Elementos que marcaram a primeira manifestação literária
As características do Trovadorismo estão relacionadas ao movimento que aconteceu entre os anos de 1189 e 1434, em Portugal, denominado Trovadorismo. O movimento foi a primeira manifestação literária portuguesa.
O primeiro texto que apresentou as características do Trovadorismo em seu desenvolvimento foi chamado de Cantiga da Ribeirinha e foi escrito por Paio Soares de Taveirós, trovador da época.
O Trovadorismo iniciou-se a partir do século XI, em Provença, na França, e posteriormente se expandiu pelo norte desse mesmo país e também para a Itália. As trovas eram sempre escritas por homens da nobreza e as que não fossem desenvolvidas por eles, mas pelos plebeus, eram consideradas como jogral.
Entenda as características do Trovadorismo
Ao falar das particularidades que são inerentes a esse movimento, é necessário lembrar de sua principal marca ou talvez aquilo que seja o principal, que é a relação existente entre a poesia e a música.
Toda a produção textual que era desenvolvida tinha sempre o acompanhamento feito por alguns instrumentos musicais, por essa razão é que tinham o nome de cantigas.
As produções eram cantadas sempre em coro e elas tinham algumas divisões que dependiam do que tivesse sido escrito e a mensagem que desejasse ser passada. As cantigas poderiam ser de amor, de amigo ou satírica.
Dos instrumentos utilizados, os que mais condiziam com as características do trovadorismo eram a lira, a flauta, a viola e a harpa.
De uma forma geral, as características do trovadorismo têm ligação com a lírica grega, que aconteceu períodos antes. Do legado que foi herdado, estão presentes o canto, o acompanhamento musical, a idealização amorosa, dentre outros.
Era também notório em algumas trovas o culto que prestavam ao catolicismo. Nesse tipo de composição, era comum que também fosse reproduzido as estruturas feudais, o que era perceptível através da vassalagem e o enaltecimento do senhor feudal como a maior autoridade da sociedade da época.
Das retratações que eram feitas, a maior parte das temáticas estavam sempre ligadas ao sofrimento por amor, à veneração do ser amado, à exaltação da amizade, ambiguidade em algumas palavras, ao deboche e também à crítica política e social.

Uma das características do Trovadorismo é a relação com a música que tinham as trovas criadas. (Foto: Wikipedia)
Confira abaixo algumas das mais marcantes características do trovadorismo:
• Vínculo entre poesia e música: existe uma íntima ligação entre a poesia e música quando se fala do Trovadorismo, isso porque os poemas que eram construídos tinham sua recitação feita através de músicas e com o acompanhamento de alguns instrumentos.
A junção de todas as cantigas trovadorescas foram denominadas de cancioneiros. Dos que foram criados, os que possuem maior reconhecimento são: cancioneiro da Biblioteca de Lisboa e o cancioneiro da Vaticana.
• Os gêneros poderiam ser lírico ou satírico: esses dois gêneros, bem diferentes, faziam parte das características do trovadorismo e estavam presentes nos textos que eram produzidos. O lírico tinham cantigas de amor e também de amigos, e nelas estavam colocados sensações e sentimentos que estavam presentes nas relações que aconteciam. Esses temas eram geralmente tratados nas cantigas de amor e cantigas de amigo, que era onde existia o olhar voltado para os textos mais amorosos, bem como o sofrimento por amor. Por outro lado, o trovadorismo satírico tinha a presença de humor ácido, deboche, além de conter várias críticas ao sistema feudal vigente na época. As cantigas satíricas eram divididas em cantigas de escárnio e cantigas de maldizer. Existiam algumas diferenças entre elas duas, a de escárnio era mais leve e seus textos eram mais indiretos, diferente das de maldizer, que tinham escritos mais diretos, ácidos e por vezes apareciam os nomes das pessoas e também alguns palavrões.
• Tratavam de amizade, amor e veneração ao ser amado: dos temas que tinham retratações feitas pelos trovas, os que envolviam amizade ou amor-amizade eram publicados nas cantigas de amigo. Elas que eram narradas por uma mulher que fazia declarações para um amigo ou para algum amor idealizado. Como se sabe, todos os trovadores eram homens, mas nesse tipo de cantiga, elas eram escritas no feminino e sempre utilizando a primeira pessoa.
• Críticas diretas e indiretas: nas cantigas satíricas existiam as que usavam alguns trocadilhos ou também termos que tivessem duplo sentido, mas também existiam as que eram mais diretas, que não tinham rodeios para poder fazer as críticas necessárias.
- Presença do estilo de vida presente na aristocracia feudal nas trovas produzidas: o Trovadorismo apareceu quando o feudalismo estava chegando no seu auge, com isso, grande parte do que foi escrito tinha críticas ao sistema de governo que era praticado na época. Dentre as abordagens, estavam presentes o modo como os senhores feudais se relacionavam com os vassalos, além também das cruzadas.
Exemplos de cantigas trovadorescas
Veja abaixo um exemplo da cantiga de amizade feita por D. Dinis:
Se sabedes novas do meu amigo,aquel que mentiu do que pôs comigo!Ai Deus, e u é?Se sabedes novas do meu amado,aquel que mentiu do que mi á jurado!Ai Deus, e u é?
Já nas cantigas de amor, os escritores utilizavam a primeira pessoa e no decorrer do texto eles sempre se colocavam inferiores e submissos em relação à mulher que amavam.
No amor, uma das características do Trovadorismo era as muitas cortesias existentes, além de muito sofrimento, com aparência de amor impossível e/ou não correspondido.
A seguir, veja um exemplo de cantiga de amor que foi produzido por Afonso Fernandes:
Senhora minha, desde que vos vi,lutei para ocultar essa paixãoque me tomou inteiro o coração;mas não o posso mais e decidique saibam todos o meu grande amor,a tristeza que tenho a imensa dorque sofro desde o dia em que vos vi.
Acompanhe a seguir uma cantiga direta produzida por Afonso Eanes de Coton e outra indireta desenvolvida por Joan Garcia de Guilhade respectivamente:
Marinha, o teu folgar tenho eu por desacertado,e ando maravilhado de te não ver rebentar;pois tapo com esta minha boca, a tua boca, Marinha;e com este nariz meu, tapo eu, Marinha, o teu.
Ei! Dona feia! Que deus me perdoe!Pois voz tendes bom coraçãoQue eu voz louvarei por esta razão,Que voz louvarei, todavia, E veja qual será a louvaçãoDona feia, velha e louca.