Um dos termos integrantes da oração
O complemento verbal é um dos termos integrantes da oração que tem como intuito completar o sentido de um verbo. Este assunto é estudado na Língua Portuguesa por meio da sintaxe.
Geralmente encontrado no final da sentença, o complemento verbal é a palavra usada para completar o significado do verbo ao qual ele procede e a sua ausência compromete todo o entendimento da frase.
Falar de complemento verbal é falar de objeto direto e objeto indireto.
Veja exemplos de frases com complementos verbais:
• Aviões podem voar porque possuem asas. (Asas é o objeto direto do verbo possuir.)
• Gosto de escrever. (De escrever é o objeto indireto do verbo gostar. )
• Neguei tudo aos impostores. (Tudo é objeto direto e aos impostores é objeto indireto do verbo negar.)
Dentro dessa classificação, há o objeto direto preposicionado, objeto direto + indireto, objeto indireto pleonástico e objeto direto pleonástico.
Vale ressaltar que os complementos verbais são necessários apenas para verbos que são transitivos, enquanto que para verbos intransitivos, a presença de complemento verbal é dispensada.
O complemento verbal é usado para completar o sentido da oração. (Foto: Shutterstock)
Complemento verbal: objeto direto
O objeto direto é aquele complemento verbal que não exige preposição para completar o sentido. Além disso, toda vez que trata-se de verbo transitivo direto, ele irá apresentar também um objeto direto, que pode ser representando por substantivos, pronomes ou palavras substantivadas.
Exemplos:
• Marcelo Costa ama doce de leite. (Marcelo Costa ama o que? A resposta é doce deleite, que é o objeto direto da sentença.)
• Débora Júlia vendia picolé. (Débora Júlia vendia o que? A resposta é picolé, que é o objeto direto da sentença.)
• Sandra Moura ama Alberto Souza. (Sandra Moura ama quem? A resposta é Alberto Souza, que é o objeto direto da sentença.)
• Nós odiamos comida japonesa. (Nós odiamos o que? A resposta é comida japonesa, que é o objeto direto da sentença.)
Objeto direto preposicionado
Como o nome já revela, o objeto direto preposicionado acontece quando o complemento verbal vem acompanhado de preposição.
Contudo, a presença da preposição serve apenas para enfatizar a ideia do objeto. Portanto, mesmo que ela seja retirada da oração, o sentido do enunciado não será afetado.
Exemplos:
• A sua mãe amava a Deus. (O “a” é uma preposição, mas enfatiza o objeto direto “Deus”.)
• A Dona Joana vendia o picolé. (A preposição “o” enfatiza o objeto direto “picolé”.)
Objeto direto pleonástico
O objeto direto pleonástico acontece quando a oração apresenta dois objetos diretos. Ou seja, para chamar a atenção, o objeto direto aparece duas vezes na sentença.
Exemplos:
• A vida, o vento a levou. (A vida é objeto direto. O "a" de "a levou" é objeto direto pleonástico.)
Complemento verbal: objeto indireto
Enquanto o objeto direto não necessita de preposição, no objeto indireto a preposição é fundamental para completar o sentido do verbo. Assim, a preposição é essencial e a sua ausência compromete o sentido de todo o enunciado.
Exemplos:
• Marcela e Carla obedecem aos pais. (Marcela e Carla obedecem a quem? A resposta é aos pais, que é o objeto indireto da sentença.)
• As meninas não precisam de atenção extra. (As meninas não precisavam de que? A resposta é de atenção extra, que é o objeto indireto da sentença.)
Observação: para ter certeza se é um objeto indireto ou não, retire a preposição das frases. Perceba que ao retirá-las, a oração não fará sentido.
Objeto indireto X objeto direto preposicionado
Cuidado para não confundir os dois termos, pois em ambos há presença de preposições. No objeto indireto, a preposição é indispensável e sua retirada interfere no significado da sentença, enquanto que no objeto direto preposicionado, a preposição é opcional e sua retirada não interfere no significado da sentença.
Objeto indireto pleonástico
O objeto indireto pleonástico ocorre quando a oração apresenta dois objetos indiretos. O intuito é o mesmo do objeto direto pleonástico, chamar a atenção.
Exemplo:
• Ao indiscreto, não lhe confio nada. (Ao indiscreto é objeto indireto. O lhe de "não lhe confio" é objeto indireto pleonástico.)
Objeto direto e indireto
O objeto direto e indireto tem a ver com a bitransitividade do verbo. Quando o verbo é bitransitivo, ele permite, na mesma oração, um objeto direto e um objeto indireto, pois o verbo pede que haja mais de um complemento.
Em orações com essas características, o verbo presente é transitivo direto e indireto (objeto direto + objeto indireto).
Exemplos:
• Deram dinheiro ao estudante. (Quem dá, dá alguma coisa a alguém. Desta forma, “dinheiro” é o objeto direto e “ao estudante” é o objeto indireto.)
• Ofereceram comida ao mendigo. (Quem oferece, oferece alguma coisa a alguém. Assim, “comida” é o objeto direto e “ao mendigo” é o objeto indireto.)
Qual a diferença entre complemento verbal e complemento nominal?
Ambos são termos integrantes da oração, contudo um completa o sentido do verbo, enquanto o outro esclarece/explica um nome.
O complemento nominal pode ser substantivos, advérbios ou adjetivos. Já o complemento verbal pode ser um substantivo, um pronome ou palavras substantivadas.
Outra diferença é a presença de preposição no complemento nominal. O complemento nominal é sempre acompanhado de preposição, assim como o objeto indireto do complemento verbal.
Exemplos com complemento nominal:
• Tenho esperança de que eles compareçam. (“De que eles compareçam” é o complemento nominal.)
• Receio que ele chegue à conclusão de que eu já sabia. (“De que eu já sabia” é o complemento nominal.)
Exemplos de complemento nominal versus objeto indireto:
• Esteja atento ao celular. (Complemento nominal: “ao celular”.)
• Os meninos têm medo do escuro. (Complemento nominal: “do escuro”.)
• Já dei o presente ao meu irmão. (Objeto indireto, “ao meu irmão”.)
• Já falo com você. (Objeto indireto “com você”.)
