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Regência Verbal

Postado por Elson Barbosa em 10/04/2019 e atualizado pela última vez em 22/07/2020

Na língua portuguesa, regência significa a relação entre uma palavra e seus dependentes. Na regência verbal, essa relação é identificada através do verbo e seu complemento, sendo dividido da seguinte forma: 

Verbo = Termo regente 
Complemento = Termo regido

O que é regência?


Há verbos e nomes que exigem a presença de outros termos para formar sentido. Essa necessidade em haver ou não um complemento é denominado de regência. 

Compreender a regência dos termos é importante para analisar os significados de um verbo, assim como a diferença que a mudança ou a retirada de uma preposição pode causar em uma frase. ´

Exemplo:

O pai assiste o filho – significa ver, observar.
O pai assiste ao filho – que dizer prestar assistência, ajudar.

Pode-se observar que nesse caso que a oração é totalmente diferente, com relação ao significado, em virtude da preposição “a”Quando um termo, seja ele verbo ou nome, exige a presença de outro, ele se chama regente. Já os que completam o seu contexto são chamados de regidos. 

Exemplo: 

Nem todo mundo acredita em disco voador. 

Acredita: Verbo = termo regente 
Disco voador: termo regido 

Apoio à criança com câncer. 

Apoio: substantivo = termo regente
Criança com câncer: termo regido 

No primeiro exemplo, o termo regido “em disco voador” completa o sentido do verbo acreditar. No segundo caso, a criança com câncer completa o sentido do substantivo apoio. 

Observação:

Quando o termo regente é um verbo é considerado regência verbal
Quando o termo regente é um nome, seja ele verbo, adjetivo ou advérbio, ele é considerado regência nominal


Compreender a regência verbal de uma oração facilita a compreensão da importância do verbo na frase. (Foto: Wikipédia)

Regência Verbal


A regência verbal analisa a relação do verbo e os complementos. Importante ressaltar que o verbo pode variar de acordo com a transitividade (transitivo direto, transitivo indireto ou intransitivo). 

Verbos Intransitivos: os verbos intransitivos são aqueles em que não há necessidade de complemento para que tenha uma compreensão, pois eles já complementam a informação. 

Exemplo: A chuva cai. 

• Verbos Transitivos Diretos: os verbos transitivos diretos precisam de um complemento para haver uma compreensão da oração, e este completo se dá através dos objetos diretos. Neste caso, não há utilização de preposição após o verbo. Porém, pronomes oblíquos podem ser usados (o, a, os, as, lo, la, los, las, no, na, nos, nas). 

Exemplo: Eu amo-o 

Verbos Transitivos Indiretos: os verbos transitivos indiretos necessitam de preposição entre eles e seus respectivos complementos. Veja alguns exemplos: 

  • - Consistir (sempre empregado com a preposição “em”):

Exemplo: O almoço consiste em macarrão, salada e carne moída.

- Obedecer e desobedecer (os complementos são induzidos pela preposição “a”): 

Exemplo: Desobedecemos às regras escolares.

- Responder (outro caso de regência com preposição “a”): 

Exemplo: Respondemos à garota de camiseta azul.

- Simpatizar e antipatizar (complemento induzido pela preposição “com”)

Exemplo: Simpatizamos com os novos funcionários imediatamente. 

Verbos que permitem objetos diretos e indiretos: em alguns casos, os verbos permitem a utilização tanto de objetos diretos quanto indiretos, sem que haja uma mudança no sentido da frase. Esses verbos são: 

• Abdicar;
• Acreditar;
• Almejar; 
• Ansiar;
• Anteceder;
• Atender;
• Atentar;
• Cogitar; 
• Consentir; 
• Deparar;
• Gozar;
• Necessitar;
• Preceder;
• Presidir;
• Renunciar;
• Satisfazer;
• Versar. 

Confira alguns exemplos desses verbos incluídos nas orações. 

- O rei abdicou o trono / O rei abdicou do trono.

- Não acreditava a força que tinha seu filho. / Não acreditava na força que tinha seu filho.

Almejamos sucesso na carreira. / Almejamos por sucesso na carreira.

Anseio respostas imediatas. / Anseio por respostas imediatas.

- Sandro atendeu o telefone. / Sandro atendeu ao telefone.

Atente-se esta explicação do colega. / Atente-se a esta explicação do colega.

Cogitamos morar fora do país. / Cogitamos em morar fora do país.

- Os pais consentiram a ida do filho à festa. / Os pais consentiram na ida do filho à festa.

- Armando gozava boa saúde. / Armando gozava de boa saúde.

Necessitamos algumas horas juntos para matar a saudade. / Necessitamos de algumas horas juntos para matar a saudade.

- O rito precede a mudança de cargo. / O rito precede à mudança de cargo.

- O padre presidiu o encontro de noivos. / O padre presidiu ao encontro de noivos.

- O encontro versou os anos em que estivemos afastados. / O encontro versou sobre os anos em que estivemos afastados.

Verbos que exigem objetos diretos e indiretos: em alguns casos, obrigatoriamente, os verbos necessitam tanto dos objetivos diretos quanto dos objetos indiretos como complemento. Sendo assim, eles são chamados de verbos transitivos diretos e indiretos. 

Alguns deles são: 

• Agradecer; 
• Perdoar;
• Pagar. 

Confira a exemplificação 

• Agradecemos ao pastor a doação (ao = preposição; a = artigo).
• Pagamos ao banco a última parcela do financiamento (ao = preposição; a = artigo).

Transitividade e mudança de significado


Já em alguns casos, o verbo muda de significado de acordo com a mudança de transitividade. Confira alguns exemplos: 

Agradar
Agradamos o cachorro do vizinho (fizemos agrados). 
Agradamos ao cachorro do vizinho (fomos agradáveis ao).

Aspirar
Aspiramos o ar limpo do campo (inspiramos = objeto direto). 
Aspiramos ao cargo de supervisor (desejamos = objeto indireto).

Assistir
Assistimos as crianças brincarem (objeto direto = presenciar). 
Assistimos às crianças em momentos de necessidade (dar assistência = objeto indireto).

Chamar
Chamamos os funcionários deste setor (convocamos = objeto direto). 
Chamamos ao juiz de ladrão (apelidamos = objeto indireto).

Custar
Custou dizer que partiria em breve (foi difícil = objeto direto). 
Custou ao pai quinhentos reais a formatura da filha (preço = objeto indireto).

Querer
Quero viajar nas férias. ( transitivo direto)
Quero a Amaro como um filho. (transitivo indireto)

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