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Você conhece estas palavras antigas da língua portuguesa?

Termos populares no passado que estão desaparecendo do vocabulário
Você conhece estas palavras antigas da língua portuguesa?

A língua portuguesa está em constante transformação. Novas palavras surgem, outras mudam de significado e algumas simplesmente deixam de ser usadas com o passar do tempo. Não se trata apenas de gírias ou modismos: muitas expressões que eram comuns no cotidiano de gerações passadas hoje são praticamente desconhecidas pelas pessoas mais jovens.


Termos que nossos avós utilizavam com naturalidade acabaram sendo substituídos por sinônimos mais modernos ou perderam espaço nas conversas do dia a dia. Em alguns casos, essas palavras sobrevivem apenas em livros antigos, textos literários, poemas ou provas escolares, como vestibulares e o Enem.


Esse processo de desaparecimento faz parte da própria dinâmica das línguas. Ao longo dos séculos, o vocabulário se adapta às mudanças culturais, sociais e tecnológicas, deixando algumas palavras pelo caminho.


Quando as palavras deixam de ser usadas


Quando um termo deixa de fazer parte do uso cotidiano, ele passa a ser considerado um arcaísmo, nome dado a palavras ou expressões que eram comuns no passado, mas que hoje soam antigas, formais ou estranhas para o falante moderno.


Esse fenômeno ocorre porque a língua acompanha as transformações da sociedade. Novos costumes, profissões, tecnologias e formas de comunicação criam demandas por novas palavras, enquanto outras perdem utilidade.


De acordo com um levantamento do Observatório da Língua Portuguesa, da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, em Lisboa, existem pelo menos 50 palavras que hoje causam estranhamento quando aparecem em textos ou conversas. Muitas delas sobreviveram apenas nos dicionários.


Palavras que estão desaparecendo


Algumas palavras antigas eram bastante usadas no passado para descrever comportamentos ou características das pessoas. Entre elas estão:


Sacripanta – pessoa desprezível ou de mau caráter.

Basbaque – indivíduo ingênuo ou simplório.

Tabefe – tapa ou bofetada.

Quiproquó – confusão ou mal-entendido.

Balela – mentira ou conversa sem fundamento.


Outras descreviam qualidades ou características positivas:


Janota – pessoa elegante e bem vestida.

Supimpa – algo muito bom ou excelente.


Já alguns verbos também caíram no esquecimento ao longo do tempo:


Gorar – frustrar ou não dar certo.

Brunir – alisar ou dar brilho a tecidos e metais.

Asseverar – afirmar com convicção.


Hoje, quando aparecem em textos ou conversas, essas palavras podem causar estranhamento e muitas vezes exigem consulta ao dicionário.


Expressões curiosas que quase não ouvimos mais


Há ainda palavras antigas que carregam certa curiosidade e charme, mesmo sendo pouco usadas atualmente. Alguns exemplos são:


Dondoca – mulher de boa condição social, considerada fútil ou ociosa.

Carraspana – estado de embriaguez.

Fuzarca – bagunça ou confusão.

Ósculo – forma mais formal de dizer beijo.

Obséquio – favor ou gentileza.

Pachorra – paciência excessiva.

Convescote – encontro ao ar livre, semelhante a um piquenique.


Essas expressões ainda podem aparecer em obras literárias ou textos mais formais, mas raramente fazem parte da linguagem cotidiana.


A língua muda junto com a sociedade


O desaparecimento de palavras não acontece por acaso. Segundo o linguista Carlos Alberto Faraco, autor do livro Linguística Histórica: uma introdução ao estudo da história das línguas, o vocabulário de uma língua está profundamente ligado às transformações sociais, culturais e econômicas de uma sociedade.


Isso significa que mudanças como urbanização, avanços tecnológicos, novas formas de trabalho e transformações culturais influenciam diretamente o modo como as pessoas falam. Assim, palavras podem desaparecer porque os objetos, hábitos ou situações que descreviam deixaram de existir ou ganharam novos nomes.


Um retrato da história da língua


Mesmo que algumas dessas palavras estejam cada vez mais raras no cotidiano, elas fazem parte da história da língua portuguesa. Muitas ainda sobrevivem em livros antigos, documentos históricos e na fala de pessoas mais velhas.


Conhecer esses termos é também uma forma de compreender como o idioma evoluiu ao longo do tempo e perceber que, assim como no passado, novas palavras continuarão surgindo enquanto outras vão ficando pelo caminho. Afinal, a língua é viva e segue mudando junto com as pessoas que a utilizam.


Leia também5 palavras que muita gente fala e escreve errado em português


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Fonte: Observatório da Língua Portuguesa

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