Figuras de sintaxe ou de construção
Figuras de sintaxe são recursos estilísticos da língua portuguesa muito utilizados na construção de textos literários por permitirem a troca de ordem na concordância, colocação e regência de termos e palavras. O efeito do uso das figuras de construção é a expressividade maior às orações. São utilizadas propositalmente e muitas vezes confundidas como erros gramaticais, quando na verdade estão presentes para marcar um estilo específico de escrita.
A sintaxe explica a relação entre as palavras, já a semântica é o sentido ou significado. As figuras de sintaxe brincam com as relações entre palavras e frases para transmitir mensagens específicas que o autor quer mostrar. O resultado por vezes é inusitado e inesperado pelo leitor, que pode vir a se surpreender, principalmente nas questões de vestibulares.

As figuras de sintaxe são temas comuns nos vestibulares. (Foto: Wikipedia)
Tipos de figuras de sintaxe
As figuras de sintaxe estão ligadas ao discurso conotativo e são os termos que estão dentro das figuras de linguagem que conferem sutileza para as narrativa. Elas estão divididas como: anacoluto, anáfora, anástrofe (também chamada de inversão), assíndeto, polissíndeto, elipse, zeugma, silepse, hipérbato, sínquise, hipálage, pleonasmo, aliteração e redundância.
Exemplos de figuras de sintaxe
Esse nome é dado quando se usa a repetição de um termo para reforçar a mensagem que se quer passar. Alguns exemplos de pleonasmo estão presentes em músicas e poemas:
• “De jeito maneira, não quero dinheiro.” (Tim Maia)
• “Todos nus, e da cor da treva escura.” (Camões)
Observação: quando o pleonasmo não segue a ideia ou papel de enfatizar algo, é considerado um vício ou erro de linguagem.
A Elipse ocorre quando uma palavra ou uma oração inteira é omitida de um texto, mas pode ser demonstrada ou identificadas a partir do contexto. A elipse se classifica:
• Nominal: quando uma palavra é omitida.
• Verbal: quando um verbo é omitido.
• Frástica: quando uma frase é omitida.
Parece como uma elipse. É quando um termo ou palavra ditos numa oração anterior são suprimidos das outras.
• A uns foi permitido estudar, a outros, fazerem o trabalho.
(“foi permitido” é ocultado na segunda oração).
Polissíndeto
Acontece quando os conectivos coordenativos são repetidos de forma proposital.
Exemplo: “e corre, e vive, e sorri, e cai, e come, e dorme, e voa”.
Assíndeto
É o oposto do polissíndeto. Omite os conectivos com o objetivo de tornar a mensagem mais precisa e adequada.
Exemplo: “Hoje choveu, nevou, fez sol, nublou, armou, abriu.”
Hipérbato
Se tratando da língua portuguesa, uma oração regularmente é composta pela ordem sujeito + verbo + complemento + adjuntos. O hipérbato se dá quando essa ordem é invertida para enfatizar e/ou destacar algumas partes da frase.
• Do meu cachorro cuido eu.
• Gatos, gordinhos, carinhosos, não canso de amá-los.
Anástrofe
É uma versão contrária, porém é muito mais simples que o hipérbato, já que geralmente troca apenas o sujeito e o predicado, mas não finaliza a ligação de uma palavra com a outra.
• Tão brava estou.
• Com papas e bolos se enganam os tolos. (dito popular)
Silepse
É quando a concordância nominal ou verbal não se expressam com um termo específico e sim com a ideia geral contida dela. Esse tipo de concordância estilística se chama de Silepse. São classificadas em três tipos:
Silepse de gênero
Concorda com o gênero da palavra a que a frase se refere e não com a palavra em si.
• Vi meu bebê, tão lindo entre as flores. (o adjetivo não concorda com “bebê”, mas com sim com o filho amado)
Silepse de número
A concordância é realizada com o número que é passado pela ideia, não com o número real que foi expressado.
• A maior parte dos atletas se perderam.
Silepse de pessoa
Não faz concordância com a 1°, 2° ou 3° pessoa, mas com a pessoa que se tem em mente.
•Dizem que os franceses somos antipáticos.
•Os baianos geralmente não gostamos de temperaturas baixas.
É a repetição de uma mesma expressão, termo ou palavra no início de frases ou em versos que são consecutivos.
“Olha a voz que me resta
Olha a veia que salta
Olha a gota que falta pro desfecho da festa”. (Chico Buarque)
Anacoluto
É a quebra da estrutura gramatical de uma sentença. É um recurso comum de ser utilizado quando se transcreve diálogos, consiste na técnica de reproduzir na escrita falas de pessoas.
Ou seja, significa uma expressão que deixa o termo inicial desconectado do resto do período. A forma mais simples é quando um elemento parece que vai se tornar o sujeito da oração, mas na verdade não tem função de sintaxe.
• Os jovens de hoje, parece que não dá para confiar neles.
• O Rodrigo, parece que as coisas não lhe correm bem.
Quando se repete, por querer, o mesmo som consonantal no início dos vocábulos - um imediatamente após o outro, para enfatizar ou imitar um som ou ruído.
“Vou depressa
Vou correndo
Vou na toda
Que só levo
Pouca gente
Pouca gente
Pouca gente…” (Manuel Bandeira) – o poema lembra o barulho de um trem.
Observação: pode-se encontrar em algumas gramáticas e livros, a aliteração conceituada como figura sonora.
Frases com figuras de sintaxe
• Você faltou com sinceridade. (eufemismo)
• Não deixe de colocar as pernas quebradas dos óculos na gaveta. (catacrese)
• Aquela criança tem um coração tão doce. (sinestesia)
• A paixão queima como o fogo. (comparação)
• Mares te correrão dos olhos, se chorares!" (hipérbole)
• O amor não tem pressa, ele pode esperar. (prosopopeia ou personificação)
• Meu irmão é um anjo. (ironia)
• Dia e noite, calor e frio, sim e não. (antítese)
• E fui e voltei e cheguei e parti e sorri. (polissíndeto)
• Fui, voltei, parti, amei, cansei. (assíndeto)
• A menina ri e o adulto chora. O palhaço desce, o malabarista sobe. (antítese)
• Os jovens foram para a festa, as crianças para a cama. (zeugma)
• São complicadas, mas acredito que suas questões serão resolvidas a tempo. (elipse)
• Era tão forte! Era tão alto! Era tão bonito! Era tão interessante! Era sublime! (anáfora)
• Encarou de frente a situação e foi ser feliz. (pleonasmo, indica redundância)