A saúde mental deixou de ser um tema secundário nas empresas e passou a ocupar um papel estratégico. Com a atualização da Norma Regulamentadora nº 1, que entra em vigor em maio de 2026, o cuidado com o bem-estar psicológico dos trabalhadores se torna uma obrigação legal. Ainda assim, especialistas alertam que o Brasil não está preparado para essa mudança.
A nova versão da norma inclui os chamados riscos psicossociais no ambiente de trabalho. Na prática, fatores como estresse, sobrecarga, metas inalcançáveis e conflitos internos precisarão ser identificados e gerenciados pelas empresas. O tema sai do discurso e passa a integrar fiscalizações e possíveis penalidades.
Adoecimento mental já impacta o trabalho
“A NR-1 é uma resposta a um cenário de adoecimento coletivo”, afirma a advogada trabalhista Yara Leal Girasole. Segundo ela, o aumento dos afastamentos por transtornos mentais, intensificado após a pandemia, tornou inevitável ampliar o conceito de segurança no trabalho, antes focado quase exclusivamente em riscos físicos.
Os números reforçam a urgência. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, ansiedade e depressão causam a perda de cerca de 12 bilhões de dias úteis por ano no mundo. No Brasil, apenas em 2024, o INSS concedeu cerca de 470 mil licenças médicas por transtornos mentais, o maior número da última década.
Dentro das empresas, o impacto já é visível. Um levantamento da consultoria Robert Half mostra aumento no uso de medicamentos para lidar com estresse, ansiedade e burnout, inclusive entre lideranças.
O que muda com a nova NR-1
Com a atualização, o Programa de Gerenciamento de Riscos passa a incluir fatores psicossociais de forma estruturada. Isso exige não só identificar problemas, mas também adotar ações concretas para reduzir riscos e melhorar o ambiente de trabalho.
Na prática, empresas precisarão olhar com mais atenção para questões como pressão excessiva, comunicação falha e relações desgastadas, que afetam diretamente a saúde e o desempenho dos profissionais.
Segurança psicológica entra no radar
Para o consultor britânico Scott Chambers, especialista em segurança psicológica, o maior desafio está na aplicação. Segundo ele, existe o risco de a norma ser tratada apenas como um processo burocrático.
“Segurança psicológica não se cria com treinamentos pontuais, mas com comportamento”, afirma. O conceito envolve criar ambientes onde as pessoas se sintam seguras para se expressar, apontar problemas e até admitir erros sem medo.
Quando isso não acontece, o impacto é direto na inovação, no engajamento e nos resultados das empresas.
Lideranças terão papel central
A adaptação à NR-1 exige uma mudança cultural, com protagonismo das lideranças. Habilidades como escuta, gestão de conflitos e comunicação ganham ainda mais relevância no dia a dia corporativo.
Ao mesmo tempo, a relação com o trabalho também está mudando. Pesquisa da Cia de Talentos mostra que o bem-estar já aparece como prioridade para os profissionais, à frente de outros fatores de carreira.
Um caminho sem volta
A nova NR-1 marca um ponto de virada no mercado brasileiro. Mais do que cumprir uma exigência, empresas precisarão rever práticas e colocar a saúde mental no centro das decisões. O desafio agora é transformar discurso em prática. Ignorar esse movimento deixou de ser uma opção.
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Profissionais que ajudam na nova NR-1
Para cumprir as exigências atualizadas da NR-1, especialmente na gestão de riscos psicossociais, as empresas contam com o apoio de profissionais como técnicos e engenheiros de segurança do trabalho, psicólogos organizacionais, médicos do trabalho, assistentes sociais e equipes de Recursos Humanos.
Esses especialistas ajudam a identificar riscos, implementar ações preventivas e promover um ambiente mais saudável. Com a valorização dessas áreas, investir em qualificação pode abrir boas oportunidades.
Programas como o Educa Mais Brasil oferecem bolsas de estudo que facilitam o acesso à formação necessária para atuar nesse mercado.

