Nos últimos 20 anos, o Brasil conquistou avanços significativos na promoção da participação feminina na pesquisa científica, atingindo a marca de 49% de pesquisadoras que assinam artigos científicos no país. Essa ascensão coloca o Brasil como o terceiro colocado em um ranking que inclui 18 países e a União Europeia, revelando um progresso notável na inclusão de mulheres nas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM). A porcentagem de pesquisadoras passou de 35% em 2020 para 45% em 2022.
O relatório “Em direção à equidade de gênero na pesquisa no Brasil”, divulgado pela Elsevier-Bori, na sexta-feira (8), é resultado da parceria entre a empresa holandesa de produção de conteúdo científico e a Agência Bori. O levantamento destaca que Argentina e Portugal lideram o ranking, ambos com 52% de mulheres como autoras de publicações científicas. A análise teve como base os dados Scopus, utilizando a ferramenta da Elsevier, que possibilitou uma análise detalhada da participação de gênero nas publicações.
Desafios da participação feminina na ciência
Apesar desses avanços, persistem desafios significativos na participação feminina nas STEM. Um dos principais obstáculos está relacionado à diminuição da presença de mulheres à medida que suas carreiras avançam. Um dos principais obstáculos está relacionado à diminuição da presença de mulheres à medida que suas carreiras avançam. No período de 2018 a 2022, enquanto mulheres com até 5 anos de experiência foram autoras ou coautoras em mais da metade (51%) das publicações, essa proporção cai para 36% entre autoras com mais de 21 anos de experiência na pesquisa.
Outro ponto crítico é a persistente disparidade de gênero em determinadas áreas, como Matemática (19%), Ciência da Computação (21%) e Engenharia (24%). Apesar do aumento na participação feminina, esses campos ainda apresentam uma representação desigual, exigindo esforços contínuos para reduzir essa desigualdade. Além disso, a questão das patentes de inovação revela um cenário desafiador, com os homens acumulando significativamente mais direitos do que as mulheres. A participação feminina nesse aspecto estagnou nos últimos 15 anos, variando de 3% a 6%.
Embora o Brasil tenha alcançado um notável 3º lugar na participação feminina na ciência, é evidente que há um caminho a percorrer para garantir uma representação equitativa em todas as fases da carreira científica e em diversas áreas do conhecimento. O relatório serve como um chamado à ação para implementar políticas e práticas que promovam a igualdade de gênero e incentivem o pleno potencial das mulheres na ciência.
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