A produção de conhecimento científico ainda é feita de forma limitada e desigual, deixando de incluir muitos grupos, como pessoas do gênero feminino. Apesar de terem conquistado mais espaço na academia, as mulheres enfrentam mais desafios do que os homens para permanecerem nas áreas de pesquisa que escolheram. No entanto, elas continuam buscando carreiras como cientistas para influenciar o mundo com suas perspectivas.
Em 11 de fevereiro, celebramos o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, uma iniciativa da Unesco e da ONU Mulheres. A data, que foi estabelecida pela Assembleia das Nações Unidas em 2015, procura chamar a atenção para a desigualdade entre homens e mulheres na ciência. De acordo com a Unesco, apenas 30% dos cientistas no mundo são mulheres. No Brasil, essa proporção é ainda menor, com apenas 14% das posições na Academia Brasileira de Ciências ocupadas por mulheres.
A comemoração também é uma oportunidade para a divulgação de iniciativas que trabalham para diminuir a desigualdade de gênero na área científica, como o Programa Beatriz Nascimento de Mulheres na Ciência, lançado pelo governo federal em novembro de 2023. São ofertadas bolsas de doutorado-sanduíche e pós-doutorado no exterior para pesquisadoras negras, ciganas, quilombolas e indígenas, em qualquer área do conhecimento. O nome do programa homenageia a professora e historiadora Beatriz Nascimento, de Sergipe, que sempre uniu a luta contra o racismo à sua vida acadêmica.
Sobre Beatriz Nascimento
Beatriz Nascimento foi uma das fundadoras do Grupo de Trabalho André Rebouças na Universidade Federal Fluminense (UFF) e membro do Movimento Negro Unificado (MNU), antes conhecido como Movimento Negro contra a Discriminação Racial (MNUCDR). Ela dedicou duas décadas ao estudo dos quilombos no Brasil como pesquisadora. Além disso, ela foi uma figura destacada no feminismo negro, investigando as discriminações enfrentadas pelas mulheres negras.
Infelizmente, Beatriz foi vítima de feminicídio em janeiro de 1995, enquanto cursava mestrado em Comunicação na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Em 2021, a UFRJ concedeu a Beatriz Nascimento o título póstumo de doutora honoris causa.
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