O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) lançou um novo manual técnico com orientações para a gestão de riscos ocupacionais nas empresas brasileiras. A publicação, que detalha a aplicação do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), previsto na Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), surge como um guia prático para apoiar empregadores, trabalhadores e profissionais da área de saúde e segurança do trabalho.
O material tem como principal objetivo fortalecer a cultura de prevenção nas organizações, oferecendo diretrizes claras para identificar, avaliar e controlar riscos no ambiente de trabalho. A iniciativa também busca facilitar a adaptação das empresas às atualizações recentes da NR-1, que deve entrar em vigor a partir de 26 de maio.
Manual reforça cultura de prevenção nas empresas
Intitulado Manual de Interpretação e Aplicação do Capítulo 1.5 da NR-1, o documento reúne orientações técnicas e operacionais que abrangem todas as etapas do gerenciamento de riscos.
Desde o levantamento inicial de perigos até o monitoramento contínuo das ações, o conteúdo propõe uma abordagem estruturada e estratégica para a saúde e segurança no trabalho. A proposta do MTE vai além do cumprimento das exigências legais.
O manual incentiva as empresas a adotarem uma postura preventiva e integrada, com foco na redução de acidentes e doenças ocupacionais e na melhoria contínua das condições de trabalho. Nesse contexto, a gestão de riscos passa a ser tratada como um processo permanente, incorporado às rotinas organizacionais e alinhado às práticas de gestão.
Gestão de riscos psicossociais ganha destaque
Um dos principais avanços da publicação é a ênfase nos riscos psicossociais, tema cada vez mais relevante no cenário corporativo. Esses riscos estão relacionados a fatores como excesso de carga de trabalho, pressão por resultados, jornadas extensas, falta de autonomia e conflitos interpessoais.
Segundo o MTE, esses elementos podem impactar diretamente a saúde mental dos trabalhadores, contribuindo para quadros de estresse, ansiedade e outros transtornos emocionais.
A inclusão desse tema amplia o conceito tradicional de saúde ocupacional, que historicamente priorizava riscos físicos, químicos e biológicos, e reforça a necessidade de um olhar mais abrangente sobre o bem-estar no trabalho.
Integração com outras normas amplia a gestão
O manual também orienta sobre a integração do GRO com outras normas regulamentadoras, como a NR-17, voltada à ergonomia. Entre as ferramentas destacadas estão a Avaliação Ergonômica Preliminar (AEP) e a Análise Ergonômica do Trabalho (AET), que auxiliam na identificação de fatores que podem comprometer a saúde e o desempenho dos trabalhadores.
A adoção dessas metodologias permite um diagnóstico mais preciso das condições de trabalho e contribui para a definição de medidas preventivas mais eficazes.
Estrutura orienta empresas em todas as etapas
A publicação detalha o processo de gestão de riscos ocupacionais, contemplando etapas essenciais como:
• Levantamento preliminar de perigos e riscos
• Identificação de agentes físicos, químicos, biológicos e ergonômicos
• Avaliação do nível de risco
• Definição e implementação de medidas de controle
• Monitoramento contínuo e acompanhamento da saúde dos trabalhadores
O manual também traz orientações sobre a elaboração do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), incluindo o inventário de riscos e o plano de ação, documentos fundamentais para muitas organizações.
Participação dos trabalhadores é essencial
Outro ponto de destaque é o papel dos trabalhadores na gestão de riscos. O documento reforça que a participação ativa dos colaboradores é fundamental para o sucesso das ações de prevenção.
Entre as estratégias recomendadas estão o fortalecimento da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) e a criação de canais de comunicação eficazes, que permitam o registro de riscos e sugestões de melhoria.
Alinhamento com campanha nacional
O lançamento do manual está alinhado à Campanha Nacional de Prevenção de Acidentes do Trabalho (CANPAT) 2026, que terá como tema a prevenção de riscos psicossociais no trabalho. A iniciativa busca ampliar o debate sobre saúde mental e incentivar práticas que promovam ambientes mais seguros e saudáveis.
Impactos para carreira e gestão de pessoas
Para profissionais de Recursos Humanos, Departamento Pessoal e especialistas em saúde e segurança, o novo manual representa uma oportunidade de aprimorar processos e fortalecer a gestão organizacional.
A adoção das diretrizes pode contribuir para a redução de afastamentos, melhoria do clima organizacional e aumento da produtividade, além de garantir maior conformidade com a legislação trabalhista.
Caminho para ambientes de trabalho mais seguros
Com a nova publicação, o MTE reforça seu compromisso com a modernização das políticas de saúde e segurança no trabalho no Brasil. Ao incorporar temas como riscos psicossociais e gestão contínua, o manual se posiciona como uma referência para empresas que buscam ambientes mais seguros, produtivos e humanizados.
A expectativa é que o material contribua para transformar a forma como as organizações lidam com riscos, promovendo uma cultura preventiva mais sólida e alinhada às demandas atuais do mercado de trabalho.
Veja também: NR1 e os riscos psicossociais: o que são e como identificar?
Profissionais que ajudam na nova NR-1
Para cumprir as exigências atualizadas da NR-1, especialmente na gestão de riscos psicossociais, as empresas contam com o apoio de profissionais como técnicos e engenheiros de segurança do trabalho, psicólogos organizacionais, médicos do trabalho, assistentes sociais e equipes de Recursos Humanos.
Esses especialistas ajudam a identificar riscos, implementar ações preventivas e promover um ambiente mais saudável. Com a valorização dessas áreas, investir em qualificação pode abrir boas oportunidades.
Programas como o Educa Mais Brasil oferecem bolsas de estudo que facilitam o acesso à formação necessária para atuar nesse mercado.

