Uma pesquisa inédita ouviu mais
de 57 mil professores que ensinam matemática na rede pública de educação básica
e revelou que mais de 94% consideram a profissão significativa e com propósito.
O levantamento foi realizado pelo
Ministério da Educação (MEC), em parceria com o Conselho Nacional de
Secretários de Educação (Consed) e a União Nacional dos Dirigentes Municipais
de Educação (Undime), com apoio técnico do Itaú Social, Interdisciplinaridade e
Evidências no Debate Educacional (Iede), Porvir e Rede Conhecimento Social
(ReCoS).
A "Escuta Nacional dos
Professores e Professoras que Ensinam Matemática" reuniu respostas de
educadores de mais de 24 mil escolas, presentes em 75% dos municípios
brasileiros. Além do alto nível de engajamento, a pesquisa apontou que mais de
91% dos docentes estão satisfeitos com o próprio desempenho profissional.
Os resultados indicam, porém, a
necessidade de ampliar o apoio pedagógico e os investimentos em formação
inicial e continuada para fortalecer o ensino da matemática nas escolas
públicas.
A pesquisa integra o Compromisso
Nacional Toda Matemática (CNTM), política pública criada pelo Decreto nº
12.641/2025, e servirá de base para ações voltadas à formação docente, produção
de materiais pedagógicos, orientação curricular, avaliação da aprendizagem e
valorização dos professores.
Pesquisa aponta desafios dos professores de matemática
A pesquisa mostrou que a maioria
dos professores de matemática se sente motivada pelo aprendizado dos alunos.
Praticamente todos os docentes afirmaram sentir satisfação quando os estudantes
aprendem, e cerca de 80% concordam totalmente com essa afirmação.
O levantamento também revelou que
nove em cada dez professores acreditam que todos os alunos podem aprender
matemática. No entanto, apenas quatro em cada dez demonstram confiança plena
nessa ideia.
Em relação ao ensino, mais de 74%
afirmam que conseguem ajudar até mesmo estudantes com maiores dificuldades, mas
apenas 30% se sentem totalmente seguros dessa capacidade. A mesma situação
aparece na escolha de estratégias pedagógicas: a maioria acredita que consegue
selecionar métodos adequados, mas poucos demonstram total confiança nessa
decisão.
A pesquisa identificou ainda
desafios relacionados ao domínio de conteúdos. Entre os professores dos Anos
Iniciais, 32% disseram não se sentir confiantes em alguns conceitos
matemáticos. Nos Anos Finais, esse percentual cai para 14%, enquanto no Ensino Médio fica em 16%.
Apesar dos desafios, o ambiente
escolar é visto de forma positiva. Mais de 90% dos participantes afirmaram
contar com apoio da gestão escolar e manter boas relações profissionais.
Entretanto, apenas cerca de 20% demonstraram confiança plena entre os colegas.
Aulas expositivas ainda predominam no ensino da matemática
A pesquisa mostra que a maioria dos professores busca tornar a matemática mais próxima da realidade dos estudantes. Mais de 81% dos docentes afirmam relacionar os conteúdos ao cotidiano em todas ou quase todas as aulas. Além disso, entre 80% e 85% dizem apresentar regularmente os objetivos das atividades e conectar novos conteúdos aos conhecimentos já adquiridos pelos alunos.
As aulas expositivas continuam
sendo a principal estratégia de ensino, especialmente nas etapas mais avançadas
da educação básica. O formato é utilizado com frequência por 74% dos
professores dos Anos Iniciais, 85% dos docentes dos Anos Finais e 89% dos educadores
do Ensino Médio.
Por outro lado, metodologias mais
práticas aparecem com menor frequência. Entre 57% e 59% dos professores afirmam
utilizar regularmente atividades como projetos, desafios e resolução de
problemas. Já as pesquisas orientadas em livros, bibliotecas ou acervos
digitais são realizadas com frequência por apenas 33% a 35% dos docentes.
Formação inicial e prática pedagógica
Nos Anos Iniciais, 54% dos
professores de matemática relatam base sólida em fundamentos da educação, mas
apenas 39% em didática e 40% em conteúdos específicos; em equidade e inclusão,
35% não tiveram formação e só 16% tiveram aprofundamento.
Já nos Anos Finais e no Ensino Médio, cresce o domínio de conteúdo (70% a 72% com formação aprofundada), mas a didática segue abaixo (61% e 63%, respectivamente). Em relação à avaliação da aprendizagem, 42% indicam necessidade de aprofundamento.
As lacunas em equidade
persistem (33% a 39% sem formação e menos de 20% com aprofundamento). Temas
como gestão de sala e recomposição de aprendizagens aparecem de forma mais
equilibrada, embora ainda predominem formações introdutórias.
Professores se sentem preparados para ensinar matemática
A pesquisa mostra que a maioria
dos professores de matemática se considera preparada para ensinar conteúdos e
aplicar estratégias pedagógicas, especialmente nos Anos Finais do Ensino
Fundamental e no Ensino Médio. Nesses níveis, mais de 90% dos docentes afirmam
ter confiança no ensino da disciplina.
Apesar dos resultados positivos,
os maiores desafios estão relacionados à equidade, inclusão e recomposição da
aprendizagem. Nos Anos Iniciais, apenas 56% dos professores se sentem
preparados para trabalhar temas ligados à inclusão e diversidade. Nos Anos
Finais e no Ensino Médio, os índices são de 60% e 57%, respectivamente, os
menores entre todos os aspectos avaliados.
Licenciatura: formação para quem deseja transformar vidas por meio da educação
A pesquisa nacional com mais de
57 mil professores de matemática mostrou que a maioria dos docentes acredita no
impacto da profissão e encontra propósito no trabalho realizado em sala de
aula.
Os dados também reforçam a importância da formação de qualidade para preparar educadores diante dos desafios da educação brasileira. Para quem deseja seguir carreira no ensino, os cursos de licenciatura são o caminho para atuar na educação básica e contribuir para a formação de crianças, adolescentes e jovens. Entre as opções estão Licenciatura em Matemática, Pedagogia, Letras, História, Geografia, Biologia, Química, Física e Educação Física.
Além de preparar profissionais
para a docência, a graduação em licenciatura desenvolve competências
pedagógicas, didáticas e metodológicas essenciais para o processo de ensino e
aprendizagem.
O Educa Mais Brasil oferece bolsas de estudo para cursos de licenciatura em instituições de ensino parceiras em diversas regiões do país. As oportunidades podem garantir descontos de até 85% nas mensalidades durante todo o curso, facilitando o acesso ao ensino superior.

