Um levantamento
do Todos Pela Educação, com base nos
dados do IBGE obtidos entre 2012 e 2022, revelou que, no Brasil, a cada 10
jovens pretos de 19 anos, apenas seis concluíram o ensino
médio.
Esse número é
maior que o obtido em 2012, quando apenas três
de cada 10 concluíram a etapa de ensino, mas revela a disparidade racial no
sistema educacional, já que, mesmo hoje, ainda é menor do que a de jovens
brancos da mesma idade. Enquanto 61% dos pretos concluem o ensino médio, 75,3%
dos brancos realizam o feito.
Esses números evidenciam
um ciclo de exclusão de jovens pretos e
pardos, determinado por décadas de ausência de políticas públicas voltadas
à promoção da equidade das relações étnico-raciais.
Negros ainda têm baixa representatividade no meio acadêmico
Um levantamento
feito pela Liga de Ciência Preta
Brasileira, que coletou dados no ano de 2020, revelou que os negros são
minoria nos cursos de pós-graduação
das universidades públicas. Entre os alunos da etapa educacional, 82,7% são
brancos e apenas 2,7% são pretos. Os pardos somam 12,7%, enquanto 2% são
amarelos e menos de 0,5% é indígena.
Como reflexo
desses dados, temos a maioria dos
professores universitários branca. No levantamento feito pelo jornalista e
servidor da Faculdade de Educação da UFRGS, Wagner Machado da Silva, por
exemplo, foi evidenciado que dos 754 docentes dos cursos de Comunicação
do estado do Rio Grande do Sul, somente 20 são negros.
Racismo estrutural
É chamada de racismo estrutural a herança de
discriminações raciais, que perdura desde os tempos da escravidão. Ele está tão
enraizado em nossa sociedade, que muitas vezes passa despercebido, mas é capaz
de atingir diferentes esferas da nossa vida, como o lazer e a educação.
Essa
discrepância entre negros e brancos no sistema educacional, seja ele de nível básico ou superior, é resultado,
também, do racismo estrutural. Para solucionar a questão, é preciso um
enfrentamento em diferentes âmbitos, principalmente com a criação de políticas
públicas e a conscientização da população.
Leia também: Racismo
recreativo: o que é e por que é tolerado?
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