A Geração Z caminha para se tornar a mais rica da história nas próximas décadas. É o que aponta um relatório do Bank of America (BofA), que projeta uma renda global de US$ 36 trilhões até 2030 e de US$ 74 trilhões por volta de 2040 para os nascidos entre meados dos anos 1990 e o início da década de 2010. O crescimento representa um salto significativo em relação aos cerca de US$ 9 trilhões registrados recentemente.
Segundo o banco, esse avanço será impulsionado, em grande parte, pela chamada transferência de riqueza entre gerações, com a herança acumulada pelos baby boomers sendo gradualmente repassada aos mais jovens. Além disso, a Geração Z deve representar cerca de 30% da população mundial na próxima década, consolidando-se como um dos principais motores da economia global.
Os analistas destacam que o impacto desse grupo vai além do volume financeiro. As preferências de consumo, mais voltadas para tecnologia, e-commerce e sustentabilidade, tendem a redefinir padrões de mercado e comportamento econômico em escala global.
Uma geração que gasta mais do que poupa
Apesar das projeções otimistas, o cenário atual revela desafios importantes. Dados do BofA indicam que a Geração Z apresenta dificuldades em poupar e manter equilíbrio financeiro. A relação entre gastos e poupança chega a 1,93, o que significa que os jovens gastam quase o dobro do que conseguem guardar.
O consumo também cresce em ritmo acelerado. A expectativa é de que os gastos globais desse grupo atinjam US$ 12,6 trilhões até 2030, frente a US$ 2,7 trilhões em 2024. Despesas com entretenimento e viagens se destacam, com aumentos recentes de 25,5% e 12,8%, respectivamente.
Mesmo assim, há sinais de ajuste no comportamento. Cerca de dois terços dos jovens afirmam ter reduzido despesas, como refeições fora de casa e participação em eventos, em resposta ao aumento do custo de vida.
Moradia pesa no orçamento
O custo da moradia é um dos principais pontos de pressão para a Geração Z. O relatório aponta que mais da metade dos jovens vive de aluguel, com gastos acima da média da população em habitação e serviços básicos.
Ainda de acordo com o estudo, 52% dos entrevistados afirmam não ganhar o suficiente para sustentar o estilo de vida desejado, tendo a moradia como um dos principais entraves. A dificuldade em adquirir imóveis reforça esse cenário e amplia a dependência do aluguel.
Alta qualificação e dificuldades no mercado de trabalho
Outro dado relevante é o nível de escolaridade. Em 2022, 57% dos jovens entre 18 e 21 anos estavam matriculados no ensino superior, índice superior ao observado em gerações anteriores na mesma faixa etária.
Apesar disso, a inserção no mercado de trabalho tem se mostrado desafiadora. O número de lares da Geração Z recebendo benefícios de desemprego nos Estados Unidos cresceu 32% em relação ao ano anterior, enquanto a taxa de desemprego entre novos entrantes aumentou 9,3% em fevereiro de 2025.
Diante desse cenário, muitos jovens têm aceitado empregos que não correspondem à sua formação, evidenciando um descompasso entre qualificação e oportunidades disponíveis.
Impacto econômico e transformação de mercado
Com maior participação populacional e crescente poder de consumo, a Geração Z tende a exercer influência direta sobre os rumos da economia global. O estudo do BofA indica que decisões de compra desse grupo devem moldar setores inteiros, especialmente aqueles ligados à tecnologia e ao consumo digital.
Embora o potencial de riqueza seja expressivo, o relatório aponta que os desafios atuais, como custo de vida elevado, dificuldade de inserção profissional e baixa capacidade de poupança, ainda são obstáculos relevantes para essa geração.
A tendência, segundo os analistas, é de que o equilíbrio entre crescimento econômico e estabilidade financeira individual seja um dos principais pontos de atenção nos próximos anos.
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