Apesar de ser a principal língua da comunicação global, o inglês ainda está distante da realidade da maioria dos brasileiros. Levantamentos de instituições como o British Council indicam que apenas cerca de 1% da população é fluente no idioma, enquanto 5% possuem algum nível de conhecimento.
O cenário também aparece no EF English Proficiency Index 2025, produzido pela EF Education First, que colocou o Brasil na 75ª posição mundial, com 482 pontos, na faixa de baixa proficiência, mesmo após leve melhora nos últimos anos.
Inglês se tornou requisito para o mercado global
Cerca de 1,5 bilhão de pessoas falam inglês no mundo, a maioria como segunda língua. Embora apenas cerca de 380 milhões sejam falantes nativos, o idioma se consolidou como principal meio de comunicação internacional, presente nos negócios, na ciência, na tecnologia, no turismo e em grande parte do conteúdo da internet.
Nesse cenário, o domínio do inglês deixou de ser apenas um diferencial e passou a ser requisito em muitas áreas profissionais. No Brasil, a dificuldade com o idioma pode limitar oportunidades de trabalho, crescimento na carreira e participação em mercados globais.
Brasil ainda fica atrás de outros países
O ranking global de proficiência mostra que países que lideram a lista têm algo em comum: exposição constante ao idioma desde cedo e políticas educacionais voltadas ao ensino de línguas. Entre os primeiros colocados estão Holanda, Noruega, Singapura, Suécia e Croácia.
Na Europa, por exemplo, filmes e séries raramente são dublados, e o inglês aparece com frequência no ambiente acadêmico, profissional e cultural.
Na América Latina, o Brasil também fica atrás de alguns vizinhos. Países como Chile, Uruguai e Peru apresentam níveis classificados como moderados, enquanto o Brasil permanece no grupo de baixa proficiência, ao lado de nações como México e Colômbia.
Desempenho maior em leitura, mas dificuldade em comunicação
A análise do relatório indica que os brasileiros costumam apresentar melhor desempenho em leitura, considerada uma habilidade receptiva.
Por outro lado, fala e escrita ainda são os principais desafios, justamente as competências mais exigidas em ambientes profissionais, como reuniões internacionais, negociações e liderança em equipes globais.
Essa dificuldade limita a participação de profissionais brasileiros em oportunidades internacionais e pode afetar a competitividade do país em setores estratégicos.
Desigualdade educacional influencia aprendizado
Especialistas apontam que o baixo domínio do inglês no Brasil está diretamente ligado às desigualdades estruturais do sistema educacional. A maior parte dos estudantes brasileiros, cerca de 80%, está matriculada na rede pública, onde o ensino do idioma costuma enfrentar diversos obstáculos, como:
• Carga horária reduzida, com poucas aulas semanais;
• Foco excessivo em gramática, com pouca prática de conversação;
• Falta de professores fluentemente capacitados;
• Turmas numerosas, que dificultam atividades práticas.
Já na rede privada, especialmente em escolas bilíngues ou com maior investimento pedagógico, o contato com o inglês costuma começar mais cedo e com metodologias voltadas para a comunicação.
Esse cenário faz com que o domínio do idioma se concentre principalmente entre pessoas de maior renda e escolaridade, reforçando desigualdades sociais e profissionais.
Mercado de cursos cresce para suprir lacuna
A dificuldade do ensino formal em oferecer formação sólida em inglês também impulsionou o crescimento do mercado de escolas de idiomas no país.
De acordo com dados da Associação Brasileira de Franchising, o setor de educação, que inclui cursos de idiomas, movimenta bilhões de reais por ano e está entre os segmentos mais resilientes da economia. Além das escolas tradicionais, novas alternativas surgiram nos últimos anos, como:
• Aplicativos de aprendizagem de idiomas;
• Plataformas de aulas com professores estrangeiros;
• Cursos online com metodologias flexíveis.
Embora essas opções ampliem o acesso, muitas ainda permanecem fora do alcance de grande parte da população, o que mantém o inglês como um recurso educacional e profissional desigual.
Diferenças regionais ampliam o problema
Outro ponto destacado no relatório internacional é a distribuição desigual da proficiência dentro do próprio Brasil. Segundo o estudo, estados das regiões Sul, Sudeste e parte do Centro-Oeste apresentam os melhores resultados.
O Distrito Federal, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, por exemplo, aparecem com pontuação dentro da faixa de proficiência moderada. Já estados das regiões Norte registram resultados bem inferiores. Tocantins e Rondônia, por exemplo, aparecem em níveis considerados baixos ou muito baixos.
A análise por capitais mostra que a diferença entre cidades pode chegar a 169 pontos no ranking, evidenciando um verdadeiro “mapa do inglês” no país.
Caminhos para melhorar o domínio do idioma
Especialistas defendem que melhorar o nível de inglês da população exige uma combinação de políticas públicas, investimento educacional e maior exposição ao idioma. Entre as estratégias que podem ajudar nesse processo estão:
• Ampliar o ensino de inglês desde os primeiros anos escolares;
• Investir na formação de professores de línguas;
• Incentivar programas bilíngues e intercâmbios educacionais;
• Ampliar o acesso a recursos digitais e plataformas de aprendizado.
Apesar dos desafios, o interesse pelo idioma segue crescendo no país. Para muitos brasileiros, aprender inglês é visto como uma porta de entrada para melhores oportunidades profissionais, acesso ao conhecimento e conexão com o mundo.
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O inglês é o idioma mais falado no mundo atualmente, com cerca de 1,2 bilhões de falantes, sendo 379 milhões deles falantes nativos e 753 milhões que o utilizam como segunda língua. O inglês é língua oficial de 70 países, incluindo Estados Unidos, Grã-Bretanha, Canadá, Irlanda, Austrália, Nova Zelândia e África do Sul, alguns dos países mais populosos do mundo.
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