Ter uma reserva financeira ainda está longe da realidade da maior parte dos brasileiros. Dados da 9ª edição do estudo Raio X do Investidor Brasileiro, divulgado pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais em parceria com o Datafolha, mostram que mais da metade da população não possui dinheiro guardado ou conta com recursos suficientes para cobrir apenas até um mês de despesas.
Segundo o levantamento, 31% dos brasileiros afirmaram não possuir qualquer reserva financeira. Entre aqueles que conseguem guardar algum valor, 10% teriam recursos suficientes para apenas uma semana em caso de emergência. Outros 10% conseguiriam manter os gastos por até um mês e 12% teriam reservas para um período entre um e dois meses.
O cenário revela uma vulnerabilidade financeira significativa em um momento em que o endividamento das famílias brasileiras segue em alta. Dados recentes do Banco Central apontam que mais de 80% das famílias estão endividadas e que o comprometimento da renda com dívidas atingiu o maior patamar desde 2005.
Reserva ainda é insuficiente para a maioria
A pesquisa também mostra que 43% dos entrevistados conseguiriam sustentar suas despesas por, no máximo, seis meses utilizando as reservas acumuladas. Apenas 26% afirmaram ter recursos suficientes para um período superior a seis meses.
Especialistas em educação financeira costumam recomendar uma reserva equivalente entre três e seis meses de despesas fixas para lidar com imprevistos, como desemprego, problemas de saúde ou gastos emergenciais.
Mesmo assim, apenas 3% dos brasileiros disseram possuir recursos suficientes para manter as despesas por cinco anos ou mais.
Classes D e E concentram maior dificuldade
O estudo evidencia ainda o impacto das desigualdades sociais na capacidade de poupar. Entre os brasileiros das classes D e E, quase metade (48%) afirmou não possuir qualquer reserva financeira. Na classe C, o percentual cai para 30%. Já entre as classes A e B, apenas 13% disseram não ter dinheiro guardado para emergências.
O levantamento ouviu 5.832 pessoas com 16 anos ou mais nas cinco regiões do país. A amostra representa um universo estimado em 168,1 milhões de brasileiros, de acordo com dados da Pnad/IBGE.
Geração X lidera falta de reserva financeira
No recorte geracional, a geração X, formada por pessoas nascidas entre 1965 e 1980, aparece como a mais afetada pela ausência de reservas financeiras. Cerca de 37% desse grupo afirmaram não guardar dinheiro.
Os millennials, nascidos entre 1981 e 1996, aparecem em seguida, com 28% sem qualquer fundo de emergência. Já a geração Z e os baby boomers registraram os menores índices, ambos com 17%.
Segundo Marcelo Billi, superintendente de Sustentabilidade, Inovação e Educação da Anbima, os dados da geração Z refletem diferentes momentos de vida financeira dentro do mesmo grupo, incluindo jovens ainda dependentes da família e outros já inseridos no mercado de trabalho.
Brasileiros economizam mais, mas ainda investem pouco
Apesar das dificuldades, a pesquisa identificou um crescimento no número de brasileiros que conseguiram economizar dinheiro nos últimos anos. Em 2021, 27% afirmavam guardar recursos. Em 2025, esse percentual subiu para 33%. Entre as principais estratégias utilizadas para conseguir poupar, o corte de gastos aparece como destaque. Cerca de 44% reduziram despesas com lazer para aumentar as reservas.
O levantamento também aponta aumento no número de pessoas que separam parte do salário mensal para economizar, passando de 11% para 20% entre 2021 e 2025. Mesmo assim, investir em produtos financeiros ainda não é hábito para grande parte da população. Apenas 10% disseram aplicar dinheiro em produtos financeiros, embora 24% afirmem “investir” de alguma forma.
Segundo a Anbima, isso acontece porque muitos brasileiros associam investimentos a diferentes objetivos pessoais, como educação dos filhos, viagens, imóveis e até procedimentos estéticos.
Poupança segue líder entre investimentos
A caderneta de poupança continua sendo o investimento mais popular entre os brasileiros. Atualmente, 22% da população mantém dinheiro aplicado nessa modalidade. Entre os investidores, no entanto, a poupança perdeu espaço nos últimos anos. A participação caiu de 75% para 61% entre 2021 e 2025.
Enquanto isso, produtos como títulos privados e fundos de investimento ganharam força. Os títulos privados passaram de 8% para 20%, enquanto os fundos cresceram de 9% para 14% no mesmo período.
As plataformas digitais também se consolidaram como principal meio utilizado pelos brasileiros para realizar aplicações financeiras. Atualmente, 63% dos entrevistados afirmam utilizar canais on-line para investir, enquanto 32% ainda preferem o atendimento presencial.
Leia também: Finanças pessoais: 5 aplicativos para organizar sua vida financeira
Tem curso de Finanças com bolsa de estudo?
O Educa Mais Brasil oferece uma oportunidade imperdível para quem deseja ingressar no mundo das finanças! Com o objetivo de democratizar o acesso à educação de qualidade, o programa disponibiliza bolsas de estudo para graduação e pós.
Estudar Finanças é fundamental para quem busca uma carreira promissora em áreas como análise financeira, gestão de investimentos e consultoria. A formação fornece conhecimentos essenciais sobre administração, contabilidade, mercado de capitais e planejamento financeiro, preparando os alunos para os desafios do mercado de trabalho.
Ao optar por uma bolsa de estudo do Educa Mais Brasil, você poderá reduzir os custos com a mensalidade e se dedicar mais aos estudos. Não perca essa chance de transformar sua vida! Inscreva-se agora e dê o primeiro passo rumo a uma carreira de sucesso!

