Em 2024, o ensino a distância superou pela primeira vez o presencial no Brasil. Dos 10,22 milhões de estudantes do ensino superior, 5,18 milhões estavam matriculados em cursos EAD, o equivalente a 50,75% do total.
A maioria dessas matrículas está nas instituições privadas, segundo o Censo da Educação Superior 2024, divulgado pelo Inep. Entre os ingressantes, a preferência também foi clara 67% (3,34 milhões) optaram pelo EAD, contra 33% (1,66 milhão) no presencial.
Nos últimos dez anos, o ensino presencial perdeu 30% de novos alunos, caindo de 2,38 milhões em 2014 para 1,66 milhão em 2024. Já o EAD cresceu 360% no período, com um acréscimo de 727 mil estudantes.
As graduações noturnas foram as mais impactadas. O número de alunos caiu de 4 milhões, em 2014, para 2,7 milhões em 2024, redução de 33,2%. O cenário confirma a transformação do ensino superior brasileiro, com o EAD consolidado como principal caminho para quem busca uma graduação.
Novo marco regulatório redefine limites para o ensino a distância no Brasil
O ensino a distância se tornou a principal modalidade do ensino superior no Brasil, concentrando a maioria das matrículas, especialmente em grandes grupos educacionais de quatro estados, Paraná, São Paulo, Santa Catarina e Rio de Janeiro.
Diante desse crescimento, o governo federal publicou em 2024 um novo marco regulatório que limita cursos totalmente online em saúde e licenciaturas, veta EAD em medicina, direito, odontologia, enfermagem e psicologia, e cria a modalidade semipresencial. Para o Inep, as regras não desvalorizam o EAD, mas ajustam a formação às exigências práticas dessas áreas.
Rede privada concentra maioria dos universitários no Brasil
A rede privada segue como principal responsável pelo acesso ao ensino superior no Brasil. Segundo dados do Censo da Educação Superior, cerca de 90% das faculdades particulares concentram 80% das matrículas de graduação, somando mais de 8 milhões de estudantes em 2024.
Nos últimos dez anos, o setor registrou um crescimento de 39% nas matrículas. Esse avanço foi impulsionado, sobretudo, pela expansão do ensino a distância, que ampliou a oferta de cursos, reduziu custos e atraiu novos perfis de estudantes.
O cenário reforça o papel das instituições privadas como protagonistas no ensino superior brasileiro e evidencia como o EAD transformou o acesso à universidade no país.
Presencial x EAD: entenda as principais diferenças
O ensino superior no Brasil pode ser feito em duas modalidades: presencial ou a distância (EAD). Embora ambas garantam a mesma validade do diploma, existem diferenças importantes entre elas.
No ensino presencial, o estudante participa de aulas em sala, com horários fixos e contato direto com professores e colegas. Essa modalidade favorece a troca de experiências, trabalhos em grupo e atividades práticas, mas exige mais tempo de deslocamento e maior flexibilidade de agenda.
Já no EAD, o conteúdo é acessado por meio de plataformas digitais, permitindo que o aluno estude onde e quando quiser. Essa flexibilidade costuma atrair quem trabalha ou precisa conciliar os estudos com outras atividades.
Além disso, os cursos a distância geralmente têm mensalidades mais acessíveis. Por outro lado, o estudante precisa de maior disciplina e organização para manter a rotina de estudos.
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