A segunda edição do Concurso Público Nacional Unificado (CNU 2) reforçou os avanços em diversidade no serviço público federal. Segundo o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, 40,5% dos aprovados foram selecionados por meio das políticas de cotas, acima dos 33,6% registrados na primeira edição.
Os dados foram apresentados pela ministra Esther Dweck, que destacou o concurso como um instrumento para tornar o serviço público mais representativo da população brasileira.
Entre os aprovados pelas cotas, 29,7% são pessoas negras, 2% indígenas, 1,2% quilombolas e 7,6% pessoas com deficiência. Ao todo, o CNU 2 aprovou 3.649 candidatos de 578 municípios de todos os estados, ampliando a presença regional no processo seletivo.
Diversidade e representatividade em alta
A ampliação da presença de grupos historicamente sub-representados é um dos principais destaques desta edição. Para a ministra, o avanço reflete uma política pública consistente de inclusão. A proposta do concurso unificado é ampliar o acesso às carreiras públicas, considerando critérios sociais, regionais e étnico-raciais.
O perfil dos aprovados também mostra crescimento na participação feminina. As mulheres representam 48,4% dos selecionados, um salto significativo em relação aos 37% registrados na primeira edição. Entre os inscritos, elas foram maioria, com 60% das candidaturas.
Nordeste ganha mais espaço
Outro ponto relevante é o aumento da participação regional, especialmente do Nordeste. A região passou de 26% dos aprovados na primeira edição para 29,3% no CNU 2. O Sudeste lidera com 34,5%, seguido pelo Centro-Oeste (25,3%), Sul (5,7%) e Norte (5,2%).
O modelo descentralizado do concurso, com provas aplicadas em 228 cidades, permitiu que candidatos realizassem o exame próximos de suas residências. Ao todo, houve aprovados em 196 municípios, reforçando o alcance nacional da iniciativa.
Modelo integrado ganha força
Coordenado pelo MGI em parceria com a Escola Nacional de Administração Pública, o CNU tem se consolidado como um novo formato de seleção para o serviço público federal. Na segunda edição, 32 órgãos participaram do processo, um aumento em relação aos 21 da primeira edição.
Apesar da redução no número de vagas ofertadas, de 6.640 no primeiro concurso para 3.652 no segundo, o modelo manteve alta adesão, com mais de 761 mil inscritos. O número reforça o interesse pelas carreiras públicas e a relevância do formato unificado.
Reposição de servidores e equilíbrio fiscal
O CNU também integra uma estratégia mais ampla de recomposição do quadro de servidores públicos federais. Entre 2023 e março de 2026, 19.381 pessoas ingressaram no serviço público por meio do concurso unificado e de outras seleções. No mesmo período, 16.546 servidores se aposentaram.
A expectativa é que, entre 2026 e 2030, cerca de 70 mil servidores deixem o serviço público, o que reforça a necessidade de continuidade das políticas de ingresso.
Segundo o governo, a recomposição tem sido realizada dentro dos limites fiscais, sem aumento da despesa com pessoal em relação ao PIB. O crescimento real médio ficou abaixo de 2,5%, mantendo o equilíbrio das contas públicas.
Transformação do acesso ao serviço público
Para o MGI, o concurso unificado representa uma mudança estrutural na forma de ingresso no setor público. O modelo busca tornar os processos mais eficientes, transparentes e acessíveis, ao mesmo tempo em que amplia a diversidade entre os futuros servidores.
Com oportunidades distribuídas em diferentes áreas estratégicas, o CNU 2 reforça o papel do Estado na formulação e execução de políticas públicas e sinaliza uma nova etapa na modernização da administração pública federal.
A próxima fase do processo inclui convocação dos aprovados, cursos de formação e etapas específicas conforme o cargo, até a efetiva nomeação dos novos servidores.
Veja também: Bolsas de estudo para preparatório para concursos em 2026
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