O Brasil está entre os países da América com mais riscos para os profissionais de imprensa, de acordo com o relatório da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert). Somente no ano passado houve aumento de 38,24% casos de agressões físicas aos jornalistas, segundo o levantamento.
Outra apuração, esta feita pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), mostra que nos primeiros sete meses de 2022 foram registradas 66 agressões graves contra a imprensa, número representa um crescimento de 69,2% em comparação com o mesmo período de 2021.
Desde 2003, 42 jornalistas foram assassinados no país. A maior parte fazia reportagens investigativas. No ambiente virtual já são mais de 3,6 mil ataques por dia ou 150 por hora, totalizando mais de 1,32 milhão de postagens ofensivas contra jornalistas em diversas plataformas sociais, de acordo com a Abert.
Ataques a jornalistas em 2022
Segundo o relatório da Abert, foram registrados 137 casos de violência contra jornalistas em 2022, que envolveram ao menos 212 profissionais e veículos de comunicação. Ao todo, foram 47 casos e 74 vítimas de agressões como socos, chutes e empurrões, assim como ofensas, intimidações e ameaças, além de registros de vandalismo e importunação sexual.
De acordo com esse relatório, as agressões se estenderam para o ambiente virtual cuja maioria dos ataques ocorreu nos dias seguintes ao segundo turno das eleições presidenciais do ano passado, durante a cobertura de atos golpistas pelo país questionando o resultado das urnas. Ainda segundo afirma o relatório citado, “as postagens foram impulsionados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados”.
A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) monitora ataques contra a imprensa brasileira desde 2013. A associação integra, desde 2019, a rede Voces Del Sur, que reúne 16 organizações da sociedade civil em diferentes países da América Latina e Caribe para monitorar a situação da liberdade de imprensa na região.
O monitoramento é um trabalho diário, com novos episódios sendo frequentemente registrados pela Abraji. Em 2022, a Abraji lançou o relatório “Monitoramento de ataques à imprensa no Brasil”, com dados e análises gerais sobre os episódios registrados. Ainda no ano passado, a violência de gênero contra jornalistas passou a ser registrada pela Associação. As informações estão disponíveis em um relatório publicado no site da Abraji em português e outros idiomas.
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