O Dia Internacional de Combate à Discriminação Racial é celebrado em 21 de março, para reconhecer a luta e as conquistas de direitos sociais para a população negra no mundo. A data foi estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) em memória ao Massacre de Sharpeville, que aconteceu na África do Sul em 1966 e deixou 69 vítimas fatais. Além disso, serve como uma homenagem ao legado de Abdias Nascimento e de tantos outros que lutaram ativamente pela causa da igualdade.
Um dos ativistas negros mais relevantes do Brasil, Abdias Nascimento dedicou sua vida e sua obra à luta pelos direitos humanos e pela valorização da cultura afro-brasileira. Desde os anos 1930, ele esteve na vanguarda do movimento negro no Brasil. Fundador do Teatro Experimental do Negro (TEN), do Museu da Arte Negra (MAN) e do Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros (IPEAFRO), Abdias foi um pioneiro na promoção da cultura e história negras em um país que por muito tempo marginalizou essas narrativas.
Como escritor e intelectual, Abdias Nascimento produziu o clássico “O Genocídio do Negro Brasileiro”, livro lançado em 1978 e reeditado até os dias atuais. Como jornalista, ele publicou o jornal “Quilombo”, no Rio de Janeiro da década de 1940. Já como artista plástico, tem uma de suas pinturas ligadas às religiões tradicionais africanas exposta no acervo permanente do Museu de Arte de São Paulo (Masp).
Abdias Nascimento: militância negra na política
Além de suas contribuições culturais, Abdias Nascimento também deixou um importante legado político. Ele foi eleito deputado federal e senador da República, onde apresentou diversos projetos de lei visando combater o racismo e promover a igualdade racial. Sua atuação política foi uma extensão natural de seu ativismo, demonstrando um compromisso integral com a transformação da sociedade brasileira.
Em 1968, Abdias encontrava-se nos Estados Unidos quando o regime militar brasileiro promulgou o Ato Institucional 5 (AI 5), considerado a legislação mais repressiva da época. Consciente de que estava sob investigação devido à sua militância, ele optou por permanecer no exterior para evitar a prisão política, só retornando ao Brasil em 1981. Durante mais de uma década de exílio, dividida entre os EUA e a Nigéria, ele não abandonou a luta contra o racismo.
Abdias persistiu em sua missão, educando e promovendo a conscientização sobre questões raciais em instituições de ensino estrangeiras. Sua dedicação incansável serviu de inspiração para gerações de ativistas e líderes ao redor do mundo, conscientes de que é fundamental permanecer vigilante na busca por um mundo onde todas as pessoas sejam tratadas com dignidade e respeito, independentemente de sua cor de pele.
Veja também: Dia da Consciência Negra: como abordar o tema na escola?
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