Aspectos objetivos e subjetivos contados através de detalhes
Descrição oral, textual e de imagem
A descrição oral é comum em conversas, por exemplo. Acontecem, principalmente, para situar o interlocutor (quem recebe as informações). Acompanhe o exemplo abaixo:
— Vamos marcar sábado, às 16 horas, no teatro Jorge Amado, em frente à praça Nossa Senhora da Luz. A peça “Meu passado não me condena” está marcada para 17 horas. Acha uma boa opção?
— Certo. Achei uma excelente ideia. Como vou identificar você ao chegar? Estarei sem celular.
— Vou de cabelo solto, com uma tiara cor de rosa. Vou vestir uma saia jeans, uma blusa na cor branca e uma sandália rasteira. Ah, e estarei com uma bolsa de lado na cor marrom.
A descrição textual, muito encontrada em livros, artigos, jornais, etc, é importante para que se crie uma imagem mental das características traçadas pelo autor. Confira o exemplo:
Pedro é médico e trabalha em três hospitais. Ele optou por ir aos lugares de bicicleta por conta da sua saúde. Sempre sai de casa cedo e costuma chegar nos lugares com antecedência. Ele passa o final de semana na casa dos pais, em Porto Alegre, e adora se reunir com a família nos almoços de domingo.
A descrição visual é não verbal. O que está representado na imagem está parado, estático. A foto, por si, é uma descrição. Ali pode estar descrito uma paisagem, uma família reunida, amigos, etc.

A foto é um tipo de descrição. Nesta, por exemplo, o menino está segurando os livros remetendo à ideia de estar estudando. (Foto: shutterstock)
Tipos de Descrição
A descrição pode ser tanto objetiva quanto subjetiva. Ela é feita conforme as impressões do observador. A descrição objetiva explana de forma exata as características de algo ou alguém, além de não fazer juízo de valor. Podem ser expressas qualidades como forma, tamanho, peso, cor, espessura, volume, etc. É comum em textos científicos, livros didáticos, bulas de remédio ou manuais de instrução. Nela não há exposição dos sentimentos. É um detalhamento preciso, que traz uma maior aproximação da realidade. A linguagem é clara e direta.
Principais características da descrição objetiva
• Direta;
• Não há preocupação com o ponto de vista do observador;
• Faz uso de dados precisos;
• Isenta de duplo sentido;
• Descrição de aspectos físicos;
• Não opinativo, enaltece a imparcialidade;
• Fornece detalhes com exatidão;
• Uso de substantivos concretos;
• Utilização da função referencial da linguagem, de sentido denotativo.
Exemplos de descrição objetiva
- Beatriz tem 29 anos, possui cabelos claros, cacheados e olhos verdes.
- Augusto é advogado, trabalha na cidade de Ipatinga, interior de Minas Gerais e mora em uma casa com os pais e irmãos. Nos fins de semana de folga ele costuma jogar bola com os amigos ou tomar cerveja no bar do tio, próximo de sua residência.
A descrição subjetiva expressa os detalhes de algo ou alguém de forma que enalteça as impressões pessoais do emissor. Ela é muito vista nos textos literários, sobretudo nas narrações, nas quais os autores expõem suas impressões ou mesmo traçam perfis psicológicos dos personagens segundo suas próprias imaginações. No texto narrativo é exposto inúmeros detalhes, informações e características que constroem a imagem verbal daquilo que se pretende descrever. Veja a seguir as principais características da descrição subjetiva:
• Há uma exposição de sentimentos e de estado de espírito;
• Emissão da visão pessoal;
• Uso de adjetivos;
• Uso de substantivos abstratos;
• Utilização de figuras de linguagem.
Exemplos de descrição subjetiva
“Ficara sentada à mesa a ler o Diário de Notícias, no seu roupão de manhã de fazenda preta, bordado a sutache, com largos botões de madrepérola; o cabelo louro um pouco desmanchado, com um tom seco do calor do travesseiro, enrolava-se, torcido no alto da cabeça pequenina, de perfil bonito; a sua pele tinha a brancura tenra e láctea das louras; com o cotovelo encostado à mesa acariciava a orelha, e, no movimento lento e suave dos seus dedos, dois anéis de rubis miudinhos davam cintilações escarlates.” (O Primo Basílio, Eça de Queiroz).
“(…) Ela não era feia; amorenada, com os seus traços acanhados, o narizinho mal feito, mas galante, não muito baixa nem muito magra e a sua aparência de bondade passiva, de indolência de corpo, de ideia e de sentidos — era até um bom tipo das meninas a que os namorados chamam — “bonitinhas”. O seu traço de beleza dominante, porém, eram seus cabelos: uns bastos cabelos castanhos, com tons de ouro, sedosos até ao olhar (…)”. (Triste fim de Policarpo Quaresma, Lima Barreto)
A descrição feita em textos literários dificilmente será puramente objetiva, visto que vez ou outra o autor fará uma interferência acerca daquilo que está sendo descrito.