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Fonologia

Postado por Maria Mendes em 05/12/2018 e atualizado pela última vez em 21/07/2020

Estudo dos sons das palavras


A palavra fonologia é de origem grega: “phonos” quer dizer voz, som e “logos” significa palavra, ou seja, estudo da palavra. A fonologia é a parte da gramática que estuda o sistema sonoro da língua, sendo seu principal foco o uso dos fonemas (menor unidade sonora das palavras), como eles se articulam e organizam as sílabas. Todo idioma tem a sua fonologia própria, sem ela haveria palavras com mais de um significado, além de não ser possível diferenciá-las pela sua sonoridade.


Fonema


O fonema é o objeto de estudo da fonologia e suas variações. É através dele que se estabelece os sons para diferenciar as palavras das outras. Nesse sentido, é importante ressaltar a diferença entre fonema e letras. O primeiro representa o som e seus significados, ao passo que a letra é uma representação gráfica dentro da gramática. 

Na língua portuguesa é muito frequente os fonemas serem reproduzidos por letras diferentes do alfabeto. O uso mais comum é o fonema ‘s’ (que faz som de z), mas que são escritos com letras distintas.

• asilo;
• asa;
• casa.


O contrário também existe, que é quando uma mesma letra representa um ou mais fonemas. Ocorre com mais frequência o fonema com relação à letra “x”, que possui som de outras letras do alfabeto. São alguns deles:

•    exame – som de z;
•    texto – som de s;
•    toxina – som de ks;
•    enxame – som de ch.


De acordo com as regras da língua portuguesa os fonemas são classificados em vogais, semivogais e consoantes:

Vogais

São fonemas sonoros de fácil identificação, uma vez que a corrente de ar passa livremente pela boca, tendo um papel chave na língua portuguesa. As vogais podem ser orais, nasais, átonas e tônicas. 

Orais

Ao falar, o ar sai apenas pela boca. Exemplos:

• a, e, i, o, u.

Nasais

Ao proferir uma palavra, o ar sai pela boca e pelas fossas nasais. Exemplo:

• ã – , tampa e canto;
• i – mim, lindo;
• õ – tombo, bonde;
• u – algum, nunca.

Átonas

São as sílabas pronunciadas com menor intensidade.  Exemplo:

• bola;
• até.

Tônicas

São as sílabas pronunciadas com maior intensidade. Exemplo:
•    até;
•    bola.

Semivogais

Em muitos momentos os fonemas ‘i’ e ‘u’ não são se apresentam como vogais, mas se apoiam em uma vogal para formar uma única emissão de voz (sílaba). Nesses casos, o fonema é chamado de semivogal. As semivogais, portanto, não executam o papel de núcleo silábico. Exemplo:

• história;
• saudade;
• série.

Fonologia é o estudo da voz através de fonemas. (Foto: Pixabay)
Consoantes

Na pronúncia das consoantes, o ar jogado pelos pulmões apresenta dificuldade ao passar pela boca.  
Por essa razão, as consoantes não são capazes de exercer o papel de núcleos silábicos. Elas precisam das vogais para “fazer som”, por exemplo: "g, d, l, r, s, etc".

Identificação das palavras através da sílaba tônica


Entre as principais atribuições da fonologia estão as classificações das palavras quanto a sua sílaba tônica. Elas podem ser oxítonas, paroxítonas e proparoxítonas.

Oxítonas

Também chamadas de palavras agudas, são aquelas que apresentam a última sílaba pronunciada com mais força. As outras sílabas da palavra são átonas, sendo faladas com menor intensidade. Para ser considerada oxítona, a palavra precisa ter no mínimo duas sílabas. Observe os exemplos abaixo:

•    ca (ca-);
•    domi (do-mi-);
•    computador (com-pu-ta-dor);
•    problematizar (pro-ble-ma-ti-zar).

Paroxítona

São palavras que apresentam a penúltima sílaba como sílaba tônica, isto é, pronunciada com mais intensidade. Uma palavra deve ter no mínimo duas sílabas para ser classificada como paroxítona. Veja os exemplos:

•    mesa (me-sa);
•    camisa (ca-mi-sa);
•    convidado (con-vi-da-do);
•    desanimadamente (de-sa-ni-ma-da-men-te).

Proparoxítona

São palavras que apresentam a antepenúltima sílaba como sílaba tônica.  É necessário que a palavra contenha no mínimo três sílabas para ser classificada como proparoxítona.  Confira os exemplos:

•    plástico (plás-ti-co);
•    sonâmbulo (so-nâm-bu-lo);
•    matetica (ma-te--ti-ca);
•    paralelepedo (pa-ra-le-le--pe-do).

Fonologia: regras de divisão silábica


A divisão silábica precisa ser feita a partir da soletração, mostrando o som total das letras que compõem uma sílaba. Para fazer essa separação é necessário utilizar o hífen. Não se pode separá-las de qualquer maneira. Por isso, é fundamental saber as regras de divisão silábica para conseguir escrever dentro da norma culta da língua portuguesa. Confira algumas destas regras:

Não se separam ditongos e tritongos, ou seja, palavras que possuem duas e três vogais juntas.

•    cau-le;
•    di-nhei-ro;
•    trei-no;
•    des-mai-a-do;
•    u-ru-guai;
•    sa-guão;
•    pa-ra-guai;
•   a-ve-ri-guou;
•   quais-quer.

Também não se separam os dígrafos, - encontros consonantais - quando duas consoantes juntas possuem o mesmo som. Porém, há exceção nos casos em que as palavras possuem as consoantes ‘rr’, ‘ss’, ‘sc’, ‘sç’, ‘xs’, e ‘xc’, que devem ser separados. 

•    ca-cha-ça;
•    pa-lho-ça;
•    ama-nhe-cer.

Exemplos de dígrafos que se separam:


•    bar-ro;
•    as-sun-to;
•    guerra.


Quando duas consoantes estão juntas na palavra e a segunda é ‘l’ ou ‘r’, não há a separação delas. Observe os exemplos abaixo: 


•    fla-gran-te;

•    gló-ria;
•    pla-no;
•    cla-va;

    • •    a-pre-sen-tar;
      •    a-brir. 

    • Caso a palavra tenha duas sílabas juntas no início, elas não se separam. Exemplos:

    • •    gnós-ti-co;
      •    pneu-má-ti-co;
      •    mne-mô-ni-co;
      •    gno-mo;
      •    psi-có-lo-go;
      •    pneu-mo-ni-a.

      Palavras terminadas em consoantes terão uma divisão silábica em que a consoante fique isolada no final. Nesse sentido, a última letra se une à anterior. Exemplos:

    • •    sub-lin-gual;
      •    su-ben-ten-der;
      •    a-guen-tar;

    • Separam-se os ditongos decrescentes, que são palavras formadas por três vogais, mas, vale ressaltar, não são a mesma coisa que o tritongo. Nessas palavras, a formação é feita com uma vogal (a, e, o) + semivogal (i,u) + uma outra vogal (a,e,o). Exemplos:

    • •    praia;
      •    teia,
      •    joia;
      •    sa-bo-reie;
      •    es-teio;
      •    ar-roio.

    • Os hiatos  (encontro de duas vogais) também são sílabas que se separam. Eles se diferenciam do ditongo pela forma que são pronunciadas. Exemplos:

    • •    sa–ú-de;
    • •    saa-ra;
      •    cao-lho;
      •    due-lo.

    • Vogais idênticas também se separam ‘aa, ee, ii, oo, uu’, além dos grupos consonantais ‘ cc’ ,‘cç’.  Exemplos:

    • •    saa-ra;
      •    com-preen-do;
      •    xii-ta;
    • •    voo

Curiosidades sobre o estudo dos fonemas

A fonética tem o papel de estudar o som enquanto aparelho fonador, além de se ocupar quanto à descrição e análise dos sons. Os estudos com relação a essa área são divididos em três categorias:

Fonética articulatória: estuda como os sons são produzidos;
Fonética acústica: estuda e analisa as características físicas com relação aos sons da fala;
Fonética auditiva: tem como função analisar os processos realizados pelo receptor no momento em que ocorre o recebimento e interpretação da onda sonora emitida.

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