As mudanças climáticas têm impactado na vida de milhares de pessoas em diferentes lugares do mundo, com ondas de calor, secas e enchentes tal como as que atingiram a região sul do Brasil. Muitas vezes, as consequências são irreversíveis e os desastres obrigam os atingidos a buscar segurança fora do seu lar. Nesse contexto, essas pessoas tornam-se refugiadas do clima, termo popular atribuído àqueles que precisam deixar sua residência por causa de algum evento climático.
Em todo o mundo, mais de 376 milhões de pessoas precisaram sair de suas casas à força por eventos ligados à emergência climática entre 2008 e 2022, de acordo com levantamento do Centro de Monitoramento de Deslocamentos Internos. Em 2020, houve recorde de refugiados do clima, quando 32,6 milhões de pessoas precisaram abandonar suas casas.
A previsão é que haja aumento no número de refugiados do clima. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Instituto de Economia e Paz (IEP), até 2050 o mundo deve ter cerca de 1,2 bilhão de “refugiados climáticos”.
Vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul são refugiadas do clima?
As chuvas que atingiram cidades do Rio Grande do Sul, desde abril desse ano, deixaram mais de 230 mil desabrigados, segundo a Defesa Civil. O estado já tem cerca de 232.675 pessoas fora de suas casas, entre os quais 67.563 estão desabrigados em alojamentos do poder público e 165.112 desalojados.
Nesse cenário, alguns moradores são considerados refugiados do clima porque vão precisar se mudar para outros locais. Mas embora o termo “refugiados climáticos” seja utilizado com frequência para se referir às pessoas forçadas a deixar suas casas devido a eventos relacionados ao clima, a palavra não é oficialmente reconhecida no direito internacional, segundo agência da Organização das Nações Unidas (ONU). Assim, a recomendação conforme a Agência da ONU para Refugiados (Acnur) é usar a expressão “deslocados internos em razão das mudanças climáticas”.
Quais são as causas da mudança climática?
As emissões de gases de efeito estufa encobrem a terra e retêm o calor do sol levando ao aquecimento global e à mudança climática. As consequências dos eventos climáticos colocam vidas em risco e contribuem para crises, ameaçando os direitos humanos e aumentando a pobreza através da perda de meios de subsistência. Os efeitos causam tensão nas relações pacíficas entre comunidades e podem levar a deslocamentos forçados.
Entre os principais eventos climáticos que forçam a população a deixar suas casas são: elevação do nível do mar, enchentes e deslizamentos, passagem de ciclones e tufões, secas e ondas de calor.
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