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Aprendizagem na educação básica segue abaixo dos níveis pré-pandemia

Estudo revela que estudantes ainda enfrentam dificuldades em matemática e português
Aprendizagem na educação básica segue abaixo dos níveis pré-pandemia

Mais de quatro anos após o início da pandemia de Covid-19, os efeitos da crise sanitária ainda ecoam fortemente na educação brasileira. Apesar de avanços, os dados mais recentes mostram que o país não conseguiu recuperar os níveis de aprendizagem registrados em 2019, antes do fechamento das escolas e da adoção do ensino remoto. As desigualdades educacionais, que já eram motivo de preocupação, foram acentuadas.


Essas são algumas das principais conclusões do estudo "Aprendizagem na Educação Básica: Situação Brasileira no Pós-Pandemia", divulgado em abril pelo movimento Todos Pela Educação, com base nos dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). A avaliação, aplicada em 2023, mediu o desempenho dos estudantes em matemática e língua portuguesa no 5º e 9º anos do ensino fundamental e no ensino médio.


Queda persistente nos indicadores de aprendizagem


Os números evidenciam que o Brasil ainda está aquém dos patamares de 2019 em todas as etapas avaliadas:


5º ano do ensino fundamental: em 2023, 55,1% dos alunos tinham aprendizagem adequada em língua portuguesa e 43,5% em matemática. Em 2019, esses índices eram 56,5% e 46,7%, respectivamente.


9º ano do ensino fundamental: a proporção de estudantes com aprendizagem adequada em português manteve-se em 35,9%, mesmo percentual de 2019. Em matemática, porém, houve queda de 18,4% para 16,5%.


Ensino médio: a situação é ainda mais preocupante. Em 2023, apenas 32,4% dos alunos atingiram aprendizagem adequada em português, contra 33,5% em 2019. Em matemática, o índice caiu de 6,9% para apenas 5,2%.


Os dados demonstram que, apesar de uma recuperação parcial em relação aos anos mais críticos da pandemia, como 2021, o nível geral de aprendizagem permanece estagnado ou em declínio. Para o Todos Pela Educação, esse cenário evidencia a necessidade de políticas públicas urgentes e focadas na recomposição das aprendizagens.


“Se os desafios já eram grandes antes da pandemia da covid-19, o contexto atual torna ainda mais urgente o fortalecimento de políticas públicas focadas na recomposição das aprendizagens e na redução das desigualdades, garantindo o direito à educação de qualidade para todos”, aponta o estudo.


Desigualdades acentuadas: um desafio histórico agravado


Além da queda nos níveis de aprendizagem, o levantamento chama a atenção para o agravamento das desigualdades educacionais. A pandemia intensificou disparidades já existentes entre diferentes grupos raciais, socioeconômicos e regiões do país.


As desigualdades raciais, por exemplo, aumentaram consideravelmente. No 5º ano do ensino fundamental, a diferença entre alunos brancos/amarelos e pretos/pardos/indígenas com aprendizagem adequada em língua portuguesa subiu de 7,9 pontos percentuais, em 2013, para 8,2 pontos percentuais em 2023. Em matemática, o salto foi de 8,6 para 9,5 pontos percentuais no mesmo período.


No ensino médio, essa distância se manteve ou aumentou. A diferença entre estudantes brancos/amarelos e pretos/pardos/indígenas em português passou de 11,1 para 14 pontos percentuais de 2013 a 2023. Em matemática, a desigualdade permaneceu praticamente estável, com uma leve melhora (de 4,4 para 3,9 pontos percentuais), mas ainda em níveis alarmantes.


As diferenças também são marcantes entre alunos de diferentes níveis socioeconômicos. No 5º ano, 61% dos alunos mais ricos alcançaram aprendizagem adequada em português, contra 45% entre os mais pobres. Em matemática, os percentuais foram de 52% para os mais ricos e 32% para os mais pobres. Essas desigualdades, segundo os especialistas, comprometem o princípio da equidade na educação.


A matemática como desafio central


Entre as disciplinas avaliadas, matemática se destaca como o maior desafio da educação básica. Segundo dados divulgados em parceria com o Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede), e disponíveis na plataforma QEdu, o desempenho em matemática continua preocupante.


No 9º ano do ensino fundamental, apenas 16% dos estudantes alcançaram aprendizagem adequada em matemática em 2023. O índice, que já era baixo antes da pandemia (18%), caiu para 15% em 2021 e ainda não se recuperou totalmente. No 3º ano do ensino médio, a situação é ainda mais crítica: apenas 5% dos estudantes atingem o nível considerado adequado desde 2021.


desigualdade racial também é evidente nesse recorte: enquanto 8% dos estudantes brancos alcançam o desempenho adequado em matemática, apenas 3% dos estudantes pretos atingem o mesmo nível.


Caminhos para a recuperação


Diante desse panorama, especialistas e organizações da sociedade civil defendem um conjunto de medidas urgentes para enfrentar o retrocesso educacional. Entre as ações prioritárias estão:


Programas de recomposição da aprendizagem, com foco nos conteúdos essenciais e com suporte pedagógico contínuo.

Formação e valorização de professores, especialmente para o ensino de matemática, considerada uma disciplina crítica.

Investimentos em infraestrutura escolar e conectividade, para garantir que todos os alunos tenham acesso a condições mínimas de aprendizado.

Políticas públicas com foco na equidade, voltadas a estudantes mais vulneráveis do ponto de vista socioeconômico e racial.


Para o Todos Pela Educação, a retomada da aprendizagem e a redução das desigualdades devem ser o foco central das políticas educacionais nos próximos anos. Caso contrário, o país corre o risco de consolidar uma geração marcada por perdas irreparáveis no aprendizado e na formação cidadã.


Veja tambémComo apoiar a transição da Educação Infantil para o Ensino Fundamental?


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Fonte: Agência Brasil

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