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Crônica Argumentativa

Postado por Filipe Oliveira em 31/07/2019 e atualizado pela última vez em 21/07/2020

A argumentação é a principal marca


A crônica argumentativa é um texto onde a argumentação é vista como a principal característica. Esse tipo de crônica é muito usada pelos meios de comunicação, essencialmente os jornais e as revistas.


O nome "crônica" tem origem do latim Chronica e do grego Khrónos (tempo). Conforme esse tempo podemos assemelhá-lo à narração, ao retratar um fato a respeito de um ou mais acontecimentos ocorridos, em um determinado espaço de tempo.


A crônica argumentativa é muito usada em revistas e jornais. (Foto: Pxhere)

Passo a passo de uma crônica argumentativa


Para produzir uma crônica argumentativa é preciso escolher um tema atual. Esse tema pode ser sobre a gravidez na adolescência, juventude, violência, guerra, fome no mundo, política, uma briga de vizinhos, corrupção, dentre outros.

Depois de escolher o assunto da sua crônica argumentativa, pesquise bastante sobre o assunto, organize as ideias e selecione os argumentos.

Uma crônica argumentativa deve ter argumentos. Caso não tenha argumentos consistentes, o que deveria ser uma crônica argumentativa se torna um texto informativo.

Uma especificidade considerável das crônicas é a grande quantidade de críticas, com um pouco de humor, sarcasmo e ironia. Assim sendo, seja muito criativo ao escrever sua crônica argumentativa.

Em uma crônica narrativa argumentativa é contada uma pequena história, com personagens, tempo e espaço. Esse tipo de crônica pode ter discurso direto, indireto e indireto livre.

Uma boa crônica argumentativa deve ter:

• Argumentação e persuasão;
• Linguagem coloquial, simples e direta;
• Textos relativamente pequenos;
• Temas do dia a dia e polêmicos;
• Crítica, humor e ironia;
• Induz a reflexão;
• Subjetividade e criatividade;
• Fusão do estilo jornalístico e literário;
• Poucos personagens, se houver;
• Tempo e o espaço limitados;
• Caráter contemporâneo.

Exemplo de crônica argumentativa


Veja a seguir um exemplo de crônica argumentativa:

Tema: Crônica argumentativa sobre tecnologia.
Autor: Luís Fernando Veríssimo

Tecnologia

Para começar, ele nos olha na cara. Não é como a máquina de escrever, que a gente olha de cima, com superioridade. Com ele é olho no olho ou tela no olho. Ele nos desafia. Parece estar dizendo: vamos lá, seu desprezível pré-eletrônico, mostre o que você sabe fazer. A máquina de escrever faz tudo que você manda, mesmo que seja a tapa. Com o computador é diferente. Você faz tudo que ele manda. Ou precisa fazer tudo ao modo dele, senão ele não aceita. Simplesmente ignora você. Mas se apenas ignorasse ainda seria suportável. Ele responde. Repreende. Corrige. Uma tela vazia, muda, nenhuma reação aos nossos comandos digitais, tudo bem. Quer dizer, você se sente como aquele cara que cantou a secretária eletrônica. É um vexame privado. Mas quando você o manda fazer alguma coisa, mas manda errado, ele diz “Errado”. Não diz “Burro”, mas está implícito. É pior, muito pior. Às vezes, quando a gente erra, ele faz “bip”. Assim, para todo mundo ouvir. Comecei a usar o computador na redação do jornal e volta e meia errava. E lá vinha ele: “Bip!” “Olha aqui, pessoal: ele errou.” “O burro errou!”

Outra coisa: ele é mais inteligente que você. Sabe muito mais coisa e não tem nenhum pudor em dizer que sabe. Esse negócio de que qualquer máquina só é tão inteligente quanto quem a usa não vale com ele. Está subentendido, nas suas relações com o computador, que você jamais aproveitará metade das coisas que ele tem para oferecer. Que ele só desenvolverá todo o seu potencial quando outro igual a ele o estiver programando. A máquina de escrever podia ter recursos que você nunca usaria, mas não tinha a mesma empáfia, o mesmo ar de quem só aguentava os humanos por falta de coisa melhor, no momento. E a máquina, mesmo nos seus instantes de maior impaciência conosco, jamais faria “bip” em público.

Dito isto, é preciso dizer também que quem provou pela primeira vez suas letrinhas dificilmente voltará à máquina de escrever sem a sensação de que está desembarcando de uma Mercedes e voltando à carroça. Está certo, jamais teremos com ele a mesma confortável cumplicidade que tínhamos com a velha máquina. É outro tipo de relacionamento, mais formal e exigente. Mas é fascinante. Agora compreendo o entusiasmo de gente como Millôr Fernandes e Fernando Sabino, que dividem a sua vida profissional em antes dele e depois dele. Sinto falta do papel e da fiel Bic, sempre pronta a inserir entre uma linha e outra a palavra que faltou na hora, e que nele foi substituída por um botão, que, além de mais rápido, jamais nos sujará os dedos, mas acho que estou sucumbindo. Sei que nunca seremos íntimos, mesmo porque ele não ia querer se rebaixar a ser meu amigo, mas retiro tudo o que pensei sobre ele. Claro que você pode concluir que eu só estou querendo agradá-lo, precavidamente, mas juro que é sincero.

Quando saí da redação do jornal depois de usar o computador pela primeira vez, cheguei em casa e bati na minha máquina. Sabendo que ela aguentaria sem reclamar, como sempre, a pobrezinha.

O que é Crônica?


A crônica é um texto narrativo que expõe os fatos obedecendo a uma ordem cronológica. Em jornais e revistas, a crônica é uma pequena narração publicada em um caderno habitual, na qual são retratados fatos do cotidiano e outros temas ligados à arte, esporte, ciência etc...

Nas crônicas os autores buscam descrever os eventos apresentados de acordo com a própria visão crítica dos fatos, na maioria das vezes por meio de frases dirigidas ao leitor, como se estivesse criando um diálogo.

São tipos de crônica: jornalística, humorística, histórica, descritiva, narrativa, dissertativa, poética e lírica.

A crônica argumentativa é um tipo moderno de crônica. Como foi visto no começo do artigo, nesse tipo de crônica os autores expressam o seu ponto de vista em relação aos assuntos. Vimos também que a ironia e o sarcasmo são usados com frequência nesse tipo de texto.

Na crônica humorística, o autor produz o texto apresentando uma visão irônica e bem humorada dos acontecimentos. No Brasil, os autores que se destacaram nesse tipo de crônica são: Fernando Sabino, Luis Fernando Verissimo, Millôr Fernandes.

Arnaldo Jabor, Martha Medeiros, Rubem Braga, são outros cronistas brasileiros bastante conhecidos.

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