A diferença de remuneração entre homens e mulheres também aparece no mercado freelancer. No Brasil, profissionais autônomas cobram, em média, 25,6% menos por hora do que os homens, segundo levantamento realizado pela Remitly com dados de mais de 58 mil freelancers da plataforma Upwork.
De acordo com o estudo, divulgado com exclusividade ao JOTA, as brasileiras cobram, em média, US$ 27,57 por hora, o equivalente a cerca de R$ 144,01. Entre os homens, a média chega a US$ 37,06, aproximadamente R$ 193,58.
O resultado coloca o Brasil acima da média mundial. Globalmente, a diferença de remuneração entre homens e mulheres freelancers é de 19%. Elas cobram, em média, US$ 31,33 por hora, enquanto eles chegam a US$ 38,66.
Brasil tem maior diferença da América Latina
Na comparação com outros países latino-americanos analisados, o Brasil apresenta a maior disparidade salarial entre freelancers.
A Argentina aparece na sequência, com 25,3%, seguida por Peru (24,8%), Venezuela (19,2%), México (18,9%) e Costa Rica (18,2%). A diferença brasileira também é quase o dobro da registrada na Colômbia, onde o gap chega a 13,5%.
No ranking global, porém, o Brasil não está entre os países com maior desigualdade. A Tailândia lidera, com uma diferença de 51,7% entre os valores cobrados por homens e mulheres. Hungria (45%), Bangladesh (42%), Malásia (40,2%) e República Tcheca (40,1%) também apresentam índices elevados.
Consultoria de marketing chama atenção
A disparidade aumenta ainda mais quando são analisadas áreas profissionais específicas. No Brasil, a consultoria de marketing apresenta a maior diferença, com mulheres cobrando 65,6% menos por hora do que homens.
O levantamento também identificou diferenças importantes em outras áreas. Em finanças e contabilidade, por exemplo, as freelancers recebem, em média, 26,1% menos. Na área jurídica, a diferença chega a 21,4%.
Os números mostram que a desigualdade não se limita ao emprego tradicional e também alcança modelos de trabalho mais flexíveis, nos quais profissionais definem seus próprios valores e negociam diretamente com clientes.
Desigualdade também aparece no emprego formal
O cenário identificado entre freelancers acompanha uma realidade observada no mercado de trabalho formal brasileiro. Segundo o 5º Relatório de Transparência Salarial e Critérios Remuneratórios, do Ministério do Trabalho e Emprego, as mulheres recebem, em média, 21,3% menos que os homens no setor privado.
Apesar de o emprego feminino ter crescido 11% desde 2023, passando de 7,2 milhões para 8 milhões de trabalhadoras, a diferença salarial permanece. Em 2025, a remuneração média das mulheres foi de R$ 3.965,94, enquanto a dos homens chegou a R$ 5.039,68.
O levantamento também evidencia uma desigualdade ainda maior quando gênero e raça são considerados conjuntamente. Mulheres negras apresentam a menor remuneração média, de R$ 3.026,66, enquanto homens não negros registram a maior, de R$ 6.560,02.
Negociação e valorização profissional entram em debate
Para especialistas da Remitly, o mercado freelancer possui uma dinâmica própria e fatores como posicionamento profissional, negociação e acesso a clientes internacionais podem influenciar os valores cobrados.
Nesse contexto, conhecer o próprio mercado, definir preços de acordo com experiência e qualificação e desenvolver habilidades de negociação podem ser estratégias importantes para profissionais que atuam de forma independente.
Os dados, porém, reforçam que a discussão sobre igualdade de oportunidades e remuneração precisa alcançar também a economia freelancer, especialmente diante do crescimento do trabalho independente e das plataformas digitais.
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Qual graduação fazer para conseguir trabalhos freelancers?
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Além da formação, é essencial desenvolver um portfólio sólido e estar sempre atualizado sobre as tendências do setor. Participar de comunidades online e redes sociais também pode ajudar a encontrar oportunidades e construir uma rede de contatos. A prática e a experiência são fundamentais para se destacar como freelancer.
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