A síndrome de burnout, distúrbio causado pelo estresse crônico no ambiente de trabalho, tem afetado cada vez mais brasileiros. Mas um recorte importante chama a atenção: os casos entre mulheres têm crescido de forma mais acentuada do que entre homens. Dados recentes do Ministério da Saúde revelam que, em 2023, mais de 70% dos atendimentos por burnout realizados no Sistema Único de Saúde (SUS) foram de pacientes do sexo feminino.
O aumento da incidência da síndrome de burnout entre mulheres não é acidental. Especialistas apontam que fatores como acúmulo de funções, desigualdade nas tarefas domésticas e cuidados familiares, além de vieses de gênero nas empresas, contribuem para o agravamento do quadro. A pandemia da Covid-19, com suas exigências adicionais, só aprofundou essa disparidade.
Mulheres sofrem mais com o esgotamento profissional
No ano passado, o SUS registrou 393 atendimentos por burnout. Desse total, 282 foram de mulheres, enquanto apenas 111 eram de homens. Os afastamentos por transtornos mentais também reforçam esse desequilíbrio: em 2024, as mulheres representaram 63,8% das 472 mil licenças concedidas por doenças psicológicas no Brasil, segundo o Ministério da Previdência Social. Além das jornadas de trabalho formais, a maioria das mulheres acumula tarefas domésticas e responsabilidades com os filhos e idosos.
Dados do Institute for Women’s Policy Research mostram que mulheres em tempo integral realizam, em média, 22% mais trabalho doméstico e de cuidado não remunerado do que os homens em condições semelhantes. Essa sobrecarga tem se traduzido em níveis alarmantes de esgotamento. Um estudo da consultoria global Deloitte, divulgado no relatório Women @ Work 2024, revelou que quase uma em cada quatro mulheres entrevistadas relatou sentir burnout com frequência.
Sintomas e impactos na saúde
A síndrome de burnout afeta a saúde física e emocional. Entre os sintomas mais comuns estão cansaço extremo, dores de cabeça, irritabilidade, insônia, perda de apetite, dificuldade de concentração, sentimentos de fracasso e, em casos mais graves, problemas cardíacos, pressão alta e distúrbios gastrointestinais.
Segundo a OMS, o burnout é caracterizado por três dimensões principais: exaustão física e mental, sentimento de distanciamento em relação ao trabalho e queda no desempenho profissional. O diagnóstico, no entanto, exige uma avaliação clínica criteriosa, geralmente realizada por psicólogos ou psiquiatras.
Fatores que favorecem o burnout entre mulheres
Embora o acúmulo de funções seja uma das principais causas, ele não é o único fator. O ambiente corporativo também contribui para o aumento dos casos entre mulheres. Muitas enfrentam pressão por resultados inatingíveis, discriminação de gênero, assédio, falta de reconhecimento e ausência de equidade nas oportunidades de crescimento.
Além disso, ainda há barreiras culturais que dificultam o diálogo aberto sobre saúde mental no trabalho. O relatório da Deloitte mostra que menos de um terço das mulheres se sente confortável para falar sobre esgotamento ou ansiedade com seus gestores.
Como tratar e prevenir o burnout
O tratamento para o burnout costuma envolver psicoterapia, mudanças no estilo de vida e, em casos graves, medicação. O apoio de familiares, amigos e da empresa é essencial para a recuperação. Atividades físicas regulares, alimentação equilibrada, momentos de lazer e descanso adequado também são recomendados. Prevenir o burnout exige a adoção de estratégias que reduzam o estresse no dia a dia. Entre elas estão:
• Estabelecer limites entre vida pessoal e profissional
• Priorizar momentos de descanso e lazer
• Buscar apoio emocional com pessoas de confiança
• Reduzir o consumo de álcool e evitar a automedicação
• Praticar exercícios e manter uma rotina de sono adequada
Para especialistas, a principal arma contra o burnout é o equilíbrio. Um ambiente de trabalho saudável, com políticas claras de acolhimento e prevenção, pode fazer toda a diferença. Só assim será possível garantir que trabalhar não signifique adoecer.
O papel das empresas e da sociedade
A crescente prevalência do burnout entre mulheres levanta um alerta para empresas e gestores. Ignorar o problema pode significar a perda de talentos, aumento do absenteísmo e queda na produtividade. Medidas como oferecer suporte psicológico, criar uma cultura de feedback construtivo, flexibilizar jornadas, reconhecer o esforço das colaboradoras e combater os vieses de gênero são essenciais para reverter esse cenário.
Mais do que isso, é preciso reduzir o estigma em torno da saúde mental no ambiente corporativo. Falar abertamente sobre esgotamento não deve ser visto como sinal de fraqueza, mas como um passo essencial para promover bem-estar e qualidade de vida no trabalho.
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As mulheres tendem a receber os menores salários, infelizmente, mas podem fazer parte de um movimento de mudança que já começa a ganhar forças. Grandes empresas têm se esforçado para colocar elas em posição de liderança, e para estar preparada caso a oportunidade surja, invista em sua formação e currículo.
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