Gênero textual que preza pela objetividade da mensagem
Prosa é o nome do recurso literário caracterizado pela exposição do pensamento de forma objetiva, em parágrafos diretos, com linguagem denotativa dispensando ambiguidades e sentidos figurados.
A prosa é considerada um gênero textual da Língua Portuguesa, cujo tipo de texto escrito não apresenta preocupação com estética, rimas ou figuras de linguagem.
A prosa é o tipo da estrutura textual da carta, notícia, da literatura e oratória, por exemplo, em que a preocupação do emissor da mensagem é comunicar algo de forma objetiva.
A estrutura do texto em prosa apresenta estruturas sintáticas lógicas e claras de divisões com isenção de rimas desenvolvendo-se com coesão textual.
A identificação desse gênero pode ser com base nos personagens, na linguagem e na estrutura do texto. No gênero textual prosa o personagem é outra pessoa diferente do enunciador.
A linguagem apresenta discursos analíticos e objetivos, sem ambiguidade e predominância pela denotação, cujo sentido é apresentado no significado real da palavra. Assim, a prosa contrapõe-se à estrutura do verso e ao conteúdo da poesia.
Tipos de prosa e suas classificações
Uma prosa pode ser narrativa, quando compreender história ou ficção, e demonstrativa, quando abranger a oratória e a didática como tratados, ensaios, diálogos e cartas.
Além dos tipos, a prosa pode ser classificada pela função. Assim, apresenta-se sob forma argumentativa, dramática, informativa ou contemplativa.
Narrativa
Confira um trecho de prosa narrativa retirado do livro Vidas Secas, de Graciliano Ramos.

Vidas Secas é uma obra escrita no gênero prosa. (Foto: Wikimedia).
Na planície avermelhada os juazeiros alargavam duas manchas verdes. Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro, estavam cansados e famintos. Ordinariamente andavam pouco, mas como haviam repousado bastante na areia do rio seco, a viagem progredira bem três léguas. Fazia horas que procuravam uma sombra. A folhagem dos juazeiros apareceu longe, através dos galhos pelados da catinga rala.Arrastaram-se para lá, devagar, Sinha Vitória com o filho mais novo escanchado no quarto e o baú de folha na cabeça, Fabiano sombrio, cambaio, o aió a tiracolo, a cuia pendurada numa correia presa ao cinturão, a espingarda de pederneira no ombro. O menino mais velho e a cachorra Baleia iam atrás. Os juazeiros aproximaram-se, recuaram, sumiram-se. O menino mais velho pôs-se a chorar, sentou-se no chão.– Anda, condenado do diabo, gritou-lhe o pai. Não obtendo resultado, fustigou-o com a bainha da faca de ponta. Mas o pequeno esperneou acuado, depois sossegou, deitou-se, fechou os olhos. Fabiano ainda lhe deu algumas pancadas e esperou que ele se levantasse. Como isto não acontecesse, espiou os quatro cantos, zangado, praguejando baixo.
Demonstrativa
A prosa demonstrativa engloba cartas, diálogos e textos, tratados e ensaios.
Confira abaixo um trecho do livro Harry Potter – Relíquias da Morte, de J. K. Rowling.
- Mamãe disse que era a meia noite - disse Rony, que tinha se esticado e colocado as mãos atrás da cabeça para ouvir.Hermione lhe deu um olhar de irritação.- Desculpe, eu só pensei que ia ser melhor se fosse a meia noite! - disse Rony.- Sim, porque nós realmente precisamos de mais terror em nossas vidas, - disse Harry antes que pudesse evitar. Xenófilo que não parecia estar prestando muita atenção disse - Vamos, continue Hermione.

Coletânea da prosa de ficção Harry Potter. (Foto: Flicker).
Em tempo os irmãos acharam um rio muito fundo para atravessar e muito perigoso para atravessar a nado. Contudo, esses irmãos haviam aprendido as artes mágicas, e quando eles simplesmente acenaram suas varinhas, uma ponte apareceu acima da água em revolta. Eles estavam na metade do caminho quando perceberam que a ponte estava bloqueada por uma figura encapuzada.E então, a Morte lhes falou.- Desculpe, interrompeu Harry, - mas a Morte falou com eles?- É um conto de fadas Harry!- Certo, desculpe, continue.E a Morte falou com eles. Ela estava brava, pois tinha sido enganada por suas três novas vítimas, que tiraram dela os viajantes que morriam no rio. Mas a Morte, que era traiçoeira resolveu presentear os três irmãos por sua mágica e disse que cada um deveria pedir um prêmio por ser mais esperto que ela.
Diferenças entre prosa, poesia e prosa-poética
A prosa e poesia são gêneros textuais, o que implica considerar que cada uma possui características próprias de linguagem e estrutura.
Embora a poesia e prosa sejam gêneros diferentes, muitas pessoas confundem esses dois estilos. Contudo, existe um intermédio entre esses dois gêneros, chamado de prosa-poética.
A prosa-poética é o nome da poesia escrita como prosa, mas sem rima e métrica, que são características da poesia. No entanto, a diferença básica entre elas é que no texto poético há uma preocupação com a forma da escrita, em como que as palavras estão dispostas no texto, além de possuir linguagem subjetiva contendo as impressões do autor. Por isso, a poesia é o texto que caracteriza-se pela presença de versos e utilização das figuras de estilo.
Assim, na poesia existe uma preocupação com a aparência estética da escrita, ao contrário da prosa que tem o estilo da escrita em texto corrido, como os textos escritos no dia a dia.

Muitos livros famosos são escritos em prosa. (Foto: Pixabay).
Contexto histórico
O desenvolvimento da prosa ocorreu no período da Idade Média, mas só chegou ao Brasil durante o século XVII, por influência dos jesuítas, sendo o Padre Antônio Vieira o principal nome relacionado ao início da prosa no país.
Ainda assim, no século seguinte a prosa ainda não estava em evidência, vindo a torna-se mais difundida no século XIX. Os primeiros grêmios literários e eruditos que surgiram no Brasil acompanharam o desenvolvimento da prosa, através do surgimento de "academias", na Bahia e no Rio de Janeiro.
Foi somente no século XIX que a prosa ganhou autoridade a partir dos panfletos de Frei Caneca, condenado à morte pela participação na Confederação do Equador.
Escritores destaques na prosa
Os nomes mais famosos quando o assunto é prosa são Hipólito da Costa, com seus ensaios publicados no jornal O Correio Braziliense; Evaristo da Veiga; José de Alencar, com a obra O Guarani; Joaquim Manuel de Macedo, com o livro A Moreninha; Álvares de Azevedo e Manuel Antônio de Almeida.