O Brasil apresentou avanços significativos na alfabetização de crianças em 2024, alcançando 59,2% dos estudantes do 2º ano do ensino fundamental capazes de ler e escrever textos simples. O dado divulgado pelo Ministério da Educação (MEC) representa um aumento de 3,2 pontos percentuais em relação ao ano anterior, quando o índice nacional era de 56%. Apesar da melhora, o país ainda não atingiu a meta anual de 60% definida pelo Compromisso Nacional Criança Alfabetizada (CNCA).
O Dia Mundial da Alfabetização, celebrado desde 1967 pela UNESCO e pela ONU, ressalta a importância da leitura e da escrita para o desenvolvimento social e econômico global. No Brasil, a data é uma oportunidade para refletir sobre os avanços alcançados e os desafios que ainda permanecem, especialmente em relação às desigualdades regionais e à qualidade da educação básica.
Avanços e desafios estaduais
O levantamento do MEC, realizado com apoio do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), contou com a participação de 2 milhões de alunos de 42 mil escolas em 5.450 municípios. Roraima não participou da avaliação, justificando que 40% das escolas estão localizadas em territórios indígenas.
Entre os estados, 11 alcançaram a meta de 60% de crianças alfabetizadas projetada para 2024: Ceará (85,3%), Goiás (72,7%), Minas Gerais (72,1%), Espírito Santo (71,7%), Mato Grosso (60,6%), Piauí (59,8%), São Paulo (58,1%), Paraíba (56,0%), Mato Grosso do Sul (55,9%), Tocantins (50,1%) e Sergipe (38,4%). Já estados como Rio Grande do Sul, Amazonas, Bahia, Paraná, Pará e Rondônia registraram desempenho inferior ao de 2023, exigindo atenção especial do MEC para ações de recuperação.
O ministro da Educação, Camilo Santana, explicou que eventos climáticos extremos, como as enchentes no Rio Grande do Sul em 2024, impactaram negativamente o índice estadual. “Se o Rio Grande do Sul tivesse mantido o percentual de 2023, o país teria alcançado 60,2% de crianças alfabetizadas. Infelizmente, as enchentes afetaram profundamente o processo de aprendizagem”, afirmou.
Indicador Criança Alfabetizada
O Indicador Criança Alfabetizada é a principal ferramenta usada para medir a alfabetização no país. Ele avalia se alunos até o 2º ano do ensino fundamental conseguem ler pequenos textos, localizar informações em textos curtos, interpretar tirinhas e quadrinhos, além de escrever, mesmo que com alguns desvios ortográficos.
O teste é composto por 16 itens de múltipla escolha e três questões de resposta construída, incluindo produção textual. O padrão nacional, definido pelo Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), estabelece que estudantes que alcançam 743 pontos apresentam habilidades básicas de leitura e escrita compatíveis com o final do 2º ano do ensino fundamental.
Metas e políticas públicas
A meta nacional é que todos os estados alcancem 80% de crianças alfabetizadas até 2030. Para 2025, o MEC projeta alcançar 64%, com planos de aumentar progressivamente o índice. Para apoiar as redes de ensino, o governo federal investiu mais de R$ 1 bilhão em programas como a Rede Nacional de Articulação de Gestão, Formação e Mobilização do CNCA (Renalfa), webinários de formação, a Plataforma de Avaliações Formativas e o Guia da Avaliação Contínua da Aprendizagem.
Segundo Santana, “não queremos apenas atingir 80%, mas garantir que todos os estudantes estejam alfabetizados na idade certa. A alfabetização é a base para o sucesso escolar e para reduzir desigualdades educacionais.”
Resultados municipais e regionais
De modo geral, 18 estados apresentaram avanços em comparação com 2023, e 58% dos municípios aumentaram o percentual de crianças alfabetizadas. Os estados com melhor desempenho foram Ceará, Goiás, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná e Mato Grosso, destacando-se como exemplos de políticas públicas eficazes.
O levantamento revela que, embora o país esteja próximo de atingir a meta anual, persistem desafios, especialmente em regiões impactadas por calamidades ou com histórico de desigualdade educacional.
Caminhos para o futuro
O Dia Mundial da Alfabetização serve como um lembrete da importância de políticas públicas consistentes e investimentos contínuos na educação básica. Garantir que todas as crianças brasileiras aprendam a ler e escrever na idade correta é essencial para promover igualdade social, reduzir a evasão escolar e abrir caminhos para um futuro mais justo e produtivo.
Investir na alfabetização e na qualificação da educação de jovens e adultos é um passo estratégico para o desenvolvimento econômico e social do país, garantindo que todos os brasileiros tenham oportunidades iguais desde os primeiros anos escolares.
Veja também: Dia Nacional da Alfabetização: como engajar os alunos na leitura?
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