Figura de linguagem que caracteriza seres inanimados
A personificação é uma das figuras de linguagem classificadas como figura de pensamento. Muito presente na literatura, ela utiliza de características humanas (seres animados) para atribuir sentimentos, qualidades e ações aos seres irracionais e objetos inanimados. Além de ser um recurso muito utilizado nos textos literários, também está presente na música e nas expressões linguísticas do cotidiano.

A personificação é uma figura de linguagem muito utilizada em textos literários. (Foto: shutterstock)
Personificação
• "O cachorro dizia a todos seus amigos animais para fazerem silêncio". (De forma subjetiva, característica da personificação, foi usada a expressão ‘dizer’ para atribuir ao cachorro uma característica humana).
• As “ondas beijavam” a areia branca da praia. (Atribuiu-se as ondas a ação de beijar).
• "A Cadeira começou a gritar com a Mesa." (A cadeira apresenta o comportamento humano de gritar).
• As folhas bailavam alegremente quando o vento passava por elas. (De forma poética, a expressão “bailar” significa que as folhas balançam quando o vento passa por ela).
• "O morro dos ventos uivantes." (Dizer que os ventos uivaram significa que eles eram fortes e que por isso faziam o som dos lobos, de uivar).
• "O Sol amanheceu triste e escondido." (Essa expressão significa que o dia amanheceu nublado e por isso recebeu a característica humana de estar triste).
• "O Sol Sorriu para a lua." (O sol recebe a capacidade de sorrir para a noite, uma ação que compete ao ser humano).
• "O fogo dançava com o vento." (Essa expressão quer dizer que o vento aumenta as chamas do fogo, como se juntos eles parecessem dançar).
• "O vento assobiava na janela durante a noite." (Evidentemente que o vento não assobia, mas por ser forte, foi conferido a ele essa característica).
• "O sol brilhava contente na manhã seguinte." (Significa que o dia amanheceu feliz. Foi atribuído ao dia a sensação de felicidade).
• "O carro não aguentava mais, tantos anos de trabalho." (O carro, obviamente, não trabalha, mas a frase humanizou o automóvel, dando a entender que por estar velho e exausto, não aguentava mais).
• “As nuvens andavam lentamente, esperando a chegada do irritado trovão.” (A expressão “andava lentamente” confere a nuvem a ação humana de andar e espera a chegada do trovão).
• “O passarinho, furioso com a convencida arara, disse que ia embora.” (O passarinho recebe o comportamento humano de fúria e raiva).
Personificação na Literatura
O uso da personificação na literatura é muito comum. A poesia, por exemplo, é um dos gêneros literários que utiliza bastante essa figura de linguagem. Confira abaixo autores que utilizam desse recurso:
Um clássico da literatura brasileira que utiliza a personificação é o autor Graciliano Ramos em sua obra intitulada “Vidas Secas”. No capítulo chamado “Baleia”, em que ocorre a narração da morte da cachorra, o autor deixa claro os traços tipicamente humanos atribuídos ao animal. Baleia sofre como os donos, tem pensamentos e emoções. Ela é caracterizada na trama como um membro da família. Observe trecho que narra sua morte:
“Não se lembrava de Fabiano. Tinha havido um desastre, mas Baleia não atribuía a esse desastre a impotência em que se achava nem percebia que estava livre de responsabilidades. Uma angústia apertou-lhe o pequeno coração. Precisava vigiar as cabras: àquela hora cheiros de suçuarana deviam andar pelas ribanceiras, rondar as moitas afastadas.”(RAMOS, 1992, p. 89)
O poema de Carlos Drummond de Andrade intitulado “Congresso Internacional do Medo”, também deixa claro o uso da personificação.
“Provisoriamente não cantaremos o amor,que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,não cantaremos o ódio, porque esse não existe,existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro.”
O poeta humaniza as flores, conferindo a elas a capacidade humana de brincar, além de atribuir emoções como a alegria e a sinceridade.
Personificação na Música
A personificação é uma figura de linguagem muito encontrada nas músicas. O Guia Enem reuniu algumas canções. Veja abaixo:
Na música “Céu de Santo Amaro”, do compositor Flávio Venturini, ele dá às estrelas a característica humana de falar no trecho “que para sempre uma estrela vai dizer”.
No trecho “a rosa triste” atribui à rosa o sentimento de tristeza.