Muito se fala do
burnout na área laboral. Isso porquê
o conceito envolve justamente o esgotamento excessivo de profissionais, que
pode ser ocasionado por diferentes razões, tais como: acúmulo de funções, falta
de tempo livre, baixo ou nenhum reconhecimento, salários baixos, entre outras.
Devido à cobrança constante sofrida pelos
profissionais e a alta concorrência no mercado de trabalho, estão
aumentando os casos de síndrome
de burnout, mas nem todos estão ligados, apenas, ao cansaço físico e mental
devido às atividades laborais. Especialistas já falam em burnout racial, conceito que está diretamente ligado ao preconceito
sofrido por pessoas negras no ambiente de trabalho.
O que é burnout racial?
O termo burnout racial define o esgotamento e
adoecimento de pessoas negras devido a situações de racismo em suas
experiências laborais. A condição inclui tanto falas explícitas, como as
ocorridas com o jogador Vinicius
Júnior, por exemplo, quanto acontecimentos implícitos, que podem até mesmo
passar despercebidos.
A partir da
análise de 160 estudos sobre burnout, pesquisadores da Universidade
Harvard, nos Estados Unidos, perceberam que entre médicos, estudantes e
professores de Medicina,
mais pessoas negras (30%) são levadas ao esgotamento em comparação com brancos
(18%), principalmente no início da carreira.
Destaca-se também
que, de acordo com dados do Ministério da Saúde, jovens negros que têm entre 10 a 29 anos têm 45% a mais de chances
de tirarem a própria vida do que pessoas brancas dessa mesma faixa etária.
Como acontece o burnout racial?
O burnout racial
acontece quando pessoas negras adoecem
devido à sua constante exposição a situações de racismo no ambiente de
trabalho. Confira alguns exemplos do que pode ocorrer:
- Promoção de pessoas brancas com pouco conhecimento em detrimento de pessoas negras mais bem preparadas
- Desamparo na realização das atividades laborais
- Falta de atenção e cuidado quando denunciam racismo
- Isolamento
- Salários mais baixos do que os recebidos pelos funcionários brancos
- Exposição a falas racistas disfarçadas de piadas
- Ameaças de demissão quando denúncias são feitas
Sintomas do burnout racial
Os sintomas do
burnout racial se assemelham aos da síndrome de burnout “tradicional”. São
eles:
- Taquicardia
- Crises de ansiedade
- Depressão
- Problemas gastrointestinais
- Sudorese intensa
- Distúrbios alimentares
- Isolamento
- Distúrbios do sono
- Dores de cabeça
- Desânimo
Como tratar?
O cuidado com a saúde mental é o fator
primordial para se curar do burnout racial. Quem está sofrendo com a condição
deve procurar bons psicólogos,
de preferência aqueles que entendem a dor causada pelo racismo, e fazer todas
as sessões necessárias para melhorar seu autoconhecimento e se fortalecer pra
enfrentar situações de racismo, que não acontecem somente no ambiente de
trabalho.
Também é
importante se afastar do ambiente que o adoece e, se estiver confortável com a
ideia, fazer denúncia no setor
responsável. As denúncias são importantes para que os racistas paguem pelo seu
crime e a empresa tome iniciativas que evitem a ocorrência de novos casos.
Veja também: Síndrome
de Burnout: mulheres sofrem mais com a doença do que homens
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