pixabay)

O que foi o Classicismo


O Classicismo pode ser definido como a arte do Renascimento que aconteceu entre os séculos XIV e XVI, também chamado de Seiscentismo. Foi um movimento artístico cultural que reacendeu os estilos usados ainda na Antiguidade, especificamente na Grécia e em Roma.

A Renascença foi um período na história da humanidade em que ocorreram diversas transformações em várias áreas da sociedade como política, economia, cultura, religião, ciência, etc. No caso da economia ascendeu o Mercantilismo, na política tornou-se evidente o Absolutismo e nas artes foi promovido o Classicismo. 

Nesse intervalo de tempo houve grande ênfase nas modificações relacionadas à evolução das estruturas medievais, como a transição do Feudalismo para o Capitalismo. No entanto, os termos foram mais utilizados para representar as inovações nas artes, na ciência e na filosofia. As primeiras grandes navegações também foram proporcionadas pelo avanço das ciências no Renascentismo. 

As mudanças na Europa foram ocorrendo gradualmente a partir do momento de transição chamado Humanismo. Uma ação importante para a instalação desse movimento foram as contestações e questionamentos referente à Igreja Católica, chamada de Reforma Protestante, iniciado por Martinho Lutero

O Classicismo é designado para identificar as obras artísticas inspiradas na Antiguidade Clássica ou mundo antigo. No contexto histórico, a arte clássica foi conduzida pela enorme confiança no ser humano, ou seja, o centro de todas as atenções e seguranças é a figura do homem.

Consequentemente, a beleza do corpo humano é evidenciada na escultura, na literatura, na pintura e em diversas formas de expressões, por causa dessa visão antropocêntrica que marca esse modelo de expressão artística e que enfatizam as características do Classicismo.

Características do Classicismo no Renascimento


O período da Antiguidade era visto pelos artistas renascentistas como a época em que havia a perfeição estética e que deveria ser um modelo a ser seguido, através da imitação, já que acreditavam não ser possível superar tão superior arte.

A arte clássica não procura produzir obras originais, mas imitar a natureza como ela é e se inspirar em autores classificados como perfeitos. Mimese é o nome atribuído à noção de imitação da arte utilizada pelos artistas clássicos. Esse pensamento filosófico foi muito difundido por Platão e Aristóteles.

Entre as características do Classicismo mais marcantes estão:

Universalismo: conceito que defende o fato de algumas ideias terem aplicabilidade universal, nesse caso a individualidade perde espaço para as teorias universais.
Antropocentrismo: ideia que coloca a humanidade no centro de entendimento dos próprios humanos, no qual o universo deve ser entendido a partir da sua relação como o ser humano.

Nacionalismo: sentimento de valorização da nação, obras voltadas para histórias nacionais.

Razão e racionalismo: definem o raciocínio como uma operação lógica para entender as conclusões de proposições. As potencialidades do homem como a análise, a crítica e o raciocínio fazem parte do sistema racional. O predomínio da razão nas obras de arte era evidente entre as características do Classicismo.

Neoplatonismo: admiração platônica do amor e da sensualidade. O termo é usado para definir as ideias filosóficas de Platão, mas que ficou conhecido como algo que se pensa, mas não há realização de forma física.

Paganismo: no contexto histórico se refere à mitologia grega e romana, mas é identificado como religiões politeístas, ou seja, que possuem mais de um deus, muito comum na Antiguidade.

Objetividade: a observação da realidade e sua descrição minuciosa contribuía para o alcance de posturas científicas objetivas. Dessa forma, os autores e artistas prezavam pela simplicidade, concisão e clareza das obras.

Observação: qualidade importante para serem utilizadas, principalmente em relação à natureza e ao universo que proporcionavam à experimentação da Mimese, uma forma de imitar a natureza em suas obras.

Valores clássicos: As características do Classicismo eram vistas como exemplos de perfeição para a produção artística. Esses valores eram voltados tanto para a conquista do senso de proporção quanto para os conteúdos que tratavam de assuntos grandiosos e nobres.



Classicismo literário


Dentro da categoria artística do Classicismo, a literatura foi uma das que mais se destacaram, pelo fato dos artistas da época utilizarem muitos recursos providos da Antiguidade em seus textos.

As características do Classicismo literário são baseadas principalmente no uso de formas com importância voltada para o seu rigor. A estruturação poética era fixa de dez sílabas métricas, modelo decassílabo, em substituição à redondilha maior, que possuía sete sílabas métricas, além das estrofes delimitadas e da presença de rimas.

Outra característica comum era o uso excessivo das figuras de linguagem como o paradoxo, a antítese e principalmente a personificação. Na obra “Os Lusíadas”, o autor Luís Vaz de Camões personifica elementos da natureza em deuses gregos.

A voz pesada um pouco alevantando,
Que nós no mar ouvimos claramente,
Cum saber só d'experiências feito,
Tais palavras tirou do experto peito:
- «Ó glória de mandar, ó vã cobiça
Desta vaidade a quem chamamos Fama!
Ó fraudulento gosto, que se atiça
Cüa aura popular, que honra se chama!
Que castigo tamanho e que justiça
Fazes no peito vão que muito te ama!
Que mortes, que perigos, que tormentas,
Que crueldades neles experimentas!

Canto IV - velho do Restelo
Os Lusíadas – Luís de Camões

Depois de conhecer as novas tendências poéticas da Itália trazidas, inicialmente, pelo poeta Sá de Miranda, em 1527, Portugal apresentou uma atmosfera ideal para a aceitação das novas atividades literárias. 

Ao escrever as narrativas sobre as jornadas marítimas dos portugueses, Luís de Camões se inspirou nas características do Classicismo. O autor dessa obra, muito utilizada nos vestibulares da atualidade, se tornou um dos escritores mais importantes do período classicista.

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