A entrada em vigor da nova Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), em 26 de maio, evidenciou um desafio para as empresas brasileiras: a adaptação às exigências relacionadas aos riscos psicossociais no trabalho.
Uma pesquisa realizada pela Heach Recursos Humanos com 1.730 empresas brasileiras entre janeiro e fevereiro de 2026 revelou que apenas 18% dos profissionais de RH afirmam conhecer profundamente a norma. Isso significa que 82% ainda não dominam totalmente as mudanças.
Nova exigência amplia responsabilidade das empresas
A atualização da NR-1 não cria uma legislação específica sobre saúde mental, mas amplia o escopo da gestão de riscos ocupacionais ao incluir oficialmente os chamados riscos psicossociais.
Na prática, as empresas passam a ser responsáveis por identificar, avaliar, controlar e monitorar fatores como estresse ocupacional, excesso de pressão, sobrecarga de trabalho, conflitos interpessoais, jornadas extenuantes e outros elementos que podem afetar a saúde psicológica dos colaboradores.
Segundo especialistas, o principal desafio não está apenas em reconhecer esses riscos, mas em demonstrar, por meio de evidências, que ações efetivas estão sendo implementadas para mitigá-los.
Por que tantas empresas ainda não estão preparadas?
O baixo nível de conhecimento sobre a NR-1 está ligado à complexidade da regulamentação. Diferentemente dos riscos físicos e ergonômicos, a gestão dos riscos psicossociais ainda é um tema recente para muitas empresas.
A norma exige que as organizações identifiquem e monitorem esses riscos, mas não define um modelo único de aplicação, demandando integração entre RH, jurídico, lideranças e equipes de saúde e segurança do trabalho.
O que diferencia os 18% que já dominam a norma?
As empresas que já avançaram na adequação à NR-1 têm apostado em diagnósticos psicossociais validados para identificar riscos como estresse, sobrecarga e conflitos no ambiente de trabalho.
Além disso, reforçaram a anonimização dos dados dos colaboradores, integraram a gestão desses riscos ao Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) e investiram na capacitação das lideranças, que passam a ter papel fundamental na prevenção de problemas e na promoção da saúde mental nas equipes.
Multas e riscos jurídicos preocupam organizações
A falta de adequação à nova NR-1 pode trazer consequências financeiras relevantes. As penalidades iniciais podem variar entre R$ 6 mil e R$ 100 mil, dependendo da gravidade da infração e do porte da empresa.
Especialistas alertam também para o aumento da exposição a ações trabalhistas relacionadas à saúde mental. Questões como assédio moral, sobrecarga de trabalho e adoecimento psicológico tendem a ganhar ainda mais relevância diante da nova exigência de monitoramento e controle dos riscos psicossociais.
Saúde mental passa a ser tema estratégico
A nova NR-1 representa uma mudança importante na forma como as organizações enxergam a gestão de pessoas. Mais do que uma obrigação legal, a norma coloca a saúde mental no centro das estratégias corporativas e exige uma atuação baseada em dados, evidências e resultados concretos.
As empresas que conseguirem transformar diagnósticos em ações efetivas terão vantagens competitivas, fortalecendo a retenção de talentos, a produtividade e a segurança jurídica. Já aquelas que tratarem o tema apenas como uma exigência burocrática podem enfrentar custos elevados e riscos crescentes nos próximos anos.
Leia também: NR1 e os riscos psicossociais: o que são e como identificar?
Profissionais que ajudam na nova NR-1
Para cumprir as exigências atualizadas da NR-1, especialmente na gestão de riscos psicossociais, as empresas contam com o apoio de profissionais como técnicos e engenheiros de segurança do trabalho, psicólogos organizacionais, médicos do trabalho, assistentes sociais e equipes de Recursos Humanos.
Esses especialistas ajudam a identificar riscos, implementar ações preventivas e promover um ambiente mais saudável. Com a valorização dessas áreas, investir em qualificação pode abrir boas oportunidades.
Programas como o Educa Mais Brasil oferecem bolsas de estudo que facilitam o acesso à formação necessária para atuar nesse mercado.

