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CARREIRA

Jovens enfrentam dificuldade para entrar no mercado de trabalho

Crescimento das vagas não acompanha novos profissionais em diversos países
Jovens enfrentam dificuldade para entrar no mercado de trabalho

Conseguir o primeiro emprego tem sido um desafio crescente para jovens em diferentes partes do mundo. Enquanto o número de pessoas que entram no mercado de trabalho aumenta, a criação de novas vagas não acompanha esse ritmo. O resultado é um cenário de maior concorrência, dificuldade de inserção profissional e perspectivas mais incertas para quem está começando a carreira.


Além da desaceleração econômica, especialistas apontam que as empresas estão mais exigentes nos processos seletivos, priorizando candidatos com experiência, mesmo para cargos de entrada. Esse contexto tem tornado a transição entre os estudos e o mercado de trabalho mais longa e desafiadora.


Desemprego juvenil preocupa diversos países


A falta de oportunidades já provocou manifestações em países como Quênia, Peru, Nepal, Indonésia e Filipinas. Neste ano, protestos também ocorreram na África do Sul e no Marrocos, refletindo uma preocupação que deixou de ser local para ganhar dimensão global.


O desemprego juvenil considera os jovens, geralmente entre 15 e 24 anos, que procuram uma ocupação, mas não conseguem ingressar no mercado de trabalho. Embora esse índice tradicionalmente seja superior ao desemprego geral, especialistas observam que a diferença entre as duas taxas vem aumentando em vários países.


China e Brasil refletem esse cenário


A China é um dos exemplos mais representativos desse fenômeno. O número de estudantes universitários cresceu mais rapidamente do que a oferta de empregos, aumentando a competição entre recém-formados. Em maio, a taxa oficial de desemprego entre jovens urbanos de 16 a 24 anos foi de 15,6%, bem acima da taxa geral de desemprego do país, em torno de 5%.


No Brasil, a realidade também preocupa. Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), a taxa de desemprego entre pessoas de 18 a 24 anos chega a 13,8%, mais que o dobro da média nacional, de 5,8%. Além disso, quase um em cada cinco brasileiros de 14 a 24 anos não estuda nem trabalha.


Inteligência artificial ainda não é a principal causa


O avanço da inteligência artificial aumentou a preocupação sobre o futuro das vagas de entrada, principalmente em funções administrativas. Apesar disso, especialistas afirmam que ainda não existe consenso de que a tecnologia seja a principal responsável pela redução das oportunidades para os jovens


A avaliação é que fatores como crescimento econômico lento e menor geração de empregos continuam tendo peso maior nesse cenário. Outro levantamento da Organização Internacional do Trabalho (OIT) mostra que o desemprego juvenil aumentou em oito das onze regiões analisadas entre 2023 e 2025. 


Os setores que mais reduziram vagas foram manufatura, construção civil e serviços. Em contrapartida, áreas como ciência, engenharia, saúde e tecnologia da informação seguem apresentando melhores perspectivas de contratação.


Falta do primeiro emprego pode gerar impactos duradouros


A dificuldade para conquistar a primeira oportunidade vai além da renda. Sem experiências profissionais, muitos jovens deixam de desenvolver competências valorizadas pelo mercado, o que pode comprometer a evolução da carreira. Também há reflexos econômicos e sociais, como adiamento de projetos pessoais, redução do consumo e maior insegurança financeira.


Para especialistas da OIT, reverter esse quadro depende de crescimento econômico, ampliação da oferta de empregos de qualidade e políticas públicas que facilitem a entrada dos jovens no mercado de trabalho, fortalecendo a transição entre a educação e a vida profissional.


Veja tambémApenas 10% dos jovens priorizam graduação, revela pesquisa


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Fonte: Deutsche Welle, no G1

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