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Educação bilíngue de surdos ganha nova política nacional

MEC recebe sugestões para definir diretrizes da modalidade na educação básica
Educação bilíngue de surdos ganha nova política nacional

O Ministério da Educação (MEC) lançou a Política Nacional de Educação Bilíngue de Surdos (PNEBS), iniciativa que busca fortalecer a oferta da modalidade em todo o país e garantir os direitos linguísticos, educacionais e culturais dos estudantes surdos. 


Como parte da implementação da política, está aberta, até 25 de julho, uma consulta pública para a elaboração das Diretrizes Nacionais da Modalidade Escolar de Educação Bilíngue de Surdos na Educação Básica.


A consulta é voltada a professores, gestores das redes públicas de ensino, profissionais da educação, pesquisadores, representantes da comunidade surda e demais integrantes da sociedade civil. As contribuições podem ser enviadas pela plataforma Brasil Participativo, disponível no portal Gov.br.


As diretrizes servirão como referência para orientar estados e municípios na implantação, ampliação e consolidação da educação bilíngue de surdos em diferentes contextos escolares.


O que prevê a nova política


A Política Nacional de Educação Bilíngue de Surdos tem como objetivo garantir o acesso, a permanência, a participação e o sucesso escolar dos estudantes atendidos pela modalidade. A iniciativa também busca assegurar que o ensino respeite as especificidades linguísticas e culturais da comunidade surda. Entre as principais medidas previstas estão:


Reconhecimento da educação bilíngue de surdos como modalidade prevista na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB); 

Utilização da Língua Brasileira de Sinais (Libras) como língua de instrução, comunicação e ensino, tendo a língua portuguesa escrita como segunda língua; 

Criação de ambientes linguísticos adequados ao desenvolvimento dos estudantes; 

Valorização da identidade e da cultura da comunidade surda; 

Fortalecimento das escolas e classes bilíngues

Ampliação da formação inicial e continuada de professores bilíngues

Desenvolvimento de materiais didáticos e recursos pedagógicos específicos; 

Participação ativa da comunidade surda na elaboração e avaliação das políticas públicas. 


Diretrizes buscam reduzir desafios da modalidade


A criação da PNEBS também responde a demandas históricas da comunidade surda e das redes públicas de ensino. Dados apresentados pelo MEC mostram que ainda existem desafios importantes para garantir uma educação bilíngue de qualidade. Atualmente, apenas 12% das redes de ensino contam com materiais pedagógicos adequados em Libras


As provas em formato VídeoLibras alcançam somente 1,31% dos estudantes, enquanto apenas 2.501 professores possuem formação continuada específica em educação bilíngue de surdos. Embora cerca de 51% das escolas disponham de Salas de Recursos Multifuncionais, ainda há carência de profissionais especializados para o atendimento bilíngue.


Segundo o ministério, a nova política pretende enfrentar essas lacunas por meio da ampliação da formação docente, da produção de materiais acessíveis e da expansão das estruturas voltadas ao atendimento dos estudantes.


Quem será atendido


A Educação Bilíngue de Surdos contempla estudantes surdos, surdocegos, pessoas com deficiência auditiva sinalizantes, surdos com altas habilidades ou superdotação e surdos com outras deficiências associadas.  O atendimento poderá ocorrer em escolas bilíngues de surdos, classes ou turmas bilíngues, escolas comuns e polos de educação bilíngue.


Política será estruturada em seis eixos


A PNEBS foi organizada em seis eixos estratégicos:


Governança e coordenação federativa; 

Diretrizes; 

Currículo e materiais didático-pedagógicos; 

Produção de conhecimento e monitoramento; 

Formação de profissionais; 

Reconhecimento, valorização e difusão de experiências inovadoras. 


Além disso, o MEC publicou um edital para seleção de artigos científicos produzidos por pesquisadores surdos e ouvintes sobre educação bilíngue de surdos. Os trabalhos selecionados integrarão os Cadernos Equidade, publicação desenvolvida em parceria com a Unesco.


Leia tambémEnsino bilíngue registra avanço nas escolas brasileiras


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Fonte: Ministério da Educação

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