Movimento que valoriza o Homem acima de todas as coisas
Entre as características do Humanismo, três são fundamentais para a caracterização do movimento que ocorreu nos anos de 1434 a 1527. Um movimento que foi do século XV e pegou o início do século XVI.
As três principais características do Humanismo são o Antropocentrismo, o Racionalismo e o Cientificismo.
Características do Humanismo: Antropocentrismo
Uma das principais características do Humanismo se refere ao antagonismo ao Teocentrismo.
No movimento anterior ao Humanismo, o Trovadorismo, a divindade era algo sagrado a ser respeitada. Ou seja, predominava o Teocentrismo.
O Teocentrismo é considerar Deus o centro de todas as coisas. Já no Humanismo, o Teocentrismo dá lugar ao Antropocentrismo.
Na ideologia do Antropocentrismo, Deus não é o centro do universo, e sim, o Homem.

O homem vitruviano, de Leonardo da Vinci, é símbolo
de uma das características do Humanismo,
o Antropocentrismo. (Foto: Wikipédia)
Características do Humanismo: Racionalismo
Com a ideia do Antropocentrismo, consequentemente, as posturas éticas do pensamento humanista atribuem grande importância a racionalidade.
Por fugir da religiosidade, aquilo que era atribuído ao divino, passa a ser questionado racionalmente.
Os naturalistas buscam, por meio da racionalidade, compreender os fenômenos da vida. Se opondo ao sobrenatural (divino) e buscando uma explicação palpável. Uma explicação que não envolvesse apenas a fé de acreditar em uma autoridade superior, como Deus.
Cientificismo
O pensamento humanista fez com que o houvesse um afastamento dos dogmas da Igreja Católica. Afastamento que possibilitou um desenvolvimento no campo das ciências como a matemática, a física e a medicina.
No Humanismo, o que predominou foram os métodos científicos, com experimentos e fatores empíricos.
Pela experimentação, os humanistas buscavam respostas que antes eram deixadas de lado, pois eram atribuídas aos dogmas e ditames da Igreja. Igreja essa que alegava que tudo era provocando por uma divindade, que a propósito, não deveria ser questionada.
Outras características do Humanismo
As outras características do Humanismo são:
• Valorização do corpo humano e das emoções humanas;
• Todo o sentimento do ser humano começa a vir à tona;
• Valorização de debates e opiniões divergentes;
• Afastamento de dogmas e da religião;
• Retomada do modelo clássico das culturas da Antiguidade;
• Surgimento da burguesia;
• Busca da beleza e da perfeição;
• Valorização do racionalismo e do método científico;
• Descentralização do conhecimento, onde a igreja perde o monopólio;
• Valorização do ser humano;
• Desenvolvimento da imprensa.
Características do Humanismo: o que foi o Humanismo?
O Humanismo corresponde a um movimento de transição entre a Idade Média e a Idade Moderna, ou entre o Trovadorismo e o Renascimento.
Como o próprio nome revela, o Humanismo foi um movimento literário com ideais filosóficos, morais e estéticos que valorizavam o homem. O termo vem do latim “humanus”, que quer dizer “humano”.
O Humanismo surgiu na Europa, e foi marcado também pelas produções literárias como as prosas doutrinárias, a poesia palaciana e as crônicas historiográficas.
Entre os autores do Humanismo estão Garcia de Resende, Bernardim Ribeiro, Jorge de Aguiar, João Roiz de Castel-Branco, Jorge d' Aguiar, Aires Teles, Gil Vicente, entre outros.
As características do humanismo estão espalhadas pelos diversos ramos artísticos, como a literatura, a pintura e a escultura.
Na literatura, se destacam Francesco Petrarca com obras como “Cancioneiro e o Triunfo”, “Meu Livro Secreto” e “Itinerário para a Terra Santa”; Dante Alighieri com “A Divina Comédia”, “Monarquia” e “O Convívio”; Giovanni Boccaccio com “Decameron” e “O Filocolo”; Michel de Montaigne com “Ensaios” e Thomas More com as obras “A Utopia”, “A Agonia de Cristo” e “Epitáfio”.
Na pintura se destacam:
• Leonardo da Vinci: A Última Ceia, Mona Lisa e Homem Vitruviano.
• Michelangelo: A Criação de Adão, Teto da Capela Sistina e Juízo Final.
• Raphael Sanzio: Escola de Atenas, Madona Sistina e Transfiguração.
• Sandro Botticelli: O Nascimento de Vênus, A Adoração dos Magos e A Primavera.
Na escultura se destacam:
• Michelangelo: La Pieta, Moisés e Madonna de Bruges
• Donatello: São Marcos, Profetas e Davi
O Humanismo português
Em Portugal, o movimento humanista se iniciou com as obras do poeta italiano, Francesco Petrarca. Vale ressaltar que o Humanismo português é a base do Humanismo brasileiro.
Outro fator importante para o surgimento do movimento literário em Portugal foi a nomeação de Fernão Lopes para cronista-mor da Torre do Tombo, em 1418.
O movimento chegou ao fim com Sá de Miranda, em 1527, quando o poeta português trouxe o “Doce Estilo Novo” ou “dolce stil nuevo”, que deu início ao Classicismo.
Os gêneros que foram explorando no período do Humanismo foram a poesia palaciana, a crônica histórica e o teatro popular.
Além de ser um dos precursores do Humanismo português, Fernão é considerado o maior representante da prosa historiográfica com as obras:
• Crônica de El-Rei D. Pedro I
• Crônica de El-Rei D. Fernando
• Crônica de El-Rei D. João I
No teatro popular, se destaca Gil Vicente, considerado o pai do teatro português com as obras:
• Auto da Visitação (1502)
• O Velho da Horta (1512)
• Auto da Barca do Inferno (1516)
• Farsa de Inês Pereira (1523)
Características do Humanismo: contexto histórico
No período do movimento humanista, a Europa estavam passando por diversas mudanças.
Entre elas estão:
• Crise do Feudalismo: com a queda do sistema feudal, surgiu uma nova classe social, a burguesia. Com essa nova classe, muitas pessoas evadiram dos campos e foram para as cidades.
• Burguesia versus nobreza: a burguesia começou a competir o poder econômico e social com a nobreza.
• Mercantilismo: se iniciou as grandes navegações, a expansão marítima. Surge então as pequenas indústrias e o desenvolvimento do comércio.
• Abandono da subordinação a Igreja Católica: pensando com a racionalidade, os humanistas começaram a questionar os dogmas da Igreja. Especialmente o poder da divindade. Por exemplo, no âmbito religioso, Deus era o controlador de tudo e de todos. Ele é quem decide o destino. Contudo, para os naturalistas, o homem tem capacidade suficiente para controlar seu próprio destino, sem buscar explicação na divindade.
• Surgimento da Imprensa: o conhecimento deixa de ser monopólio da Igreja Católica, e passa a ser difundida. Mesmo que seja por uma imprensa arcaica, a Igreja não possuía mais o poder do conhecimento somente para ela, mas era disseminada com a imprensa.
• Absolutismo: com a decadência do feudalismo, em que o poder era concentrado em cada feudo por seus nobres. No sistema feudal o poder era descentralizado. Após a crise, o poder passa a ser concentrado em um único indivíduo, o Rei.
• Epidemias: devido ao êxodo rural, as cidades passaram por um período de fome e doenças, uma delas foi a peste bubônica, conhecida como Peste Negra. Uma epidemia que dizimou cerca de um terço do povo europeu.