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Debate sobre fim das licenciaturas EaD ganha força na Câmara

Estudantes e governo divergem sobre impactos no acesso ao ensino superior
Debate sobre fim das licenciaturas EaD ganha força na Câmara

As mudanças nas regras para as licenciaturas na modalidade de educação a distância (EaD) voltaram ao centro das discussões no Congresso Nacional. 


Em audiência pública promovida pela Comissão de Educação da Câmara dos Deputados, representantes de estudantes, parlamentares e gestores educacionais debateram os efeitos das novas diretrizes do Ministério da Educação (MEC), que ampliam a exigência de atividades presenciais nos cursos de formação de professores.


O debate evidenciou opiniões divergentes. Enquanto entidades estudantis afirmam que as mudanças podem dificultar o acesso ao ensino superior, principalmente em cidades sem universidades presenciais, especialistas da área defendem que a presença de atividades presenciais é essencial para garantir uma formação mais qualificada aos futuros docentes.


Estudantes alertam para impacto no acesso


Durante a audiência, o presidente da Associação Brasileira dos Estudantes de Educação a Distância, Ricardo Holz, afirmou que restringir a oferta das licenciaturas EaD pode prejudicar milhares de brasileiros que dependem dessa modalidade para ingressar na graduação.


Segundo ele, cerca de 73% dos municípios brasileiros, mais de 4 mil cidades, não contam com instituições de ensino superior presenciais. Nesses locais, a educação a distância representa a principal oportunidade de formação para quem deseja cursar uma faculdade.


Holz também destacou que a medida pode afetar especialmente pessoas de baixa renda, mães solo, pessoas com deficiência e trabalhadores que conciliam estudo e emprego. Para ele, o foco do debate deve ser a qualidade da formação, independentemente da modalidade de ensino.


A deputada Greyce Elias (PL-MG), autora do requerimento que motivou a audiência pública, também demonstrou preocupação com os possíveis impactos das mudanças. Segundo a parlamentar, limitar a oferta das licenciaturas EaD pode reduzir as oportunidades de formação e agravar o déficit de professores já existente na educação básica.


O que dizem as novas regras do MEC


As discussões ocorrem após a publicação de uma resolução em 2024 e de um decreto em 2025 que alteraram as normas da educação a distância. Entre as mudanças está a determinação de que pelo menos 30% da carga horária dos cursos EaD seja realizada presencialmente. Além disso, graduações como MedicinaEnfermagemOdontologia, Psicologia e Direito deixaram de poder ser ofertadas exclusivamente a distância.


Segundo o MEC, as alterações buscam fortalecer a qualidade da formação profissional e ampliar as atividades práticas durante a graduação.


Defensores apontam melhora na formação docente


Para os apoiadores das mudanças, ampliar a presença de atividades presenciais é uma medida necessária para elevar a qualidade do ensino. 


Durante a audiência, o presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação das Capitais (Consec) e secretário de Educação de Porto Alegre, Leonardo Pascoal, afirmou que parte dos cursos EaD tem priorizado o crescimento das matrículas em vez da qualidade da formação.


Ele apresentou dados do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), segundo os quais 53% dos concluintes de cursos EaD alcançaram a nota mínima esperada na avaliação mais recente. Entre os estudantes da modalidade presencial, o índice foi de aproximadamente 74%.


Na avaliação de Pascoal, oferecer uma formação mais consistente aos futuros professores é fundamental para fortalecer a educação pública e garantir melhores condições de aprendizagem aos estudantes.


Debate segue sem consenso


A audiência pública mostrou que ainda há divergências sobre os impactos das novas regras


De um lado, representantes dos estudantes defendem que as licenciaturas EaD são fundamentais para ampliar o acesso ao ensino superior em regiões sem oferta presencial. De outro, gestores e especialistas afirmam que o aumento das atividades presenciais pode contribuir para formar professores mais preparados para atuar nas escolas.


Com a implementação das novas diretrizes do MEC, a discussão sobre o equilíbrio entre acesso à graduação e qualidade da formação docente deve continuar mobilizando o setor educacional nos próximos meses.


Leia tambémCursos EAD de licenciatura acumulam resultados insuficientes


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Fonte: Câmara dos Deputados

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