Durante décadas, o MBA foi visto como o principal caminho para profissionais que desejam alcançar cargos de liderança, empreender ou acelerar a carreira no mundo corporativo. Mas, em meio ao avanço acelerado da Inteligência Artificial (IA), cresce a percepção de que muitos desses programas estão ficando para trás.
Uma pesquisa divulgada pela Forbes Brasil e conduzida pela Arkansas State University revelou que 60% dos estudantes e graduados de MBA consideram os cursos desatualizados para as demandas da era da IA. O estudo ouviu cerca de 150 participantes entre alunos e ex-alunos de programas de pós-graduação em negócios.
O levantamento mostra um contraste evidente entre o ritmo das empresas e o das instituições de ensino. Enquanto 9 em cada 10 organizações já implementam ferramentas de IA em seus processos e operações, muitos estudantes afirmam que a tecnologia ainda aparece de forma superficial nos currículos.
Falta preparo para liderar equipes na era digital
Os dados da pesquisa indicam que a insegurança profissional já faz parte da realidade de muitos alunos. Segundo o estudo:
• 60% se sentem inseguros para liderar equipes que utilizam IA;
• 62% afirmam que a fluência em Inteligência Artificial é pouco explorada nos programas;
• 46% defendem que alfabetização e governança em IA deveriam fazer parte obrigatória dos currículos;
• Apenas 53% dos conteúdos ensinados parecem aplicáveis ao trabalho atual dos estudantes.
O cenário reforça uma preocupação crescente no mercado: profissionais podem sair de programas considerados prestigiados sem domínio das competências que já começam a ser exigidas em empresas orientadas por tecnologia e automação.
As habilidades que os MBAs ainda não ensinam
Tradicionalmente, MBAs focam em gestão, liderança, estratégia empresarial, finanças e relacionamento corporativo. Embora essas competências continuem relevantes, especialistas apontam que elas já não são suficientes para o cenário atual.
A pesquisa destaca uma lacuna importante em habilidades consideradas essenciais para o futuro do trabalho, como:
• Fluência em IA;
• Estratégia de automação;
• Storytelling de dados;
• Transformação digital;
• Liderança ética em tecnologia;
• Planejamento de cenários;
• Liderança multifuncional;
• Pensamento sistêmico aplicado.
Na prática, isso significa que muitos profissionais chegam ao mercado sem preparo para liderar processos de transformação digital, implementar soluções baseadas em IA ou avaliar riscos ligados à tecnologia.
IA evolui mais rápido que a academia
Um dos principais desafios enfrentados pelas universidades é a velocidade com que a Inteligência Artificial avança.
Entre a criação, aprovação e aplicação de uma disciplina, novas ferramentas e tendências já podem ter mudado completamente o cenário. Muitas instituições ainda enfrentam dificuldades para integrar profissionais com experiência prática em IA ao corpo docente.
Em alguns casos, os professores possuem sólida formação acadêmica, mas pouca vivência na aplicação real da tecnologia dentro das empresas. Esse descompasso faz com que conteúdos ensinados hoje corram o risco de chegar atrasados às salas de aula.
Escolas de negócios começam a reagir
Diante da pressão do mercado, algumas instituições já começaram a reformular seus programas. Universidades internacionais e escolas de negócios brasileiras têm criado MBAs focados em Inteligência Artificial, Big Data e transformação digital.
A Wharton School, nos Estados Unidos, lançou iniciativas voltadas para governança e impacto social da IA. No Brasil, cursos voltados à integração entre tecnologia e negócios também vêm ganhando espaço em instituições como FIAP, PUCRS Online, Inteli e USP.
O Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da USP, por exemplo, registrou crescimento expressivo na procura pelo MBA em IA e Big Data nos últimos anos.
A tendência é que os novos programas deixem de focar apenas em teoria e passem a trabalhar com desafios reais, projetos práticos e resolução de problemas do mercado.
Profissionais pagariam mais por MBAs voltados à IA
Apesar das críticas, a pesquisa mostra que os estudantes ainda enxergam valor nos programas de MBA. Muitos entrevistados afirmaram que pagariam mais caro por cursos alinhados às habilidades exigidas pela era da Inteligência Artificial.
O interesse revela uma mudança importante no perfil dos profissionais. Hoje, mais do que um diploma tradicional, o mercado busca líderes capazes de conectar estratégia, tecnologia e inovação.
Especialistas afirmam que a IA não deve substituir totalmente profissionais de liderança, mas tende a transformar profundamente o papel dos gestores. Atividades operacionais e repetitivas podem ser automatizadas, enquanto competências humanas, estratégicas e analíticas ganham ainda mais importância.
O futuro do MBA dependerá da adaptação
Com a IA deixando de ser tendência para se tornar base estratégica dos negócios, cresce a pressão para que escolas de negócios atualizem seus modelos de ensino. A relevância dos MBAs nos próximos anos dependerá da capacidade das instituições de integrar tecnologia, pensamento crítico, ética digital e aplicação prática em seus currículos.
Mais do que formar gestores tradicionais, o desafio agora é preparar líderes capazes de tomar decisões em ambientes altamente automatizados, orientados por dados e em constante transformação.
Leia também: Quais são os melhores MBAs do mundo?
Faça pós-graduação com bolsa de estudo!
Fazer uma pós-graduação é importante porque proporciona especialização, aprofundamento de conhecimentos e aumenta a competitividade no mercado de trabalho. Ela permite que o profissional se destaque em sua área, abra novas oportunidades de carreira e obtenha melhores salários. Além disso, a pós-graduação contribui para o desenvolvimento de habilidades específicas e a construção de uma rede de contatos profissionais.
Para muitos, o custo da pós-graduação pode ser um obstáculo, mas programas de bolsas de estudo, como o Educa Mais Brasil, tornam essa meta mais acessível. Faça hoje mesmo a sua inscrição gratuita, sem burocracia e nem comprovação de renda.

