Postado por Esther Santana em 04/09/2019 e atualizado pela última vez em 06/07/2020
Marco inicial da literatura brasileira
As características do Quinhentismo estão relacionadas com o período em que os portugueses chegaram no Brasil. A colonização não havia começado. O principal interesse dos portugueses naquele momento, era a exploração da terra e dos recursos. Quando as primeiras embarcações portuguesas aqui chegaram, encontraram um território com uma imensa variedade de flora e fauna.
Após os contatos iniciais com os povos nativos, e a descoberta das riquezas naturais, como o pau-brasil da Mata Atlântica, os viajantes que vieram a mando da coroa, decidiram se fixar. Portugal ficava a mais de quatro mil milhas do Brasil. Mesmo assim, a coroa portuguesa precisava saber se a viagem tinha sido bem sucedida. O rei de Portugal, na época, D. Manuel, tinha que saber se deveria investir no Brasil, se havia forma de captação de riquezas, qual era o clima local, o nível de desenvolvimento e principalmente, quais populações ocupavam o território.
A comunicação acontecia através de cartas. Esses documentos precisavam ser descritivos, com uma quantidade consistente e precisa de informações porque delas dependiam o sucesso da exploração. Foram justamente essas cartas que deram início ao primeiro movimento literário do Brasil.
As crônicas narrativas são uma das características do Quinhentismo. Também chamadas de literatura de informação, esses são os primeiros registros da literatura brasileira. A carta de Pero Vaz de Caminha foi a primeira a integrar essa manifestação literária.
Em seguida, está a literatura de formação. Nesse tipo textual que surgiu no Brasil com a chegada dos jesuítas, o objetivo é pedagógico e religioso. Os padres vieram para o Brasil com a missão de catequizar os povos indígenas. Por isso, eles criavam poemas, sermões e até peças teatrais com o propósito de disseminar a fé católica.
O teatro pedagógico era uma das características do quinhentismo. A estratégia era utilizada para catequizar os indígenas. (Foto: Wikipedia.)
Principais características do Quinhentismo
O Quinhentismo foi um período literário de produções informativas e formativas. No primeiro caso, fazendo referência as descobertas territoriais de Portugal, e no segundo, na produção de textos religiosos. O nome “quinhentismo” faz alusão ao ano em que o movimento teve início, 1500.
As temáticas características do quinhentismo envolvem a descrição do território, os hábitos (alimentares, de higiene e trabalho) das populações indígenas, as grandes navegações, os recursos naturais dos lugares explorados, e o trabalho realizado pelos padres.
Os elementos que mais representam as características do Quinhetismo são:
• Textos que abordam a expansão do território; • Obras que discutiam as questões religiosas e de comportamento; • Produção literária com linguagem simples (para a época, a linguagem em que os textos foram escritos era considerada acessível); • Textos com excessos de adjetivos – usado principalmente para descrever as características da população nativa; • Textos informativos/descritivos – como diários de viagens e incursões para explorar o território brasileiro; • Textos formativos – Obras educativas, de cunho social e religioso.
Manifestações literárias
A produção literária no Brasil do século XVI era constituída essencialmente de informação e formação, principais características do quinhentismo brasileiro. Essa manifestação literária está associada ao período de exploração do território. Ela se divide em basicamente duas estruturas e formam as principais características do quinhentismo.
Literatura da informação – As cartas e documentos são exemplos de literatura de informação, uma das características do quinhentismo. Nesse modelo textual, há um predomínio da descrição. Os autores precisavam detalhar as dificuldades da navegação, os aspectos climáticos, as espécies de animais e plantas, a paisagem, os hábitos da população que já vivia aqui. O objetivo da literatura de informação era o de descrever o território que seria colonizado por Portugal.
O autor mais importante dessa escola literária é Pero Vaz de Caminha. A “Carta de Pero Vaz de Caminha”, é um dos documentos mais importantes da História do Brasil. Nela, o escrivão narra em primeira pessoa todos os detalhes do “Novo Mundo” e do encontro com os povos nativos.
Outros escritores foram importantes para o desenvolvimento da literatura informativa, a exemplo de Pero de Magalhães Gândavo, e Pero Lopes de Souza.
Abaixo, trechos de “Diário de Navegação”, escrito em 1530 por Pero Lopes de Souza:
[...] Na era de mil e quinhentos e trinta, sábado três dias do mês de dezembro, parte desta cidade de Lisboa, abaixo da capitania de Martim Afonso de Sousa, meu irmão, que ia por capitão de uma armada e governador da terra do Brasil com vento leste sai fora da barra, fazendo caminho sudoeste.
Sexta-feira pela manhã nos fizemos à vela; era o mar tão grosso que íamos à popa com todas as velas, e não o podíamos romper. Fomos com este vento até o meio dia, que nos deu o vento sudeste, com que fomos correndo a costa esta noite. No quarto da modorra fomos surgir na boca da Bahia de Todos os Santos.
A terra é a mais formosa e aprazível que eu jamais cuidei ver: não havia homem que se fartasse d’olhar os campos e a formosura deles. Aqui achei um rio grande; ao longo dele tudo arboreado, o mais formoso que já vi: e antes que chegasse ao mar um tiro de besta se sumia. [...]
Literatura de formação – Constituída basicamente de literatura religiosa e pedagógica. Essa é uma das características do quinhentismo que tinham como o objetivo a catequização dos indígenas. Na literatura de catequese, os padres escreviam poemas, sermões e peças teatrais para mostrar aos nativos qual seria a forma correta de se vestir e se comportar (de acordo com os padrões europeus) e principalmente, abandonar as práticas religiosas que eles consideravam pagãs.
A produção é representada pelos escritos dos padres da Companhia de Jesus. O Padre José de Anchieta foi o principal escritor da literatura jesuítica. Além disso, Anchieta conseguiu uma aproximação com os índios do grupo tupi, e produziu uma gramática da língua falada por esse povo, a “Arte de Gramática da Língua mais usada na Costa do Brasil”, de 1595. Outros autores também foram importantes para esse movimento literário, como Fernão Cardim e Padre Manuel da Nóbrega.