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CARREIRA

Amizades no trabalho pesam mais que salário, aponta estudo

Pesquisa revela que vínculos pessoais influenciam mais que ganhos financeiros na carreira
Amizades no trabalho pesam mais que salário, aponta estudo

Uma tendência vem se consolidando nas empresas: a valorização das amizades no ambiente de trabalho. O estudo Friends at Work 2024, realizado pela KPMG, mostra que os vínculos entre colegas pesam mais do que a remuneração em muitas decisões profissionais, e que cultivar conexões pode ser um diferencial estratégico para organizações que desejam reter talentos.


De acordo com a pesquisa, 57% dos trabalhadores aceitariam receber 10% menos do que a média de mercado para atuar ao lado de amigos. Na mesma proporção, rejeitariam uma proposta com salário 10% maior se isso implicasse em não ter espaço para desenvolver relações pessoais no escritório.


O custo da solidão corporativa


O dado não surpreende diante do cenário atual. O ambiente corporativo enfrenta uma epidemia de burnout e transtornos mentais, com consequências diretas para a saúde dos colaboradores e para os custos das empresas. Apenas em 2024, o Brasil registrou 472 mil afastamentos por transtornos mentais, o maior número em 10 anos, segundo o Ministério da Previdência Social, um aumento de 67% em relação ao ano anterior.


Paralelamente, cresce a sensação de solidão dentro das companhias: 45% dos trabalhadores afirmam se sentir isolados, quase o dobro do índice de 2023 (24%). Esse afastamento social tem impacto direto nos resultados: estimativas apontam perdas de até US$ 154 bilhões anuais por conta da queda de produtividade, desengajamento e rotatividade de funcionários.


Amizades aumentam produtividade


O levantamento mostra que os laços sociais no ambiente corporativo são mais comuns do que se imagina: 98% dos profissionais afirmam ter pelo menos um amigo próximo no trabalho, com média de 4,5 colegas nessa condição, mais que o dobro em comparação ao ano anterior. 

Essas conexões geram impactos positivos claros:


30% dizem que as amizades aumentam motivação e produtividade;

25% relatam que o apoio emocional e as novas perspectivas fazem diferença;

Outros mencionam benefícios como sensação de pertencimento, redução do risco de burnout, estímulo à inovação e fortalecimento do networking.


Em meio à digitalização crescente e ao uso da inteligência artificial, que tendem a reduzir as interações humanas, 86% dos entrevistados acreditam que a necessidade de contato com amigos no ambiente profissional só deve crescer nos próximos anos.


Cultura organizacional como diferencial competitivo


Mais do que um detalhe, o incentivo a amizades entre colegas tem se tornado critério estratégico para atração e retenção de talentos. Segundo o estudo, 90% dos profissionais avaliam positivamente empresas que promovem conexões sociais, e 87% afirmam que esse aspecto pesa na decisão de permanecer ou sair de uma organização.


Para Sandy Torchia, vice-chair de talento e cultura da KPMG nos EUA, esse é um alerta para as lideranças: “À medida que as empresas lidam com incertezas econômicas e com a adoção da inteligência artificial, não podemos perder de vista a importância das amizades no trabalho, essenciais para manter equipes saudáveis e engajadas.”


Como estimular amizades no trabalho


O levantamento também trouxe sugestões práticas de iniciativas que podem aproximar os profissionais e fortalecer vínculos sociais:


Encontros presenciais e sociais promovidos pela empresa;

Espaços comuns que favoreçam interações espontâneas;

Almoços de equipe e dinâmicas de integração;

Programas de mentoria e grupos de interesse compartilhado.


Essas estratégias permitem que colegas se conheçam além das funções formais, ampliando empatia, confiança e colaboração. Para as organizações, isso se traduz em times mais engajados, produtivos e com menor taxa de rotatividade.


Saúde social: a nova prioridade das empresas


O tema também é respaldado por outros levantamentos. Segundo a Gallup, um em cada cinco trabalhadores no mundo se sente sozinho no trabalho. Ao mesmo tempo, funcionários que possuem amizades no ambiente profissional são até sete vezes mais engajados.


Especialistas defendem que, assim como a saúde física e mental, a chamada “saúde social” precisa ser considerada como pilar estratégico para o bem-estar e para os negócios. Relações de confiança e amizade contribuem para reduzir o estresse, aumentar a motivação e fortalecer a sensação de pertencimento, fatores diretamente ligados à performance corporativa.


Conexões além do modelo de trabalho


Engana-se quem pensa que o modelo presencial, por si só, garante laços mais fortes. Para especialistas, criar conexões depende de intenção e cultura organizacional, independentemente de a jornada ser híbrida, remota ou no escritório.


Pequenos rituais, como pausas para o café, check-ins semanais ou almoços coletivos, podem fortalecer os vínculos. Além disso, práticas de reconhecimento público e valorização de contribuições ajudam a consolidar uma cultura de confiança.


Desafios e oportunidades em equipes multigeracionais


Outro ponto em destaque é a diversidade etária no ambiente de trabalho. Durante o SXSW, evento global de inovação, especialistas apontaram que diferentes gerações podem colaborar de forma mais eficaz quando há políticas que estimulam integração. Entre as estratégias citadas estão:


Reverse mentoring, em que profissionais mais jovens compartilham conhecimentos digitais e tendências, enquanto os mais experientes contribuem com visão estratégica e desenvolvimento de carreira;

Grupos de afinidade, que aproximam profissionais com interesses em comum;

Treinamentos conjuntos, que favorecem a atualização contínua de todos os colaboradores.


Essas iniciativas ajudam a reduzir conflitos de valores, alinhar estilos de comunicação e aproveitar o melhor de cada faixa etária.


Relações humanas como motor do futuro do trabalho


O estudo reforça que, em um mundo cada vez mais tecnológico, as conexões humanas se tornam o verdadeiro diferencial competitivo. Amizades no trabalho não apenas melhoram a qualidade de vida dos profissionais, mas também contribuem para empresas mais saudáveis, inovadoras e resilientes.


Ou seja: colegas nem sempre serão amigos. Mas quando são, o resultado é positivo para todos, para o bem-estar dos indivíduos e para o desempenho das organizações.


Veja tambémFazer amigos no trabalho diminui risco de burnout e impulsiona carreira, diz pesquisa


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Fonte: Administradores e Forbes

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