A escala de trabalho 6x1, modelo em que o profissional atua seis dias por semana com apenas um de descanso, ainda está presente em 33,2% dos empregos no Brasil. O dado faz parte de um estudo inédito do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), apresentado durante audiência pública na Câmara dos Deputados nesta semana.
O levantamento, baseado em informações do sistema eSocial, analisou um total de 50,3 milhões de vínculos trabalhistas formais no país, incluindo trabalhadores celetistas, estatutários, autônomos, avulsos, cooperados, domésticos e estagiários.
Maioria dos trabalhadores já está fora da escala 6x1
Apesar da presença significativa do modelo 6x1, os dados indicam uma mudança gradual no perfil das jornadas de trabalho no Brasil. Atualmente, 66,8% dos trabalhadores já não estão submetidos a essa escala.
Esse grupo atua, em sua maioria, em jornadas semanais de até 40 horas, geralmente distribuídas ao longo de cinco dias, modelo conhecido como escala 5x2, que prevê dois dias de descanso semanal.
Em números absolutos, cerca de 14,8 milhões de trabalhadores ainda cumprem jornadas de seis dias por semana, com cargas horárias de 44 horas ou mais. Por outro lado, aproximadamente 29,7 milhões já trabalham em regimes mais curtos, alinhados ao padrão de cinco dias de trabalho.
Debate sobre redução da jornada ganha força
Durante a audiência na Câmara, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, destacou que os dados reforçam a possibilidade de avanço no debate sobre a redução da jornada semanal no país.
Segundo o ministro, a predominância crescente de jornadas de 40 horas indica que a economia brasileira tem condições de absorver mudanças nesse modelo.
De acordo com ele, setores que exigem funcionamento contínuo, como serviços essenciais, podem adaptar suas escalas por meio de negociação entre empregadores e trabalhadores, mantendo a produtividade sem ampliar a carga horária.
Impacto econômico e uso de tecnologia
O estudo também avaliou os possíveis impactos econômicos de uma eventual redução da jornada de trabalho. A análise aponta que a mudança poderia gerar um aumento adicional de 4,7% na massa total de rendimentos no Brasil, índice considerado administrável dentro do cenário macroeconômico.
Para chegar aos resultados, o Ministério utilizou tecnologias de Inteligência Artificial no processamento e cruzamento dos dados do eSocial, permitindo analisar milhões de registros de forma mais precisa e projetar cenários para o mercado de trabalho.
Discussão envolve desafios e perspectivas
O tema tem ganhado destaque no Congresso Nacional, onde propostas relacionadas ao fim da escala 6x1 e à redução da jornada semanal estão em debate. Enquanto parte do governo defende a mudança como forma de melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, há também preocupações sobre possíveis impactos nos custos das empresas e na manutenção de empregos.
Ainda assim, os dados mais recentes indicam uma tendência de transformação no mercado de trabalho brasileiro, com avanço de modelos mais equilibrados entre produtividade e tempo de descanso, um movimento que pode influenciar diretamente as futuras políticas de emprego no país.
Leia também: Jornada 6x1: o impacto das horas extras na saúde e nas empresas
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