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CARREIRA

Telemedicina chega a apenas 10% dos municípios brasileiros

Falta de médicos e estrutura precária limitam avanço das consultas online no país
Telemedicina chega a apenas 10% dos municípios brasileiros

telemedicina, que utiliza tecnologias digitais para oferecer atendimento médico a distância, ainda é realidade para uma pequena parcela dos brasileiros. Segundo levantamento da Frente Nacional dos Prefeitos (FNP), apenas 10% dos municípios do país oferecem consultas médicas online. A falta de infraestrutura tecnológica e de internet de qualidade é o principal entrave para que o serviço chegue a mais regiões, especialmente no Norte, Nordeste e Centro-Oeste, onde há maior escassez de médicos.


Essa modalidade permite teleconsultas, telediagnósticos, telemonitoramento e interconsultas entre especialistas, tudo feito por meio de plataformas seguras que utilizam computação em nuvem. Basta um computador, tablet ou smartphone com acesso à internet para que pacientes recebam atendimento remoto, enquanto profissionais de saúde trocam informações clínicas e gerenciam prontuários de forma digital.


Alternativa para regiões com poucos profissionais


A pesquisa da FNP mostra que a teleconsulta pode reduzir o impacto da falta de médicos, principalmente em áreas críticas como oftalmologia, ortopedia, neurologia e cirurgia geral. Em muitos municípios, o atendimento remoto é realizado por médicos e enfermeiros diretamente das unidades básicas de saúde (UBSs), permitindo que pacientes com quadros simples sejam atendidos rapidamente, enquanto casos mais graves recebem prioridade nas filas presenciais do Sistema Único de Saúde (SUS).


Durante a pandemia de Covid-19, o modelo se popularizou: segundo a Saúde Digital Brasil, o número de atendimentos cresceu 372%, chegando a 7,5 milhões de consultas. O desafio agora é transformar esse avanço emergencial em uma política de longo prazo, capaz de democratizar o acesso à saúde.


Investimentos e regulamentação


Para ampliar o alcance, o Ministério da Saúde incluiu a telessaúde no PAC da Saúde, com previsão de R$ 300 milhões em investimentos para digitalizar o atendimento e reduzir em até 30% o tempo de espera no SUS. A secretária de Informação e Saúde Digital, Ana Estela Haddad, explica que o programa busca superar o chamado “vazio assistencial”, garantindo que mesmo municípios distantes tenham acesso a especialistas.


Além do investimento, o serviço está regulamentado pela Lei nº 14.510/2022 e pela Resolução CFM 2.314/2022, que definem critérios técnicos e éticos para sua prática em todo o território nacional. O Conselho Federal de Medicina (CFM) reconhece a telemedicina como o exercício da medicina mediado por tecnologias digitais, para fins de assistência, prevenção e promoção da saúde.


Projeto no Rio mostra resultados


Um exemplo de sucesso vem do Rio de Janeiro, onde um projeto piloto desenvolvido pela prefeitura, em parceria com o Ministério da Saúde, a Fiocruz e a ONG Redes da Maré, oferece consultas online para moradores de comunidades. Mobilizadores locais orientam os pacientes sobre como agendar e participar das teleconsultas, o que resultou em uma redução de 20% nas filas de espera na unidade básica da região.


Diferenças entre telemedicina, telessaúde e e-Saúde


Embora frequentemente usados como sinônimos, os termos têm significados distintos.


Telemedicina: prática médica a distância, envolvendo consultas, diagnósticos e acompanhamento de pacientes.

Telessaúde: conceito mais amplo, que inclui a telemedicina, mas também abrange educação em saúde e gestão hospitalar remota.

e-Saúde: iniciativa voltada à integração digital das informações médicas, visando melhorar a qualidade e o acesso ao atendimento.


Um futuro mais digital e inclusivo


A expansão da telemedicina é vista como uma solução estratégica para descentralizar o atendimento, reduzir custos e otimizar o tempo de pacientes e profissionais. Além de eliminar barreiras geográficas, a prática facilita a troca entre especialistas e melhora a eficiência dos diagnósticos.


Com a regulamentação consolidada e investimentos em andamento, o desafio é garantir infraestrutura tecnológica e formação profissional para que a telemedicina deixe de ser exceção e se torne parte essencial da rotina de saúde pública brasileira, um passo importante rumo a um SUS mais moderno, acessível e conectado.


Aproveite para ler tambémTelemedicina gratuita: como funciona a telemedicina no SUS?


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Fonte: Jornal Nacional e Telemedicina Morsch

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