Nesta segunda-feira (7), o mundo celebra o Dia Mundial da Saúde. Comemorada anualmente desde 1950, a data marca a fundação da Organização Mundial da Saúde (OMS), ocorrida em 1948, e tem como principal objetivo alertar a população sobre os desafios da saúde pública global. Em 2025, o tema escolhido para a campanha mundial coloca no centro do debate a saúde materna e neonatal, com o lançamento da iniciativa “Inícios saudáveis, futuros esperançosos”.
A campanha deste ano propõe uma mobilização de um ano para sensibilizar governos, profissionais da saúde e a sociedade sobre a urgência de garantir melhores condições para gestantes, parturientes, recém-nascidos e famílias. A OMS, em parceria com outras instituições globais e regionais, pretende ampliar o acesso à informação, fortalecer os sistemas de saúde e promover ações concretas para combater as elevadas taxas de mortalidade materna e neonatal.
Uma morte evitável a cada sete segundos
Os números que embasam a campanha são alarmantes. Estima-se que cerca de 300 mil mulheres morram todos os anos por causas relacionadas à gestação ou ao parto. No mesmo período, mais de 2 milhões de recém-nascidos perdem a vida no primeiro mês de vida, além de milhões de natimortos. Ao todo, isso representa uma morte evitável a cada sete segundos.
“É inaceitável que, em pleno século 21, mulheres e bebês sigam morrendo por causas evitáveis. Precisamos agir agora”, alertou o Diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Dr. Jarbas Barbosa Jr., que, ainda em junho de 2024, fez um chamado urgente para a redução da mortalidade materna nas Américas. Segundo ele, a região da América Latina e Caribe viveu, em 2020, uma morte materna por hora, revertendo duas décadas de avanços.
Metas da campanha do Dia Mundial da Saúde 2025
A campanha “Inícios saudáveis, futuros esperançosos” estabelece quatro grandes objetivos:
1. Aumentar a conscientização sobre as lacunas na sobrevivência materna e neonatal.
2. Promover investimentos eficazes para melhorar os cuidados e a estrutura de saúde voltada às mulheres e aos bebês.
3. Incentivar a ação coletiva em apoio às famílias e profissionais da saúde.
4. Fornecer informações úteis sobre gravidez, parto e cuidados pós-natais.
Com foco especial nos cuidados durante todo o ciclo da gestação, a campanha também quer ampliar o debate sobre questões muitas vezes negligenciadas, como saúde mental perinatal, planejamento familiar, doenças não transmissíveis e violência obstétrica.
Direitos reprodutivos e justiça social
A OMS destaca que a saúde das pessoas que gestam está profundamente ligada a questões sociais, econômicas e ambientais. Em um mundo desigual, mulheres em situação de pobreza, pertencentes a grupos étnicos discriminados ou que vivem em zonas rurais são as mais afetadas pela falta de acesso a serviços de saúde de qualidade.
A campanha deste ano também se propõe a abordar racismo obstétrico, educação sexual e o direito de escolha sobre a gravidez, reconhecendo o papel dos direitos reprodutivos na construção de uma sociedade mais justa e saudável.
“A saúde das mães e dos recém-nascidos está na base de famílias e comunidades saudáveis”, diz o comunicado oficial da OMS. “Se quisermos um futuro mais justo e esperançoso para todas as pessoas, precisamos começar desde o início.”
O cenário no Brasil
Em 2023, o Painel de Monitoramento da Mortalidade Materna registrou 66,4 mil mortes maternas no Brasil, ao passo que a mortalidade infantil e fetal por causas evitáveis foi a menor desde 1996, com 21,2 mil óbitos. Apesar de avanços pontuais, os números ainda estão longe das metas globais.
O país assumiu o compromisso de reduzir a mortalidade materna para menos de 30 mortes por 100 mil nascidos vivos até 2030, em linha com o objetivo da OMS de limitar esse número a 70 mortes por 100 mil em nível global. No entanto, especialistas alertam que 4 em cada 5 países não estão no caminho certo para cumprir as metas até o final da década.
A saúde como direito fundamental
A saúde não é apenas ausência de doença. De acordo com a definição da própria OMS, trata-se de um estado de completo bem-estar físico, mental e social. No Brasil, essa visão está assegurada na Lei nº 8.080/1990, que estabelece a saúde como um direito de todos e dever do Estado, vinculando-a a fatores sociais como alimentação, moradia, saneamento, educação, transporte e trabalho digno.
O conceito também se estende ao meio ambiente. Segundo a OMS e a legislação brasileira, a saúde ambiental inclui todos os aspectos do meio físico e social que afetam o bem-estar das pessoas, e deve ser protegida por políticas públicas sustentáveis.
Mobilização e esperança
A campanha do Dia Mundial da Saúde 2025 convida governos, profissionais e cidadãos a refletirem sobre o papel de cada um na construção de um sistema de saúde mais justo e eficaz. Promover “inícios saudáveis” não é apenas uma medida emergencial, é um investimento estratégico no futuro das sociedades.
Garantir que toda mulher possa viver uma gestação segura e que cada bebê tenha a chance de crescer saudável é, acima de tudo, um compromisso com a dignidade humana. E é esse o apelo que ecoa neste 7 de abril: um chamado global por vida, equidade e esperança.
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