O número de bolsas de doutorado no Nordeste brasileiro cresceu 39% entre 2019 e 2025, segundo dados da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), vinculada ao Ministério da Educação (MEC). O total passou de 6.966 para 9.712 bolsas no período, refletindo mudanças no modelo de concessão adotado pela fundação.
As informações foram apresentadas durante reunião com o Consórcio Interestadual de Desenvolvimento Sustentável do Nordeste, realizada em Brasília, com a presença de representantes institucionais e gestores públicos.
Novo modelo prioriza redução de desigualdades
Desde 2020, a CAPES passou a adotar um modelo de distribuição de bolsas que leva em conta critérios sociais e acadêmicos. Entre os principais indicadores está o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), utilizado para direcionar recursos a regiões com menor desenvolvimento.
De acordo com a presidente da CAPES, Denise Pires de Carvalho, a medida tem como objetivo reduzir desigualdades no acesso à pós-graduação. A estratégia beneficia diretamente programas localizados em municípios com indicadores socioeconômicos mais baixos.
Atualmente, 73% dos cursos de pós-graduação do Nordeste estão situados em cidades com IDHM entre 0,500 e 0,699. Não há programas na faixa mais alta do índice, o que amplia o alcance da política na região.
Bolsas de mestrado também avançam
Além do doutorado, o número de bolsas de mestrado no Nordeste também apresentou crescimento. Em 2019, foram concedidas 8.687 bolsas, número que subiu para 10.283 em 2025, representando aumento de 18%.
No cenário nacional, a expansão foi menor: 23% no doutorado e 10% no mestrado, o que evidencia um ritmo mais acelerado de crescimento na região nordestina.
Critérios consideram qualidade e contexto social
O modelo de concessão de bolsas institucionais combina diferentes critérios. Entre eles estão as notas dos programas na Avaliação Quadrienal da CAPES, o nível de formação, com prioridade para o doutorado, o IDHM e a Titulação Média de Cursos (TMC), que diferencia os programas pelo porte.
Por ser dinâmico, o sistema permite ajustes anuais na distribuição das bolsas, de acordo com o desempenho e as características dos programas.
Nordeste avança também em qualidade
Além da expansão no número de bolsas, a região também apresentou melhora nos indicadores de qualidade da pós-graduação. Na Avaliação Quadrienal 2021–2024, o número de programas com notas 6 e 7, considerados de excelência, aumentou de 60 para 80.
Com isso, o Nordeste passou a concentrar 9,9% dos programas de maior nível no país, frente aos 8,8% registrados no ciclo anterior.
Articulação busca ampliar financiamento
O tema foi debatido em reunião que contou com a presença do governador de Alagoas e presidente do Consórcio Nordeste, Paulo Dantas. Durante o encontro, foram discutidas estratégias para ampliar o financiamento da pós-graduação na região, incluindo articulações junto ao Congresso Nacional.
A ampliação das bolsas reforça o movimento de descentralização da pesquisa científica no Brasil e amplia o acesso à formação acadêmica avançada em regiões historicamente menos favorecidas.
Veja também: Diferenças entre doutorado acadêmico e doutorado profissional
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