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Sua mochila está vazia!

Eu lírico

Postado por Ana Letícia Reis em 29/07/2019 e atualizado pela última vez em 21/07/2020

A voz do poema que exprime sentimentos


O eu lírico se faz presente nos poemas de maneira criativa e pertencente aos sentimentos do personagem criado pelo autor

Pode-se perceber através das diversas manifestações de necessidades que não são, necessariamente, os mesmos do autor. 

Em alguns poemas é possível reconhecer a diferença de gênero entre escritor e personagem, ou até mesmo, o autor utiliza personagens inanimados que reproduzem questionamentos, e ainda a criatividade infantil e musical que utiliza metáforas exprimindo seus desejos.


O eu lírico idealista


No poema de Manuel Bandeira, “Vou-me embora pra Pasárgada”, o personagem já sem esperanças para o futuro demonstra o desejo de ir embora para um lugar idealizado, abandonando tudo o que não realizou.

A voz poética do eu lírico anseia por um lugar melhor de liberdade e descanso e, por isso, detém esse desejo de escapismo.

Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconsequente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
(...)


“Vou-me embora pra Pasárgada” o eu lírico transmite o desejo de buscar um lugar melhor. (Foto: Pixabay) 


Os sons e o eu lírico


Na música de Caetano Veloso temos exemplos do eu lírico utilizando as figuras de linguagem para representar a figura de um homem com a metáfora do “leãozinho” e expressar seus desejos e sentimentos a uma outra pessoa.

O Leãozinho

Gosto muito de te ver, leãozinho
Caminhando sob o sol
Gosto muito de você, leãozinho
Para desentristecer, leãozinho
O meu coração tão só
Basta eu encontrar você no caminho
Um filhote de leão, raio da manhã
Arrastando o meu olhar como um ímã
O meu coração é o sol pai de toda a cor
Quando ele lhe doura a pele ao léu
(...)

As figuras de linguagens nos poemas

Nos poemas o eu lírico pode utilizar as figuras de linguagem como recursos linguísticos que tornam a fala mais expressiva e significativa. Esses recursos podem ampliar as interpretações da oração como também suprir lacunas.

Exemplo: Minha mente tem um poço de emoções.
Nesse caso “poço de emoções” refere a uma figura de linguagem que pode exprimir muitos sentimentos. 

A canção de Chico Buarque é outro exemplo de eu lírico que demonstra romantismo. Leia abaixo.

Futuros amantes

Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios
No ar

E quem sabe, então
O Rio será
Alguma cidade submersa
Os escafandristas virão
Explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas
Sua alma, desvãos

(...)

Os poemas infantis


O poema de Pedro Bandeira, “Mais Respeito, eu Sou Criança”, é um exemplo claro do eu lírico como personagem que difere da voz do autor. 

Nele o personagem é uma criança que explica aos adultos os motivos dele ser feliz por ainda não ter alcançado a maturidade. 

Mais Respeito, eu Sou Criança - Pedro Bandeira

Prestem atenção no que eu digo,
pois eu não falo por mal:
os adultos que me perdoem,
mas ser criança é legal!

Vocês já esqueceram, eu sei.

Por isso eu vou lhes lembrar:
pra que ver por cima do muro,
se é mais gostoso escalar?
Pra que perder tempo engordando,
se é mais gostoso brincar?
Pra que fazer cara tão séria,
se é mais gostoso sonhar?

(...)


A voz do eu lírico no poema infantil “Mais Respeito, eu Sou Criança”, de Pedro Bandeira. (Foto: Wikipedia)


A representação do amor poético


O poema de Carlos Drummond de Andrade trata da simplicidade do amor. O eu lírico discorre sobre um amor encantador, que move os sentimentos sem esperar algo em troca.
Esse eu lírico foi um dos mais representados nos poemas de todo o mundo. Utilizados, inclusive, para a conquista da pessoa amada. 

As sem-razões do amor

Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.
Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
bastante ou de mais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.

Literatura no Enem


O eu lírico é um dos assuntos frequentemente cobrado nas provas de Literatura no Enem. O Exame costuma apresentar poemas e poesias de autores conhecidos para que o estudante identifique as características do texto e do personagem utilizado. 

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