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Desigualdade salarial: mulheres ganham 20,9% menos que homens no Brasil

Relatório mostra que diferença de gênero no mercado de trabalho gerou impacto bilionário em 2024
Desigualdade salarial: mulheres ganham 20,9% menos que homens no Brasil

Apesar dos avanços na participação feminina no mercado de trabalho, a desigualdade salarial entre homens e mulheres segue preocupante no Brasil. De acordo com o 3º Relatório de Transparência Salarial e Igualdade, divulgado pelos Ministérios do Trabalho e Emprego (MTE) e da Mulher, as mulheres brasileiras receberam, em média, 20,9% menos que os homens em 2024, em empresas privadas com 100 ou mais empregados.


A análise foi feita com base nos dados da RAIS (Relação Anual de Informações Sociais) e avaliou mais de 19 milhões de vínculos empregatícios em 53.014 empresas de grande porte. A média salarial dos homens foi de R$ 4.745,53, enquanto a das mulheres ficou em R$ 3.755,01. A diferença representa uma perda de R$ 95 bilhões na economia brasileira em 2024, valor que poderia ter sido injetado se houvesse igualdade salarial.


Mulheres negras são as mais impactadas


Os dados revelam um abismo ainda maior quando se observa a situação das mulheres negras. Com uma média salarial de R$ 2.864,39, elas ganham 27,3% menos que homens negros (R$ 3.647,97) e aproximadamente 110% menos que homens não negros, que têm rendimento médio de R$ 6.033,15, mesmo em funções equivalentes. A média salarial das mulheres negras representa apenas 47,5% do que recebem os homens não negros, agravando um cenário de dupla desigualdade: por gênero e por raça.


Foto: gráfico gerado por IA


Diferença salarial estagnada ao longo dos anos


O relatório mostra que a desigualdade salarial de gênero pouco mudou nos últimos anos. Em 2023, a diferença era de 20,7%, e em 2022, de 19,4%. A subsecretária de Estatísticas do Trabalho do MTE, Paula Montagner, destaca que, embora o número de mulheres empregadas tenha aumentado, a renda delas se manteve praticamente estável entre 2015 e 2024.


A desigualdade é ainda maior em cargos de liderança


Nos cargos de alta gestão, como diretorias e gerências, as mulheres recebem 26,8% a menos que os homens. Mesmo com nível superior, a diferença de remuneração persiste: mulheres com diploma universitário ganham 31,5% a menos que homens com a mesma escolaridade. Já em serviços administrativos, elas recebem 79,8% do salário dos homens.


Mais mulheres no mercado, mas com menor participação na massa salarial


participação das mulheres no mercado formal cresceu: de 38,8 milhões em 2015 para 44,8 milhões em 2024. No entanto, sua fatia na massa salarial total permanece desproporcional: apenas 34,8% dos salários pagos. Mulheres representam 40,6% das pessoas ocupadas, mas continuam sub-representadas nos ganhos. Entre os fatores que contribuem para as disparidades salariais, estão:


Tempo de experiência (76,8%)

Metas de produção (64,7%)

Flexibilização de jornada (42,5%)

Apoio à parentalidade de mulheres (30,7%)

Auxílio creche (22%)

Licenças estendidas (21,2%)

Planos de cargos e salários (56,1%)


Desigualdade regional e avanços pontuais


Estados como Acre, Santa Catarina, Paraná, Amapá, São Paulo e o Distrito Federal apresentaram os menores níveis de desigualdade salarial entre homens e mulheres. Houve também um crescimento na presença de mulheres negras no mercado formal: de 3,2 milhões em 2023 para 3,8 milhões em 2024. O número de empresas com menos de 10% de mulheres negras contratadas caiu de 21.680 para 20.452.


Equidade pode impulsionar a economia


Estudos da Organização Internacional do Trabalho (OIT) indicam que o Brasil poderia acrescentar R$ 382 bilhões à economia com políticas plenas de igualdade de gênero. Já o Banco Mundial estima que o PIB global aumentaria mais de 20% com igualdade de oportunidades entre homens e mulheres.


Para enfrentar esse cenário, o governo federal lançou o Plano Nacional de Igualdade Salarial e Laboral, com vigência até 2027, e criou um Comitê Gestor Interministerial para monitorar sua implementação. A Lei nº 14.611/2023 também obriga empresas com mais de 100 empregados a adotarem políticas de transparência salarial, programas de diversidade e canais de denúncia.


Desigualdade estrutural exige ação urgente


A ministra da Mulher, Cida Gonçalves, reforçou que a desigualdade de gênero no trabalho é estrutural e demanda mudanças profundas: “Desde a responsabilidade das mulheres pelo trabalho do cuidado à mentalidade de cada empresa, que precisa entender que ela só irá ganhar tendo mais mulheres compondo sua força de trabalho, e com salários maiores”.


A equidade de gênero no mercado de trabalho permanece como um dos maiores desafios sociais e econômicos do país. Ações efetivas por parte de empresas, gestores de recursos humanos e autoridades públicas são fundamentais para construir um Brasil mais justo, inclusivo e produtivo.


Veja tambémCenso 2022: mulheres superam homens em nível de instrução no Brasil


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Fonte: Agência Brasil

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