Uma oportunidade estratégica para ampliar a formação acadêmica e fortalecer a educação antirracista acaba de ser anunciada pelo Governo Federal. A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), em parceria com o Ministério da Igualdade Racial (MIR), publicou o Edital Conjunto nº 1/2026 do Programa Caminhos Amefricanos: Programa de Intercâmbios Sul-Sul, que disponibiliza 150 vagas de intercâmbio internacional totalmente financiado.
Lançado em 2024, o programa tem como objetivo promover a cooperação acadêmica entre o Brasil e países da África, América Latina e Caribe, fortalecendo laços históricos, culturais e educacionais e contribuindo diretamente para a formação de uma educação antirracista. Nesta edição, as atividades ocorrerão em Angola, México e Panamá, com início previsto a partir de maio e julho de 2026.
O que é o Programa Caminhos Amefricanos
O Caminhos Amefricanos é uma iniciativa do Ministério da Igualdade Racial, executada pela CAPES, que promove intercâmbios acadêmicos e formativos de curta duração voltados a estudantes e docentes que se autodeclaram pretos, pardos ou quilombolas.
O programa aposta no diálogo Sul-Sul como ferramenta estratégica para combater o racismo estrutural, promover a igualdade racial, valorizar a história e a cultura africana, afro-brasileira e da diáspora africana e fortalecer a formação inicial e continuada de professores e futuros docentes.
Em 2026, o edital conta com parceria internacional da Universidade Agostinho Neto (Angola), da Facultad Latinoamericana de Ciencias Sociales – FLACSO (México) e da Universidad de Panamá (Panamá).
Destinos do intercâmbio e número de vagas
Ao todo, serão 150 beneficiários, distribuídos igualmente entre os três países participantes:
• Panamá: 50 vagas para professores da educação básica
• Angola: 50 vagas para estudantes de licenciatura
• México: 50 vagas para estudantes de licenciatura
O intercâmbio terá duração de até 15 dias, com programação acadêmica, atividades formativas, eventos científicos e visitas guiadas a escolas, museus e locais históricos.
Benefícios oferecidos aos selecionados
O Programa Caminhos Amefricanos oferece bolsas integrais, garantindo que os participantes possam se dedicar exclusivamente às atividades formativas. Cada beneficiário terá direito a:
• Até R$ 18 mil em diárias para despesas com alimentação, hospedagem e transporte local;
• Passagens aéreas nacionais e internacionais custeadas pelo programa;
• Seguro saúde, no valor de R$ 520,75;
• Reembolso para emissão de passaporte e vistos, conforme regras do edital.
O edital não prevê auxílio para dependentes nem cobre eventuais taxas acadêmicas cobradas pelas instituições anfitriãs.
Quem pode participar do programa
O edital é voltado a candidatos que se enquadrem nos critérios das políticas afirmativas. É obrigatório que o participante seja brasileiro nato, naturalizado ou estrangeiro com residência permanente no Brasil, resida no país durante o processo seletivo e se autodeclare preto, pardo ou quilombola.
Panamá – vagas para professores
• Docentes da educação básica em instituições públicas;
• Mínimo de 1 ano de exercício profissional;
• Formação em licenciatura reconhecida pelo MEC;
• Atuação comprovada em Educação das Relações Étnico-Raciais.
Angola e México – vagas para estudantes
• Estar matriculado a partir do 5º semestre de cursos de licenciatura em IES públicas;
• Ter integralizado no máximo 90% do curso;
• Comprovar vínculo com NEABs, NEABIs, grupos correlatos ou participação em PIBID/PIBIC com temática racial.
Prazos de inscrição e cronograma
As inscrições devem ser feitas exclusivamente pelo Portal da CAPES, dentro dos prazos estabelecidos:
• Panamá: até 8 de fevereiro de 2026, às 17h
• Angola e México: até 27 de fevereiro de 2026, às 17h
A seleção inclui análise técnica e procedimento de heteroidentificação, conduzido pelo Ministério da Igualdade Racial.
Objetivos estratégicos do Caminhos Amefricanos
Entre os principais objetivos do programa estão:
• Estimular a cooperação internacional entre instituições de ensino;
• Promover o combate à discriminação racial;
• Incentivar pesquisas e inovação voltadas à igualdade racial;
• Fortalecer a formação de docentes e discentes na perspectiva da educação das relações étnico-raciais;
• Contribuir para a implementação de políticas públicas antirracistas no Brasil.
As ações estão alinhadas ao Estatuto da Igualdade Racial, à Lei nº 10.639/2003 e a acordos internacionais de combate ao racismo.
Uma oportunidade estratégica para formação e carreira
O Programa Caminhos Amefricanos representa uma chance concreta de internacionalização acadêmica, especialmente para estudantes e professores negros e quilombolas. Além de ampliar repertórios acadêmicos e culturais, o intercâmbio fortalece redes de cooperação e contribui para a construção de uma educação mais diversa, inclusiva e conectada com realidades globais.
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